quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

A Amnisita Fiscal - Uma Questão Capital

Abram os olhos para um caminho para diminuição do défice, chabais: a amnistia fiscal.


Não é bonito - mas em tempo de guerra não se limpam armas.

E a minha segunda proposta passa por meter as mãos no emaranhado de "direitos adquiridos" da Segurança Social". Hei - mas eu sou assim.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Dias de Poesia

Ainda nesta Coisa Nossa, Francisco José Viegas.

Mas Eu Não Aprovo a Linguagem

Colhido numa distracção,
O vento lá fora rasga o baixo céu.
À porta, há uma tempestade.

"Ponha-se em sentido,
Soldado contemplativo!,
Não seja besta,
Preste atenção!"

Sujam com palavras o ruído antigo
Da rebentação.

"Veja que grande, esta alhada -
Mas você não se envergonha?
Está com a vida parada,
Pela merda de vida que sonha!"

O vento não entrou pela porta, ainda não -
Silêncio.

O mau tempo ficou além, encantante,
Por mais um dia (quantos faltarão?).
E por baixo da última pedra, restante,
Há uma última razão.

Tanta moral de ocasião...
Que foge de pecado escondido -
Convites, se estiverem à mão
Os olhos de um sonhador perdido.

Durará
O tempo que durar,
Até que haja a desviar
O curso à própria viagem.
Até lá -
Nada há que ripostar a uma ilusão...

Mas eu não aprovo a linguagem,
Ah... concerteza que não.

Pedro Oliveira

domingo, 20 de dezembro de 2009

Rubgay

Elogios para a coragem de Garreth Thomas, que os meus pais também me ensinaram a ser politicamente correcto. Mas eu tenho que dedicar esta aos... betos que conheci ao longo dos anos, que desdenhavam o futebol - como se o Rugby fosse 'o' desporto másculo puro, essa Irmandade da Testosterona. Joke's on you now.

Cuidado com as placagens.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

O 'Affaire' Playboy III

Agradecimento a R., que me recordou da entrevista para a Playboy. Ao falarmos, apercebi-me de que ainda não tinha aqui publicado o segundo texto que escrevi.

Tem já marcas do tempo em cima - a esta distância parece-me barroco, (título algo foleiro, desde logo), de romantismo irritante, a espaços. Parece ingénuo, de deslumbre parvo. Parece quase um erro. Duvido que ainda seja "assim" em relação às mulheres. Ter-me-á a vida mudado? Tão cedo?


Pergunto-me se os últimos tempos - em que tenho vindo a orientar a minha vida mais no sentido profissional, para um modus vivendi que é a antítese de escrever para a Playboy, um perfeito "anti-erotismo" são a causa. Talvez sejam. Certamente que não será o meu físico apolíneo e charme desarmante - imaculados.

Ainda assim, tudo dito, eu gosto do texto, ou gosto dele exactamente por ser imperfeito. Era um 'podia ter sido assim...' muito giro de revisitar.

Donde, eis o segundo texto, de que relevo as minhas passagens favoritas.

Au Bonheur Des Dammes

"Suponho que tenho esse defeito de gostar de mulheres. Tantas vezes, não me lembro de pormenores, nomes, datas, números. Mas nunca me esqueço do matiz de um olhar, do tom exacto de uns cabelos, de formas enquadradas num momento gracioso.

Já tenho pensado se dizê-lo, escrever sobre tal pequeno deslumbre, sobre a ficção em suspenso atrás de uma rapariga, ou de uma mulher – é, ou possa ser, obsceno. Não pelo puritanismo em si – a que eu ligo pouco – mas pela insinuação moral de uma crise económica, que julgará ditos temas como supérfluos, quase nefelibatas.

Acabo, no entanto, a pensar que esta crise é, ao inverso, e justamente, o momento para elogiar as mulheres, e para as amar ainda mais. Desde logo, são elas o primeiro elemento da paz – e nem é preciso uma justificação como esta crise para os homens criarem guerras. Eles conseguem fazer isso gratuitamente.

Mas de uma análise simples às sociedades humanas percebe-se que o amor, e o sexo, são também uma maneira de resolver os problemas. Quando a pressão aumenta, as mulheres tornam-se mais desejáveis, os homens mais interessados e comprometidos – e a solução, tantas vezes, nasce. Pessoalmente, prefiro pensar nessa teoria, mais do que na tese – fácil – de ‘convulsões sociais’.

Às mulheres devemos, portanto, a paz, a resiliência, o motivo – e a solução. Como não gostar delas? Como não as amar, e desejar?

E bom, a verdade é que o calor também ajuda a isso – sejamos francos. Mas durante muito tempo, a mim em particular, nada ajudou. Muito menos o frio do Inverno, se me recordo bem. A verdade é que, como já escrevi antes, eu estive sempre longe de ser um mulherengo – mas nunca por falta de vontade. Persistência, aqui, é a palavra-chave.

Um ‘hound dog’ tem sempre essa prioridade: deixar de o ser. E, com esse fim em mente, a minha relação com as mulheres passou a ter duas naturezas distintas: à vez, contemplativa e arrojada.

Contemplativa, por exemplo, quando, sentado num qualquer café, pela porta entrava de súbito uma rapariga impetuosa, de belo olhar, ou uma mulher sugestiva. Enquanto ela conservava – ou exibia – o seu charme pelo espaço, pela curiosidade alheia, o tempo parava realmente, e qualquer rotina passava a ter sentido, passava a ter sabor.

Curiosamente, a presença de mulheres bonitas num espaço, embora eu nelas repare, é, para mim, profundamente relaxante. Não faltam homens que se alterem, fiquem sobressaltados, como se elas perturbassem a ordem das coisas. Para mim, elas sempre foram a restauração dessa ordem, nunca o contrário. Como se eu estivesse à espera delas, e agora que elas estão, tudo esteja enfim no seu lugar.

Sinto-me então como aqueles velhos edifícios milaneses, que só aguentam a postura arquitectónica, ao ar inquinado, e calor da cidade, por causa delas. À tarde, com estilo impecável, e passada exacta, as italianas percorrem a rua, saindo do trabalho, sempre com destino certo. Olham - e são olhadas. Afagam com a visão do seu passar os vetustos edifícios, que aguentam assim mais um dia, mais um mês, um ano, uma vida. Por elas. E pensam os ‘carabinieri’, naquele seu jeito andarilho, que são eles a manter a ordem na cidade…

Eu até gosto de dizer que, no meu caso, a paz de espírito não carece de um retiro no Tibete, milhões no banco, ou teste aos limites – basta uma sala não demasiado barulhenta, plena de mulheres bonitas. Não peço muito. Deve ser uma costela meridional – e eu gosto bastante de a ter. Alguns dirão disso ‘pequeno-burguês’, ou ‘vem no Eça!’, mas – se eu estiver nessa minha sala – nada disso me apoquenta realmente.

A certa altura da adolescência (maioritariamente contemplativa) tive também o meu curto período de arrojo. Como não? Sobretudo no acto, tão singelo e falível, de dirigir a palavra a uma rapariga - ou, com sorte, as palavras.

Fiz, inclusive, com um amigo ou outro, um concurso de ‘tampas’. O importante era desenvolver a capacidade – para um miúdo tímido – de falar. Com o adicional trágico de os meus amigos serem sempre piores que eu nessa arte (e raramente cumprirem a vez deles…).

Mas é importante saber lidar com a rejeição. A certa altura, era só mesmo isso que eu ambicionava. Até porque – com grande satisfação minha – elas não percebiam que se me ‘dessem bola’... aí sim, é que eu não tinha a mais pálida ideia do que fazer.

Geralmente, eu apontava alto. Queria logo levar uma ‘tampa’ de uma rapariga muito gira, definitivamente fora da minha liga. E os meus amigos avisavam que, pelo meio da multidão podia estar um namorado, devia estar um namorado. “Olha que – em teoria – arriscas-te a levar uma carga de porrada”.

Faço aqui só um pequeno aparte, para vos dizer que tenho um cão. Um rafeiro impertinente que gosta sistematicamente de fugir de casa, contra os meus mandos. “Leão”, digo-lhe eu ao regressar, “então tu não me ouviste, Leão? Hum? Tu não ouviste o dono, Leão? Olha que se fazes isso mais uma vez – apanhas!”. Ora, eu sei que o sacana do cão, envergonhado e apologético naquele momento, ouve “Leão! Blá, blá, blá, Leão! Blá, blá, blá, Leão! Blá, blá, blá!” – e depois volta a fazer exactamente o mesmo, se tiver a oportunidade.

Assim era eu, nesses gloriosos momentos de impulsividade – vulgo… ‘vibes’. Quando o meu amigo me dizia “Olha que – em teoria – arriscas-te a levar uma carga de porrada”, na minha mente soava “Blá, blá, blá – em teoria – blá, blá, blá.” – e eu depois fazia o que me apetecia, se tivesse a oportunidade.

Mas guardo algumas dessas tampas como medalhas. Lembro-me de uma loira deslumbrante que, numa fila de espera, e percebendo que a minha pergunta, se bem que oportuna, servia só para fazer conversa, me dirigiu o mais encantador, senhoril e adstringente ‘Diga?!’ de que me recordo – sem mais resposta. É extraordinária a capacidade de uma mulher expressar frases tão claras, com uma palavra só.

Ah, as mulheres… Digam o que disserem, sejamos Tântalos ou Casanovas, todos somos algo em função delas. A nossa felicidade passa sempre pela felicidade delas – não devia ser assim tão difícil de perceber."


(Nota: os direitos de autor do texto anterior pertencem à empresa Frestacom)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Tuga-lite Zone

Curioso como este "mundo bizarro" de que fala Krugman, e que eu chamaria a "esquizofrenia de facção", está presente em Portugal, tanto na direita como na esquerda. Ambos os lados vivem de modelos interpretativos da realidade que, no fundo, não coincidem com a realidade objectiva - são simplistas, grosseiros, abusivos.

A direita atribui demasiada culpa à governação, a esquerda atribui demasiada culpa à conjunctura. É uma luta entre castelos de marfim, esta a que os portugueses assistem pela televisão - um espectáculo que se repete todas as noites, numa secreta esperança que enfim haja verdade, haja lucidez.

Nada disso seria grave, claro - não fosse o tal famoso "horror ao vazio" que a Natureza tem.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

"Bisbetico Indomabile", Ou a Forma e o Conteúdo

Eu dizia que ganhar o campeonato no primeiro ano em Itália era o supremo teste - e Mourinho conseguiu-o, com todo o mérito. Reitero: é muito mais difícil fazê-lo em Itália do que em Inglaterra.

No entanto, os meus avisos acerca da cultura italiana não foram meros caprichos - era fácil demais, para alguém que dela tivesse a mínima noção, ver o confronto a acontecer. Parte desse confronto é propositado, da parte de Mourinho, por "mindgame". Mas ele tem vindo também a descobrir - à sua custa - que em Itália o "mindgame" não tem um princípio, meio e fim, como em Inglaterra - sendo que o fim seria o reconhecimento pelo seu sucesso.

Acontece que aquele é um sítio em que não há o mesmo "silêncio" da vitória, um sítio onde não basta o conteúdo - é também precisa a forma (aliás, alguns italianos podem enamorar-se da forma muito além do conteúdo...).

Eis porque, por mais conteúdo, ou valor objectivo, que ele possa ter oferecido (e declaro desde já que não me parece que o Inter jogue um futebol assertivo ou apaixonante - continua, época e meia passadas, uma espécie de eterno prelúdio a outra coisa qualquer) a forma há-de lá estar como uma sombra. Não basta aos italianos que Mourinho seja "bravo" - se não aprender a ser galante e humilde, a irritação com o "uomo di Setubal" nunca vai diminuir. É realmente irracional - quanto mais irritados estiverem com o seu estilo, mais irão passar por cima do que tem conseguido.


Por isso Mourinho reclama com um "pensava que esta era a terra do 'resultado final é que conta'...". Engana-se, efectivamente. Isso é verdade quando também os conquista pela sua postura. Quando não, eles são cruéis ao ponto de - dado o resultado positivo - reclamarem pela pobreza do futebol, ou explorarem questiúnculas com jogadores, fingirem que o Inter é alguma espécie de clube glorioso na Europa, para quem uma derrota é uma ignomínia. È cosi.

Para os italianos, talvez, estaria na altura de Mourinho ter mudado de discurso - teve o tempo necessário para se adaptar ao país. E para encher o olho com grandes espectáculos - teve o tempo necessário para controlar a equipa.

Para Mourinho, talvez, estaria na altura de os italianos terem mudado o seu discurso - de reconhecerem a sua capacidade, os resultados conseguidos, com uma equipa, em notas à americana, B ou B+, mas definitivamente não de categoria A ou A+.

O problema, reparem bem, é que os italianos falam da forma, e Mourinho do conteúdo. Ah... houvesse forma e conteúdo... todos seriam felizes.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Primum Non Nocere

À entrada da rotunda
O homem bateu no meu carro -
E roubou-me segundos, palavras,
Chicoteado
Pela sua desatenção.

A noite era escura,
Molhada, fria -
Dessas noites quem fingem
Não verem quem guia;
Noites escondidas,
Pecados de omissão:
Teias para moscas que vão
Morrer sem saber porquê.

HjmKg HyfRT LjgF... jWq
[!Choque!]
Pancada de confirmação.

[ ]

Silêncio.
Podia ter sido Morte.
Mas não foi.

Acorda:
Foi só isso, não há mais,
Os carros passam selvagens, iguais
Mas estás aquém
Dessa linha -
A teia não colou.

Sai, sai do carro e fala
Com a outra mosca, que escapou.

A ele, que te empurrou
Sem intenção
Faz como quem já te perdoou -
Estamos vivos,
Não há questão.

Que lide ele
Com a própria maldição.
O jogo é este:
"Primum non nocere" -
Atenção:
Quem a regra trair,
Quem se distrair,
Não mais pode pedir
Aos outros, seu coração.

Pedro Oliveira

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Nem A Eles Nem À Morte

Andamos neste mundo
Para esquecer os dilemas,
E ontem
Quase morríamos na estrada.

Do nada,
Fomos ultrapassados,
Marcados
Por ódio, por amor
A poder continuar -
Cada dia de vida
Não confessamos celebrar.

Depois nos queixaremos -
Quando nos pudermos sentar -
De quantos dilemas
Não resolvemos arriscar.
Não morrer
É bastante bom:
Nunca ouvimos duas vezes
O som da Morte.
Mas sabemos:
O silêncio foi mais forte que nós.

Invocaremos tempos secretos,
Em que olhávamos
Em cima os nossos avós
...
O Tempo é atroz...
E a Morte foi esquecida,
Escondida por nós.

E dos nossos pecados?
Descendentes emancipados
De fósseis -
Nada de novo há em pecar.

E se o Mundo
Nada nos deve afinal?
Com medo de um erro fatal,
Nos ancorámos:
Amar, odiar, pecar
Perdoar, recordar, contentar
(Sujar!, limpar!, sujar!)
Olhar
Os olhos deles.

E não escapámos -
Nem a eles nem à Morte.

Pedro Oliveira

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ao Menos Não Nos Vemos Gregos

Futebol Madoff

E alguém disse de mim que eu "até dava uns toques" a jogar futebol. E foi aí que pensei "Caramba. Eu podia ter sido um Madoff. Eu podia ter sido um Madoff."

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Realpolitik

Deixai os tolos falar. Oh, deixai os tolos gritar, cegos por suas paixões.

Realpolitik portista, meus amigos - e é por isto que eu gosto tanto da cultura daquele clube.

Qualquer dia sou portista, e vocês nem deram por nada.

Síndrome Metabólico

Interessante contextualização, evolutiva, do síndrome metabólico (que afectará uma parte considerável da população portuguesa), relevada por José Pedro Lopes Nunes, no Blasfémias. Aqui.

domingo, 29 de novembro de 2009

The End of The World (As I Get To Know It)

Uff... 1 mês de reclusão em trabalho, numa farmácia que parece estar no Fim do Mundo.

Caramba: alguma da minha clientela habitual mudou muito - mesmo.



Há cheiros estranhos. Cheiros tão fortes que é impossível estar perante a pessoa durante muito tempo - e eu tenho a infelicidade de ser lento ao balcão. No outro dia apeteceu-me dar um beijo a uma senhora que vinha de fora - simplesmente porque usava perfume.

Ok, pronto. Também há muita gente agradável (a maior parte) - e genuína, sem falsidades. Com paciência para o farmacêutico trapalhão. Mas que piada tem falar deles neste blog?

E só ao fim de um mês - um mês!!! - a farmácia teve a visita da primeira ga... - mulher atraente. Bonita, bem disposta - e bem vestida.



Uma! - num mês inteiro. Um escândalo. Como é que é suposto um farmacêutico com cromossoma Y aguentar as agruras do dia-a-dia? Hum?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Smelly Cat

Um amigo estrangeiro perguntou-me quem eram os Gato Fedorento. Respondi-lhe dizendo que se tratava de um grupo local de talentosos anunciantes - que ocasionalmente faziam uma perninha como humoristas.

Fitando o Meu Limoeiro

Se eu gosto de estar sozinho? Bom, não vou mentir - é duro. Mas eu sou, realmente, uma prova do chavão "mais vale só que mal acompanhado". Há mil palcos gregários que amaria pisar, mas aqueles que vou conhecendo apenas me fazem querer melhorar a solidão, torná-la mais habitável. Aqueles que amo estão vedados, de alguma forma parecem sempre ter estado. Sou grato por tudo o que tive - mas falta um 'clic' para tudo isso fazer sentido.

Não, mas é duro estar sozinho. Especialmente saído para ir trabalhar para fora, no meio do Inverno, de uma depressão económica, no meio da própria inexperiência nas funções, sem amigos sequer. Aqui estou - no meio de nada.

Eu sei que "isolation... is not good for me". Mas - até haver um 'ensemble' porque valha a pena largá-la, assim continuarei, a fitar teimosamente o meu limoeiro.



Eu sempre achei que vale a pena ousar - porquanto tenha tido que calcorrear o "deserto da ofensa à inteligência" do meu país na última década. Se alguém acordar da modorra, quiser mudar de vida e fazer algo de diferente - eu estou listado. Diz que só há uma vida, afinal.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Feliz Hanukkah

Ok, pessoal. Agora para algum cair de queixo 'age appropriate': Bar Rafaeli.

Party In The USA

Lamento, mas agora não me sai da cabeça, esta música.

Foigo - bastante crescida a Miley Cirus, para 17 anos. Mais um ano e poderei dizer sem desconforto a piadola: "Mãe, pai? Eu... quero ir ver a Hannah Montana. Pode ser?".


Yap. Perdi Novamente o Mistreated Intellectual Award.

Uau... E eu que pensava que era um génio ignorado pela sociedade, e por ela obrigado a labutar mundanamente para sobreviver. Leiam lá isto.

É... I guess that puts thing into perspective - doesn't it?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Momentos - 4

Abrigadas por debaixo dos eucaliptos enquanto regurgitavam e voltavam a mastigar o pasto dessa manhã, as vacas Stella e Mimosa, charolesas de raça apurada, aproveitaram para colocar os mexericos em dia:
"- Mas já chega de histórias sobre os quadris do Vitorino. Ouviste a última da Elsa?", perguntou Stella.
"- Qual Elsa? Aquela que manda no grupo das malhadas? A que tem o brinco da orelha com o número todo borrado?".
"- Essa mesmo. Que horror, aquele brinco - mas fica-lhe bem. Vaca mais malvada nunca vi. Ontem estava a fugir das moscas e passei pelo grupo delas... Bem: alta discussão, só se ouvia ela a repreender as outras por causa de não estarem sempre atrás dela. A ameaçá-las acabar com o grupo. E tu sabes como é, coitadas - ninguém as quer na manada. Aquilo é um filme de terror bovino."
"- Cá para mim ela precisa é que lhe limem as unhas. Mesmo estando solta...", sugeriu Mimosa, com um tom pouco simpático, enquanto mastigava a pasta de erva.
"- Incrível, mesmo", continuou Stella.
"- Que grande humana, essa!", soltou, de repente, Mimosa.
Stella ficou algo surpreendida com o palavrão da amiga, e ia repreendê-la docemente, mas acabou por rir também, quase se engasgando, naquele belo dia, à sombra dos eucaliptos.

Mas Onde Ficava Essa Tal "República das Bananas"?

É sempre uma sensação curiosa quando desboroamos um lugar-comum, descobrimos a sua razão, a sua raíz. Pronto, vá - eu gosto, ok? E diz que o blog é meu.



Como não o diriam os outros tantos, iluminados: "Ah, então é daí que vem...".

Levanto-me, Destruo as Moscas e Volto

As moscas mordem,
As gentes mordem
E os dias acabam
Cedo demais.

Pergunto-me ao certo quais
As razões,
E se não terei tentações
De ter as razões normais...

Parem de me morder!
Seres porcos!
Pensam que não sei
O que andam a fazer?

Podem morder,
Que eu não deixo,
Sozinho, de pensar
Nas razões porque me movo:
Por elas decido ir,
Decido ficar.

Que saibam sempre:
Eu não mudo por vocês,
Contra vocês;
Tenho o meu mundo inteiro
A que responder -
Escusam de querer
Levar-me por iras ao vosso.

E no entanto, não vos posso
Permitir:
Levanto-me, destruo as moscas e volto
A reflectir.

Pedro Oliveira

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Elefante Está ao Balcão da Loja de Porcelana

Diz que um homem no meio de mulheres é abençoado. Em determinados cenários, admito perfeitamente essa benção. Já num ambiente laboral, temo discordar desse senso-comum.

Acontece que trabalho só com mulheres por estes dias. E não é fácil. Não me refiro à falta de discussão erudita acerca do novo treinador do Sporting, nem sequer ao facto de ser o único 'pilhado' a descair o olhar para o decote de uma cliente. Não. Refiro-me ao facto de a minha falta de jeito 'trademark' estar potenciada exponencialmente.

Mormente, repare-se, com mulheres, impera a regra de 'o mal está feito'. Não a do 'toda a gente erra', do 'não te preocupes, está sempre a acontecer'. No meu caso - o erro está feito. E sinto a falta do 'gajo' que desdramatize. Até porque eu sou um mau exemplar de gajo - eu dramatizo. Logo - redemoinho de culpa.

Suponho que vou ter que mudar e adaptar-me. Até porque não me posso - pelo contrário - queixar das mulheres particulares, que ajudam bastante - mas são mulheres sempre, e não dá para conseguir explicar as vantagens do meu 'laissez-faire' selectivo, do meu nã-te-rales-com-coisas-menores'. Nada - de repente - é menor. Há um desejo de absoluto, de perfeição que o gajo-a-ver-TV-e-beber-cerveja-no-sofá (wife beater e tudo) dentro de mim não aceita de bom grado. 'Raios - não dá para mudar de canal'.

Mas bom - espero que, adapatando-me às suas exigências, não me perca demasiado. Neste contexto ecológico, já tenho avisado amigos para chamarem o 'Fernando' se me apanharem a versar acerca das cores de um cortinado. Às vezes tenho pesadelos em que a minha barriga de cerveja se torna subitamente pregnante, e eu tenho que ser levado rapidamente para o hospital. Quando a enfermeira se chega ao pé de mim, embrulhando os braços em torno dos rebentos, diz-me apenas: 'Parabéns. São minis.'

Existência-Lismo

A primeira semana foi dura. Semana de um forasteiro, naturalmente um forasteiro, estranhado enquanto tal. Até pelos cães, num impertinente e especialmente agressivo latir, sempre que passo pela rua.

Senti-me constantemente um Romanovich Raskolnikov de "Crime e Castigo", só com Alyona Ivanovnas a olhar para mim. E pergunto-me quanto tempo será necessário ainda até que se perceba que eu não tenho qualquer machado na mão.

Where-Abouts

Ainda não tinha dito, certo? Ok. Então é assim - mudei de cidade. De junta de freguesia, concelho, distrito. Pois é.

Estava a passar o pó aos livros na prateleira científica e vejo um, envergonhado, pequeno, mas que parecia responder às minhas dúvidas - as que me levavam, justamente, a estar a limpar o pó aos livros - sobre para onde ir 'respirar', acabar o curso, e reflectir. Dizia o título: 'Vademecum'.

Latim para 'vai de Meco', supus então. E olha - eu lá fui.

domingo, 8 de novembro de 2009

O Voo do Corvo (Revisitação)

Diz que o corvo tem aquela obsessão estúpida pelo brilho de metais preciosos.



Não te preocupes, Robbie, isso está sempre a acontecer-me. Infelizmente não com a Michelle Hunziker, mas é uma constante. A... única vantagem que eu realmente distingo em relação a ti é que eu não me embaraço ainda mais cantando o 'Millenium'. Mas cada qual sabe de si.

Queixumes Lusitanos Traduzidos

Parece que não é só em Portugal... Ora leiam as queixas de Jeremy Clarkson:


Hum... Lá se vai a opção Reino Unido.

sábado, 7 de novembro de 2009

Nerd...

Não, hoje até me convidaram para sair à noite. Bom... sim - era alguém que me conhecia há pouco tempo.

Scollatura, Que Tortura

Ah, as professoresse do "Eredità"...

Apresentação de Carlo Conti na Rai. Um belo programa sobre a (anormalmente elevada, sobretudo nos temas 'clássicos') cultura geral dos italianos.

Também este blog, ou antes, o seu antecessor, começou com uma professoressa. Ah, a nostalgia.

Enfim. Esse blog mudou-se, as professoresse também. Há novas caras na 'squadra'. Direi que as que partem fizeram história, mas há talento promissor nas recém-chegadas.

Agora, parece-me claramente que o "Eridità" terá encalhado num problema de audiências. Ora constatem:





Ainda bem. Assim se aprende com gosto. À atenção do Ministério da Educação.

P.S.: O "Eredità" é um 'gameshow' que passa antes do Telejornal local. Donde essas acusações são descabidas, estamos entendidos?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Deriva Gourmet

Faz-me muito mais sentido a demissão de Pedro Barbosa e de Miguel Ribeiro Telles do que de Paulo Bento. Mas bom, o imediatismo é o que é, e Paulo Bento teve a dignidade de levar até ao fim a impressão de que estava a fazer - por algo grosseira e primária reacção da massa associativa - mais mal que bem ao clube.

Sou daqueles que o não culpa - pelo menos nunca em primeiro lugar. Foi uma pessoa honesta em tempos muito pouco honestos. Não tinha, como técnico, a criatividade que eu gostaria - mas conseguiu aproveitar jogadores do Sporting para além do seu valor, de forma incrível.


Mas não dá para jantar 'restos' toda a vida, diz a massa associativa. A ambição por um bom bife, um suculento peixe, não se engana eternamente. O apetite 'gourmet' trai todo o dever de gratidão a quem afastou o fantasma da fome macabra. Mesmo que esse apetite acabe em mais 'restos,' apenas cozinhados de outra forma por outra pessoa qualquer.

Como dizia aquele indivíduo que citava frouxamente o 'Gattopardo': "Às vezes é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma".

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Raios Partem

Estou positivamente chocado. E desta vez não me refiro a política, economia, desporto sequer. Não - foi mesmo um choque eléctrico no lombo.

Dica aos mais novos: não convém andarem a desapertar os invólucros - amíude de vidro - de lâmpadas exteriores com uma... faca. Diz que lá dentro basta um toque ligeiro no fio da lâmpada para vocês sentirem aquela formigagem que - depois de um micro-apagão - se faz parecer a um empurrão de um gajo chungoso. Bastante violento.

Não - oiçam o que vos digo: não se metam nisso, que é coisa de homens de barba rija, e estúpidos como coiros. E também de pseudo-intelectuais que andam aí a experimentar essa coisa da "vida" que falam nos livros e televisão.

Ah... mas com uma dor que nem vos passa pela cabeça - porque se fica pedantemente aí, pela cabeça - a latejar. O pico da carreira de uma dor, o sonho de menina-impressão-desagradável-mas-não-dor deve ser o dia em que dela dizem ser a dupla latejante & lancinante.

Levei um murro vazio de um inimigo invisível - e estou de rastos. Raios - não! - partam.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Anedota

Pergunto-te se ainda tens
Tempo
Para ouvir uma anedota.

Vai assim -
É de um idiota
Que de tudo desconfia,
Perdido num mundo
Que o traía.

Estranhou até um dia
A família
(Todos iguais),
Deixou a namorada
(Alguém a olhou demais),
Já não se fez à estrada,
Nem pessoa amparou -
Este pobre idiota
Em seu tempo se gastou.

E hoje já não tem tempo
Para ouvir sequer contar
Esta pobre anedota
Que havia de se tornar.

Pedro Oliveira

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Niente Pamela

Uma viagem a Roma. Diferente. Por Salvador Martinha.

Ma dove sta la Pamela Anderson...?



P.S.: Escusado chamar 'gorda' (solidariedade) à senhora que aparentemente o havia ajudado. Ainda assim, bom vídeo.

Reflect on Reflectivity

Bora lá tentar destrinçar de uma vez o conceito de Reflexividade de George Soros.



A seguir, estes 'lectures', via FT - aqui.

P.S.: Tá boa aquela da 'Physics envy', sim senhor. E, para mais, concordo.

Outsider Trading

Ocorre-me como no mundo das mulheres e das relações eu tenho sido sempre mais um 'outsider trader'. Raios. Bom - pelo menos parece que toda a gente perdeu valor.

I Feel Like Getting Some Tonight

Some Biology, some Evolutionary Biology. Da boa. Sem perdão - a noite inteira.



O objecto de amor já chegou - mas terá que esperar pelo cumprimento dos deveres académicos e profissionais. Quem não trabuca... não se educa.


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Lupus



Foto vencedora do prémio Veolia Environment Wildlife Photographer of the Year 2009, da autoria de José Luís Rodriguéz, retrato do lobo ibérico em pleno acto de caça.

Como disse Jim Brandenburg, membro do júri: "milhares de anos de História condensados num momento".

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Party Nostrum (The Ti Jakim Sessions)

Via daí começei a fazer um album de Dance Music. Quer dizer - apenas o título e nome das canções.

"Party Nostrum"

1. From The Ocean To The Sea
2. Left My Ghosts For The Spirit of Music
3. The Surface of Rythmn
4. Gods Who Do Not Run The Land
5. Global Warming (The Party Shall Come)

Hum? Não, foi só vinho tinto ao jantar, comme d'habitude.

Scende La Pioggia

É verdade... scende la pioggia - ognuno penso solo a se stesso.

domingo, 18 de outubro de 2009

Sunday, Moody Sunday

Foi isto que sucedeu: um domingo excessivamente... plácido, mergulhado na maresia emocional, com revisitações da infância... Foi um domingo muito fadista, com boa comida e divagações pelo Passado ao café.

Assim não dá. Eu bem ando a lutar contra o meu sentimentalismo (raios te partam, Eça!), mas a coisa ataca-me, por menos que eu queira.

Acabrunhado, a remoer o almoço, preso por fios de outros tempos, pus-me a beliscar a blogosfera, a ver o que havia por aí. Vai daí, não resisti a deixar-vos esta imagem. Porque me ri imenso, emergindo desse domingueiro marasmo. Está fantástica, sejamos honestos.

Eu sei, eu sei. Eu prometo, eu prometo. Mas é uma excepção. Em alturas de crise social devemos acolher as excepções. E uma vez que isso - ainda... - não inclui o meu envolvimento romântico com top-models deslumbrantes, pode bem incluir esta imagem.

P.S.: Era mesmo para a incluir no blog, mas no sítio onde estou a ligação está tão fraca que não dá. Possível que alguma força superior esteja a evitar que eu cometa uma blasfémia contra o estilo pristino e excelso deste blog?

sábado, 17 de outubro de 2009

Querido Diário - 44

Um bocado saturado disto. É que é sempre a mesma coisa. Sempre que os meus pais me vêem, dizem logo "Tás tão gordo... Olha para ti!". Que raio - a única pessoa na História a ter tido um físico perfeito deve ter sido a mulher do Newton, e foi porque só muito mais tarde é que o Einstein esclareceu a questão da velocidade da luz! Que raio!

Momentos - 3

O detective da Polícia Horácio Bastos, conhecido por..."Bastos", olhou novamente para o Sr. Silva e o seu depoimento. Ouvira já os vários relatos dos seus vizinhos. Nenhum compreendia como podia um homem que - supostamente - estava sempre em casa toda a noite, ter a voz afectada daquela maneira, como se a garganta tivesse sido exposta ao frio da rua.

Por que aragens inconfessadas andaria o Sr. Silva? De onde realmente viria aquela farfalheira? Era cada vez mais claro para Horácio Bastos, conhecido por "Bastos": estava perante mais um caso de enrouquecimento ilícito.

Para Um Estudo da Pseudo-Agressividade - 1

Como começou - nenhum ao certo saberá. Eu culpo-o a ele, claro. Certo é que o "avacalhar", o riso, a piadas de qualidade duvidosa, degeneraram fatalmente num registo de ameaças pseudo-agressivas. Assim como uma espécie de "capoeira" do confronto físico. Típico dos intervenientes, é só troca de palavras (o resto dá muita chatice).

Ameaças à integridade física trocadas no estudo para exames, na net, por telemóvel. Pseudo, perguntarão vocês? Sim, pseudo - pelo menos, ainda não nos agredímos, porquanto eu seja sportinguista, e ele benfiquista.

E dou comigo a pensar "isto pode ter interesse para as gerações futuras". Se o Pacheco Pereira recolhe material de eleições, eu também deveria preservar isto. Quem sabe se não pode vir a caracterizar este tempo, para um escritor que, no futuro, sobre ele pretenda escrever?

Pois bem. Começemos com o mais clássico:

#1: "Vê lá se queres levar na boca".

#2: "Deves andar muita cansadinho da vida que levas".

#3: "Tás assente nisso, chaval? Vê lá se estás assente nisso."

#4: "Chaval, para que saibas: o Bruce Lee, antes de eu lhe ensinar tudo chamava-se 'Bruce Gostaria de Ler, Se Faz Favor'. Mas quando saiu das lições, já era só 'Bruce Lee'."

#5: "Deves pensar que estás na tua aldeia, puto. Vês alguém a salgar toucinho? Vês alguém a regar a horta? Vês alguém a cortar eucaliptos? Pois não, puto - isto aqui é a Civilização."

#6: "Deves querer sentir o cheiro da gravilha."

#7: "Tens que comer muita sopinha."

#8: "És um avacalhador do caraças, tu."

#9: "Cala-te, pá!"

#10: "Ma'xapada!"

#11: "Vê lá se queres e não te alembras."

Definitivamente, pérolas da nossa vida cultural, inexplicavelmente ignoradas pela maioria do público. Não têm de quê, meus amigos, não têm de quê.

Àqueles outros que sintam, depois de insinuar que tenho tempo livre a mais, agressividade real - pseudifiquem-na.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Querido Diário - 43

Acabei de perceber que sou apenas um "old man with his dog" - mas nos seus vintes.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Safado...

Estou indignado - indignadíssimo! - com o vídeo em tom jocoso que Maitê Proença fez de Portugal. Inadmissível!



Há já algum tempo que eu suspeitava que algo assim podia acontecer, felizmente. Por isso mesmo, precavido, tenho andado a practicar doces sacanagens sobre os outros portugueses - para, justamente, ter agora algo de que me redimir. É esta a minha hora, portanto. Toca a mim ser o tribuno da Pátria! Donde, este grito plangente: isso não se faz, Maitê! Isso não se faz a Portugal!

Então os portugueses gostam tanto de si, então eu tenho tanta estima por si - e você faz uma coisa dessas? Temos os nossos defeitos, certamente, mas - vamos lá - temos que ter, entre povos, um pouco de... Qual é a palavra?


Exactamente - tolerância. Caramba, o quanto Portugal não a aprecia - o quanto eu não a aprecio! Face a esta ignomínia, a esta perfeita infâmia, julgo prudente que nos encontremos tão cedo quanto possível, num jantar, por exemplo - para discutir a questão. Levarei comigo algum do melhor vinho tinto que esta nação já produziu.

A sós, num saudável confronto de ideias e de bons pratos lusitanos, tentarei fazê-la perceber - lá para a sobremesa - o quanto, na realidade, um português como eu admira uma brasileira como você.

Poderemos então, se me permitir, chegar a uma conclusão pacífica de toda a polémica, apreciando as diferenças de cada um, e explorando a nossa complementaridade cultural. Um esforço diplomático, portanto.

Afinal, suponho ter sido o Kissinger a celebrizar, além da 'realpolitik' e da 'détente', esse outro termo, o 'make-up...' qualquer coisa (esqueci-me do resto), que penso traduzir o ameno regaço de Paz a que tanto me aprazaria conduzir este processo.



Não esqueça de ligar, Maitê. Temos a obrigação de - para o bem das relações internacionais - esclarecer este mal-entendido.

Ah, caros portugueses - o que eu não faço pelo meu país!!


domingo, 11 de outubro de 2009

Querido Diário - 42

Às vezes digo à minha mãe que ela está possuída por um espírito maligno. Nomeadamente - pelo Almeida.

O Almeida era um feliz guarda prisional, que se deliciava a implicar com os detidos do seu establecimento - não desdenhando o eventual correctivo, vulgo 'enxerto de porrada'. Por alguma razão que desconheço, faleceu.

Ainda menos sei porque ficou a sua alma penada entre nós. Sei apenas que escolheu a minha mãe para assumir forma humana, ocasionalmente. E, nessa altura, consegue transformar a cozinha numa cela de Guantánamo. Uma mesa desarrumada converte-se num arsenal eloquente, com plantas de alvos, com datas e sonetos de adeus à vida. Há gritos e provas do crime - impõe-se tortura!

Já um quarto desarrumado - a minha 'célula', entenda-se - é mais difícil de atingir. Mas o "Almeida" bem tenta pôr-me na ordem, com sistemáticas reprimendas a alto volume.

Vá lá que a minha mãe costuma reassumir o controlo da nave antes do terceiro 'waterboarding'. Senão eu tinha mesmo que sair da casa dos pais.

Querido Diário - 41

Hoje o Tio Arsénio veio visitar-nos outra vez. Ainda está naquela coisa da Junta de Freguesia. Parece que é bom naquilo, e as pessoas gostam dele, mas caiu em desgraça nestas eleições, porque rodou o partido - e está mais insuportável do que nunca.

Continuo sem perceber aquele seu espírito parvo-competitivo. Sempre a chatear-me com cotoveladas - quantas "gajas" é que isto, quantas "miúdas" é que aquilo... Só me faz lembrar o Dâmaso Salcede do Eça.

O Tio Arsénio, porém, não é inofensivo como seria o Dâmaso. Tenho um grande desconforto em apresentar-lhe uma namorada. Desde logo físico - não respeita o espaço mínimo de respiração numa conversa E, depois, naquele seu jeito sacana, coçando a barba e mostrando os pêlos, já me lixou com uma ex-. Ainda hoje tive que ouvir essa história outra vez...

O mais incrível é que o tio Arsénio tem 58 anos. Mas porque é que estes velhos vêm assim chatear os mais novos? Porque é que não se medem com outros velhos? Caramba. Que saudades do tempo em que a pessoas dessa idade nos referíamos por "o senhor..." e não com um "sacana do velho!".

O Regurgitar do Mal

Hoje escondi-te uma notícia -
Não queria que soubesses
De longínqua
Nova perícia
A esse ser que enlouquece,
Humano.

Hoje li, de terra estrangeira
O regurgitar do Mal,
E uma vida inteira
Não chega
Para te proteger,

No final
Serás quem deve esconder
De um velho enternecido
Novas de dor, e de morte,
Do destino de outra gente -
Outra prova
De que algum homem
Nunca quis não estar doente.

Pedro Oliveira

Querido Diário - 40

Aqui há dias, o bastonário dos advogados lá foi ao Gato Fedorento. Sei que és uma folha de papel - mas havias de ter visto. Que o homem até se portou bem, mas a certa altura começou a dizer que eram 'fedorentos' os funcionários, 'fedorentos' os advogados, 'fedorentos' os beltranos, 'fedorentos' os profissionais da Cerâmica, 'fedorentos' os estudantes de intercâmbio (hum... aí poderia ter alguma razão). A certa altura pensei que ele se ia virar para a câmara e dizer "'fedorento' este telespectador, Zé Júlio, a olhar para o ecrã neste momento. Sim, você!'.

Mas não, foi só um susto. 'Fedorento'! Realmente... Tou farto de lhes dizer que é uma condição clínica, nada mais. Fascistas de água de colónia, é o que te digo.

Reading List 8

"Amesterdão", de Ian McEwan


Ligeiro, fica-me deste livro dizer que se lê muito bem, até porque... é pouco extenso. Interessante, e principal motivação, diria, a história de dois melhores amigos, que ficam desavindos até ao limite, servindo como lembrete de quão complexas - e trágicas - se podem tornar as relações mais sólidas.

Li a edição em Português da Gradiva, e não o original, da figura.

Não é, muito longe disso, uma obra extraordinária, mas reitero: lê-se bem.

180 páginas em Português
Kilometragem em Português: 598 páginas.

sábado, 10 de outubro de 2009

As Árvores do Meu Jardim

As árvores do meu jardim
Não votam,
Sequer em mim.

Mas eu não as rego,
Não as trato,
Apenas lhes toco
Com o vento em suas copas,
Confundindo o céu.

Não sei
O que pensam de mim,
As árvores do meu jardim.

Sentirão a minha falta?
Fui algum dia
Necessidade,
Fui algum dia amor?

As árvores do meu jardim
Emprestam-me o seu esplendor
Silencioso.
Talvez me creiam orgulhoso,
Talvez eu não lhes queira confessar
A preguiça de ter que pensar
Nelas.

A minha mente flutua,
Muda como o vento que as faz brilhar
Ao sol;
Mente que só quer calor,
Luz que não precisa da dor
De se lembrar.

É uma mente que analisa
O que se passa em baixo,
Copa frondosa que estiliza
Milhares de folhas ao sol,
Que se esqueceu da raíz...
Do que faz, do que diz,
E apenas continua,
Bela, sintética,
Por clorofila hermética,
Sua reacção sagrada.

As árvores do meu jardim
Não sei o que pensam de mim,
E não perco muito sol a pensá-lo.

São como eu:
Copas frondosas e imóveis
Contentes por deixarem chão
Sem mais obra,
Sem mais esforço,
Sem mais preocupação.

Pedro Oliveira

Do Lado Errado

Acordei
Do lado errado da cama,
Do lado errado de quem se ama,
Não acordei sequer.

Desço
A vida e a manhã,
Na dúvida pouco sã
Do que houver.

É uma manhã qualquer:
Toca a acordar e não crer
Ter algo a dever,
Ter algo a esperar.

(Marchar...)

Acordei
Do lado errado de mim.
Errei,
Mas há manhãs assim,
Noites de que não terei
Descanso.

Pedro Oliveira

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Rude-Ney e a Vendetta

Diz Wayne Rooney que espera que Portugal não se qualifique para o Mundial de 2010 (aqui), porque eliminou a Inglaterra nas duas últimas competições internacionais. Não percebo tanto ódio. Afinal, se não fosse Portugal, a quem é que a Inglaterra adulteraria, em '66, a semi-final? Quem é que iria arrastar - ilegalmente - para Wembley?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Downshifting

Afinal estou - muito - mais acompanhado do que julgava...


E nem sabia ainda da palavra que dá nome à coisa: 'downshifting'. Mas não - é mesmo isso. Ficou.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Querido Diário - 39

Sabes, hoje dei comigo a pensar como é curiosa a evolução do romance ao longo dos tempos. Há apenas alguns anos, estava sempre a ouvir na rádio aquela canção, dos Xutos e Pontapés, que ia assim:

"Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
e não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

(...)"

E continuava, mas eu não me lembro de mais. Diz que aquele indivíduo da boina também a cantava, às tantas escreveu-a ele.

Mas não interessa à questão. E a questão - se bem te lembras - é a evolução do romance. Repara em como esta letra ainda me conseguia evoocar, nesse tempo, alguma coisa vagamente shakespeariana, meio adulterada para o nosso tempo-histórico/espaço-tuga. Ainda vislumbrava um Romeu - por exemplo o Romeu filho dos Montepio, a cortejar uma Julieta, da família dos Crato-Preto.

Hoje a coisa mudou bastante, e o romance à janela merece ser redescrito. É por isso que ofereço esta modesta contribuição, para a minha e futuras gerações:

Menina, estás na janela
confortavelmente nua
e eu só vou daqui embora
quando esta galeria tua

descarregar. Quase que sua
a tua pele na tela. E espero
que ninguém veja da rua
o meu PC com esta janela.



Os olhos requerem seios -
mesmo a 2 dimensões -
e vamos por links, alheios
às várias inclinações...

Menina, estás na janela
do Explorer, que eu vou fechar.
Nua és realmente bela
(se o Photoshop não me enganar).

Pedro Oliveira

E pronto. Como sempre na História, o romance inspira a poesia. E da boa.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Querido Diário - 38

Diz que as eleições aconteceram. Eu não te sei dizer com certeza porque o voto é secreto - e por isso ninguém me avisou.

Mas olha que aqui na aldeia pouca gente deve ter votado, porque ainda não está na altura do sobreiro dar boleta, quanto mais os tais de boletins.

De qualquer forma, também nunca soube da diferença entre os partidos: é como quando a avó dizia "raistapartissem" umas vezes, "raistabrazassem" noutras - eu sabia que havia ali uma diferença, mas nunca descobri bem qual era.

Paraíso Perdido

Saúda-se o regresso de "Paraíso Filmes", via RTP2. Concordo com Nuno Markl - embora ele seja suspeito - em dizer que foi subvalorizado quando surgiu.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Frozen The Rest

I'm not that good,
I'm not that bad,
I'm not that sure
I should be glad -
For if I love the best in me,
Frozen the rest,
What good can be?

Pedro Oliveira

Poesia, Esta Coisa Nossa - 1

Se tanto me dói que as coisas passem

Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem.

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004)