terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Most Valuable Nalga

Começo por dizer que é mais forte do que eu. Espero que apareça uma cura em breve, para não a tomar voluntariamente e a desgraça ser - lusitanamente - total.

Vamos a isto: parece que há um jogador de basketball turco que usa do nome "Cemal Nalga". Nalga, está escrito na camisola. É.



"E vai Nalga com a bola. Tenta driblar o adversário... Faz uma grande abertura para o companheiro. Recebe agora. A conseguir furar... Vai saltar para afundar - QUE GRANDE AFUNDANÇO DE [auto-censurado]!!!"

Eu... peço desculpa, tia Lucinda. Eu peço desculpa. Hoje foi um dia especialmente mau no escritório, os credores não nos pagam, é um stress constante. A senhora sabe que eu tentei ir pelo caminho dos justos, mas... a carne é fraca. Sobretudo a parte da... Eu não vou insistir mais, tia Lucinda. Eu não vou insistir mais.

A Louva-a-Deus

Insecto esticado,
De sexo feminino
Feia, a louva-a-Deus
Verde, e mentirosa,
De trato tão pouco fino
E de secreção viscosa.

Dizem dela comer machos
Depois de os satisfazer;
Estranhos gostos masculinos...
Que a louva-a-Deus é feia,
Feia de - sem mais - morrer.

Castiga as criaturas
Que pensem voar descansadas
E terá poucas alturas
Em que não mata, ou ludibria
Pensando nas crias chocadas
Louva-a-Deus, elas um dia.

Estranha é a Natureza
Que gera o feminino assim,
Que gera machos por presa,
Que despe Vénus de beleza,
E finge consentir a Vida -
Por um fim.

Existência primária,
Sem contemplação...
Pergunto-me:
Neste bicho
O que está a louvar a Deus,
Mais que o apêndice mimético
De uma mão...?

Pedro Oliveira

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Do Contra

Suponho, porquanto não tenha ainda qualquer confirmação nesse sentido, que Lady GaGa se vestiu de pessoa normal, nestes dias de Carnaval.

Poesia, Esta Coisa Nossa - 3

Poema em linha recta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos/Fernando Pessoa (1888-1935)

Há Sempre Alguém

Há sempre portugueses que nos envergonham. Há sempre quem trabalhe mais, quem se esforce mais, quem "aguente" em piores condições, com pior salário. Há sempre alguém que teve menos sorte ainda, e se revolta ainda menos - do que nós. Há sempre alguém que nos faz sentir "spoiled brats", miúdos mimados, idiotas - injustos.

Mas há também sempre alguém que continua a ofender a nossa inteligência, a ser gratuitamente arrogante, a usar de transgressiva snobeira (ainda pior, sem o revelar sequer...). Há sempre alguém que nos enche de ódio, e de revolta, que nos faz cismar sobre as injustiças que foram feitas, os abusos que foram consentidos. Ah, a maldição da mulher de Lot... Jamais olhar para trás...


É... Às vezes é o meu pai que tem razão, outras vezes sou eu. Mas há sempre alguém. Há sempre alguém.

1/2

Parece que este ano a Armani escolheu para representar a marca o Cristiano Ronaldo e a Megan Fox.

Pois é, srs. da Armani... Fácil de ver onde é que acertaram, não?


domingo, 14 de fevereiro de 2010

Don't Step in That Huge Pile of Leadership

Algo que me irrita particularmente quando assisto às Quadratura do Círculo é ouvir António Costa, aproveitando a forma ideologicamente amorfa do PSD, dizer que a divisão "esquerda/direita" é uma coisa do passado. Traduzindo: não sendo o PSD nada de diferente do PS, para quê mudar de partido? É a mensagem do "são todos iguais", ajudada pelos próprios neste caso, e que quer dizer também, na verdade "somos todos iguais... desde que estejamos nós no poder". A inércia que pretende inculcar é toda em benefício próprio.

É um pouco como um chefe idiota, sem categoria para mandar, que diz que tudo está bem, e que, na verdade, todos os sítios têm problemas - desde que ele, evidentemente, continue ele a ser chefe, e a ser mais bem pago.

Yap. Pure Dilbert.

Dilbert.com

Dilbert.com

Dilbert.com

sábado, 13 de fevereiro de 2010

A Pulga Governando o Cão

Nele se incrusta
Falando de necessária
"Coabitação",
E de quanto a si lhe custa...
(Oh!...)
Parasitar um cão.

Pulga que corre e monta,
Como se não soubera;
Com voz doce-tonta
Jamais desespera,
Sentada, tranquila
Numa ilusão -
Cuidado: um cão de fila
Nem é só um cão.

Suga e convida
O cão a mais caçar
Pela alegria
De juntos estar!
(Uau!)

Perdeu o sentido
Já à proporção,
Não teme castigos,
Nem tem religião,
E só passado o tempo
Aprende a lição:

Há sempre
Mais pueris pulgas
Que um bravo cão.

Pedro Oliveira

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Jakim! Revisited

Isto tudo para dizer que não há dúvida que o panorama económico para Portugal é, sendo simpáticos, dúbio - mas o problema, ao contrário do pânico artificialmente criado, poderá bem vir de Espanha - mais depressa ainda que de fonte doméstica.

É a segunda vez que eu chamo a atenção para o "pecado" que mora ao lado. Parece indencente os decisores políticos deste país que lêm este blog não acordarem para a vida. Opois queixem-se.

Ah, hum... e acções de empresas portuguesas com grande implantação em Espanha... talvez seja boa altura para vender, assim que a bolsa portuguesa recupere. Digo eu, que embora tenha biblioteca, realmente pouco sei de Finanças.

Jakim! II

Se eu soubesse alguma coisa de Economia explicar-vos-ia em detalhe a importância do valor da Balança de Pagamentos como percentagem do PIB. Como não sei, vou deixar-vos apenas com um "Jakim!".

Hum? Krugman. Yap.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Jakim! I

À atenção do Jaquim (jakim!) Almunia: aqui.

I Got a Feeling

Ei! Ei! Aqui. Ohh! Aqui, pá.

Só para dizer, antes que algo mais suceda após os "empurrões" com o Jorge Baptista, que eu também tenho um "feeling", há algum tempo, acerca da campanha da selecção nacional na África do Sul.

E não é dos bons, é daqueles que não dá para fazer publicidade a bancos. Acontece que eu já acertei antes, se alguém se recordar.

Hum. Talvez haja alguma outra canção dos BEP com um título mais adequado às expectativas que devemos ter...


Querida do Coração

Chamas-te
"Querida do coração",
Mesmo se o meu coração
Não gostar tanto de ti,
Ou de mim, neste momento.

Querida... por uma certa paixão,
Sim, por um... tormento volátil
A que acudi.
Eu soube já escusar-me à tentação
(Juro que soube)
Numa lição que já esqueci.

Poses, faces, exploração...
Ah, se não é paixão, só necessidade,
Não havendo Amor, se há só vontade,
Escrevo uma cerimónia íntima
De separação,
E não incluo -
Mais do que nesta última rima -
De novo, o meu coração.

Pedro Oliveira

Poesia, Esta Coisa Nossa - 2


Poema da malta das naus


Lancei ao mar um madeiro,

espetei-lhe um pau e um lençol.

Com palpite marinheiro

medi a altura do sol.


Deu-me o vento de feição,

levou-me ao cabo do mundo.

Pelote de vagabundo,

rebotalho de gibão.


Dormi no dorso das vagas,

pasmei na orla das praias,

arreneguei, roguei pragas,

mordi peloiros e zagaias.


Chamusquei o pêlo hirsuto,

tive o corpo em chagas vivas,

estalaram-me as gengivas,

apodreci de escorbuto.


Com a mão direita benzi-me,

com a direita esganei.

Mil vezes no chão, bati-me,

outras mil me levantei.


Meu riso de dentes podres

ecoou nas sete partidas.

Fundei cidades e vidas,

rompi as arcas e os odres.


Tremi no escuro da selva,

alambique de suores.

Estendi na areia e na relva

mulheres de todas as cores.


Moldei as chaves do mundo

a que outros chamaram seu,

mas quem mergulhou no fundo

Do sonho, esse, fui eu.


O meu sabor é diferente.

Provo-me e saibo-me a sal.

Não se nasce impunemente

nas praias de Portugal.


António Gedeão (1906-1997)