quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ar Condicionado

À crueldade condicionada
Do ar -
Superfícies de plástico,
Olhares de plástico
E a verdade também -
Num instante de dúvida,
Vertiginoso numa maldição.

À crueldade
Do ar condicionado
Falta a maior razão,
Falta a comparação,
Falta o justo, faltam as linhas
De uma redenção.

A crueldade condicionada
Tem só um plano
Guardado em silente refrão.

...

Assustaste-me enquanto pensava.

Acordaste esta noite
De súbito,
Voz entre o escuro
E não tinhas razão,
Mas a culpa que murmuro
É mais forte -
Ser quem sou
É a tentação a que resisto.

Existo
Esperando somente,
Criticando a gente,
Castigando a mim
(Eles convenceram-me
- Como tu -
Que havia de ser assim).

Tu só procuras o ar fresco
De quem nunca navegou -
Quem sabe o quanto respirou,
Não condiciona nenhum ar -
E de nenhum... tem que escapar.

Pedro Oliveira

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Não Vos Cheira a Intelectual?

Súbito, lembro-me de fechar os vidros do carro. Algumas pessoas estavam a olhar. Estava a ouvir música clássica pelo subúrbio taciturno fora - e não me tinha apercebido.

"- Malta - não vos cheira a intelectual?!"

"- Não pá, era só um asdrúbal a ouvir a abertura em BWV de Mozart para violino... Que tristeza... Vê lá se um dia conheces um senhor chamado Bach, parvalhão! Aquela gente do bairro Sul ouve sempre a mesma coisa."

terça-feira, 28 de julho de 2009

Não Tejas Medo

Filha de Um Deus Errado

Filha de um deus errado,
Que me tens por enganado,
Que sorris sem o cuidado
De dor que virá -
Sabe:
O meu deus nunca esquece
O passado que esquecerás.

Filha de um plano subtil
Que aos outros controlas
Por os saberes presos
A seus sentimentos,
Cruel cálculo esse -
Mas vil é teu deus,
Vis os seus ensinamentos.

Espalhas silêncio, espalhas doçura
Por liberdade
Que os demais enclausura,
Vai pelo teu caminho - a ninguém confessado -
E tem cuidado
Não voltes tão cedo
A este degredo,
Não voltes sincera,
Que um outro deus...
Preso a si mesmo
Te espera.

Pedro Oliveira

sábado, 25 de julho de 2009

É a Vida, Estúpidos!

De novo perdido no caso do enésimo sujeito que não muda, que não quer mudar, que continua com o mesmo veneno sob a enjoativa doçura.

Difícil de explicar, esta minha desconfiança - aborrecimento - de quem já viu 'porcos a voar' para com tal pequena ofensa - persistente - à inteligência. Give me a break.

Cansa a ignorância. Cansa a pequena maldade. Cansa sempre. Apetece ser enfim erimita. Algum dia me prometi isso.

Felizmente, eu sei sempre que tal pessoa, tais pessoas - vão perder. Há sempre coisas que nos desarmam, e revelam. E que glorificam ou amaldiçoam a nossa postura.

Há sempre coisas que nos fazem vir lágrimas aos olhos, por mais que dizê-lo pareça dar uma arma a alguém contra nós. Mas nunca é - se nós soubermos ser mais espertos. Se eles continuarem a pensar sermos nós, deste lado, os ignorantes.



Lindo. Enquanto houver seres humanos - forever.

Hei - é a vida, estúpidos.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Do Ateísmo

E o prémio de 'é-mesmo-isto-um-dia-estarei-ali' vai para Nilton: "Clube? Não tenho clube - eu gosto mesmo de futebol".

Bang on target. A cada dia estou mais próximo de assinar por baixo.

"- Acho Que Este Ano São Vocês..." "- Temos Pena"

Estava farto de dizer aos benfiquistas como achava que o Benfica, este ano, seria claramente campeão nacional. Que o Jesus tinha a... falta de contemplação, e 'filosofia' adequada a estes tempos, mais... 'cá da terra', realista, agressiva até.

Farto de lhes relembrar as minhas lutas com - tantos! - que idolatravam Luisão, quando eu sempre defendi que era um sofrível defesa-central, mau na dinâmica da equipa. Ah - e quando me tentavam também convencer da qualidade de Yebda - nada o meu perfil de trinco. E quando eu os tentava convencer - tantos! - de que Cardozo era, é, um bom jogador, um grande avançado. Que não deviam desistir de Di Maria, como os via fazer. E, claro, que Coentrão podia dar que falar, e que me 'roía' o Sporting ter deixado escapar assim esse raro jogador talentoso que, adolescente, era... sportinguista.

Junte-se a isso o reforço - ideal - que é Saviola para complementar Carodozo em tudo o que falta a este, e um reforço credenciado como Ramires para a posição necessitadíssima de trinco - e tudo parecia ir a favor deste Benfica esta época.

Estou bem mais suspeitoso agora, à medida que o clube segue o arcaico vício de acumular jogadores (já nem vou falar da enésima época em que gasta mais em reforços que o Sporting). Seguem-se mais avançados - para onde? O concreto mistura-se novamente com o difuso.

Enfim. Quem sabe, o Benfica acabe mesmo por arranjar outros motivos para conseguir chegar a este campeonato.



P.S.: Freakish...! Sei que não vão acreditar, mas só li este outro post depois de ter publicado este aqui. The web works in misterious ways...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Bom Trabalho

Ponto contra ponto. Aqui.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Neurexame

Porque é que um exame vindouro altera o nosso comportamento no tempo que o precede? E não é pouco. Hum? Quem é que disse Freud? Não vão por aí.

Não, falo do mau-humor puro. E, sendo o exame difícil, e o desespero cumulativo, surge o bode-expiatorismo. Basicamente, a culpa é sempre de alguém que não nós mesmos. Eu, geralmente, fico-me pelo 'sistema'. Yap - sportinguista, é verdade.

O problema - camaradas anarquistas - está no sistema. Infelizmente, porém, por vezes o 'chimpanzé interior' é tão estúpido que já não culpa nenhum sistema - culpa pessoas. Entra o Tony Soprano cá da gente, o nosso Bernardo Provenzano... zito. Na verdade, se formos a ver bem, a 'culpa' é daquele vizinho que faz barulho obscenamente, ou é daquele indivíduo que não retribui com suficentes 'obrigados', que não nos tirou o café 'como deve ser', ou que não respondeu ao nosso SMS. 'Aquele f-d-p não me disse boa tarde - é o limite. Agora é uma questão de honra. Kaaameeennn-aaaamm...'

É. Acho extraordinário a quantidade de culpados que é possível arranjar. É a prova de um grande potencial criativo - mal empregue, não há dúvida. O mau-humor, o desespero agendado, é uma pasta seca que se vai acumulando, a alma desidrata com os dias, até restar apenas pó - pó onde mergulha o caprichoso algodão branco a prima donna que nos tornámos, essa Castafiore em nós.

O problema de um exame, se não nos atrasar tanto a vida (e costuma atrasar) é o da letra omissa - do 'v' que o torna 'vexame'. E nós já andamos 'nisto' há tempo suficiente para saber que - muito provavelmente - ninguém vai fazer a nossa biografia, e escrutinar um a um os exames que deixamos no nosso lastro biográfico.

Muito... provavelmente. Talvez - quem sabe - ainda haja uma minuta esperança de que marquemos a História, e façam a nossa biografia. Talvez então consigam explicar como convivem, assim, na mente, um chimpanzé, um mafioso, e uma prima donna.

Devem ser tertúlias interessantes.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Playboy Intelectual

Uma das coisas que me intriga como farmacêutico é as pessoas só pensarem no meu... capital de conhecimento (ia escrever 'corpo' - fui a tempo), em termos de Farmácia. Quer dizer, eu acho a 'Maria Farmácia' uma miúda gira, simpática e tudo mais - mas eu não consigo deixar de olhar para as outras, para a 'Margarida História', para a 'Mariana Ciência', mesmo para as caprichosas 'Filipa Política', 'Cláudia Informática' e 'Carolina Finança'. Adoro-as a todas. A todas.

Por isso, detesto que as pessoas me queiram 'casar' com a 'Maria Farmácia'. A 'coisa' é divertida para os dois - mas eu sou promíscuo demais para isso. É mais... uma coisa de 'curtes' para cada lado, de diversão. Quem sabe - um dia acaba, e cada um segue o seu caminho.

Enfim. O meu problema é a curiosidade, meus amigos. Como disse um dia o Miguel Esteves Cardoso (MEC) 'o meu problema é ter uma curiosidade de p***'. Eu não diria tanto - porque ainda me apego aos meus pudores e estou longe - longe - do... Nirvana intelectual de um MEC. Assim, adapto a coisa ao meu estilo e digo que essa curiosidade faz de mim um 'playboy intelectual'.

Ah, e incorrigível, para mais. É que espero ser assim playboy toda a vida.

terça-feira, 14 de julho de 2009

Boy... Genius?

Diz a Morgan Stanley que este relatório - de um puto de 15 anos - é um trabalho de génio. Hum... tem algum mérito, é certo, é uma boa análise de mercado para o 'mundo dos adultos'. Um bom e lúcido 'duche de verdade' para os ouvidos emburrecidos pelo barulho do marketing. Mas também, meus amigos - se isto é o brilhantismo aos 15... 'don't know what all the fuss is about'.

Upcoming

Os filmes que quero ver? Pois bem, este, pela história (huh... a sério, 'letluque-attatraila' antes de me julgarem por esta - interessante - imagem abaixo):



E este, naturalmente, por me ser especialmente querido o tema. Embora, convenhamos, geralmente a expectativa deste género redunde numa desilusão.


Naked Pharmacist

Hum... espero que esta ideia não chegue ao meu local de trabalho. Quer dizer, eu já uso calções - mas fico por aí.

Tabu-Testa-de-Ferro

Era Filomena Cautela a apresentar o programa, Solange F. convidada. E eu, tendo-me demorado pouco tempo, não consigo deixar de semi-sorrir e perguntar-me a mim mesmo como pode a nossa geração ser tão cega?

Digo, em relação aos tabus sexuais. Será que a nossa geração não aceita que não existem mais esses tabus? Certamente que não da forma em que os havia durante o salazarismo. E portanto toda a insistência, toda a verborreia, toda a bulimia de referências sexuais é... o pequeno-tabu que resta - porque nos outros não se tocam.

Que outros? Boa pergunta. Curiosamente, não de cariz sexual. Hoje os nossos tabus não são sexuais. Mas eles estão lá - por baixo do tapete - e ninguém lhes quer tocar. Por isso a exploração da fronteira sexual é só... maquilhagem, um engano para a pulsão. É um tabu-testa-de-ferro, que protege os outros.

Que outros, perguntavas? Bom - eu disse que era boa a pergunta.

Quem Sabe

Que descanse em paz, mas em nome da verdade devo dizer que nunca gostei particularmente das músicas de Michael Jackson (talvez a excepção seja 'The Don't Care About Us').

Rei da Pop, dizem eles. Mas não é... o meu som, nunca foi. E não é por isso que temo reconhecer qualquer dos seus outros méritos. Reconheço-lhe o esforço de 'giving a damn', e talvez, embrulhada na sua imperscrutável personalidade, uma certa... humildade, sem o pedantismo de outras estrelas de menor registo.

Ainda assim, tenho para mim que a verdade é em si mesma uma homenagem. E Michael Jackson não era o meu som.

Se devem mesmo saber, mais por aqui:


Origens

Homenagem à Língua Portuguesa - antes, no princípio, no elemento em que está gravada.

sábado, 11 de julho de 2009

Beautiful Complexity


Intuía a falha, mas só agora vi Mulholland Drive. Fácil de reconhecer a obra-prima, porém. E não mais usarei a palavra 'fácil'. Eis um filme do qual é possível escrever tantos ensaios diferentes. Talvez seja essa a intenção de David Lynch, afinal.


A mistura inebriante de beleza feminina, o jogo de papéis, distraem por um momento - parece que Lynch se debruça sobre a complexidade da beleza. Quando o seu verdadeiro tema é, creio até que 'como por toda a sua obra', a beleza da complexidade.


Em retrospectiva, é difícil de perceber a carreira... relativamente modesta de Naomi Watts (com a excepção de '21 Gramas'). Mas é Hollywood, suponho - nos seus estranhos caminhos.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Guarda Só a Latitude

Planícies verdes em meus sonhos,
Em sonhos de sonhos
De sonos alheios,
À realidade dos meios
(Sonhos são apenas fins).

Viajo,
Rio, falo, conheço -
Conquisto,
Vejo-me onde teria visto
Outra sorte,
E será o sonho tão forte
Para continuar
A sonhar?

E o que perco, afinal
Se deixar de acordar -
Um dia?
Se deixar de sobreviver
À minha estranha alegria,
Ao controlo
De uma ilha num universo -
Sou prisioneiro disperso...

Cinzentos fumos
Pó, nojo inquinado -
Duro até só confessado,
Ira de um deus enganado.
E os sonhos são sempre limpos,
São sempre justos,
São sempre previsíveis.

Sonhos de paz -
Em vida de sono ligeiro
A cada manhã,
Vida adiada
Noite mal convencida,
Hora de uma razão vã.
Amanhã?

Coragem.
Quantos metros
A coxear -
Respirar a aragem
De acordar
Num sonho pela madrugada?

A estrada
Espera pela decisão -
Não a seguir será morrer
Fecundo de hesitação
E de vida sem o momento
Da nossa clamação.

Vai em paz -
A tua pátria não te salva,
Não te mata,
E não esperes que ela mude.
Se fores capaz,
Esquece os olhares
Vai em paz,
Guarda só a latitude.

Pedro Oliveira

Brincando Com Seus Espectros I

Altura de polir o 'biblio' no título deste blog.


You Know Lots

#1. Sabes muito, ó Paul. Tu sabes muito.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Garantidamente Possível

Os meus argumentos: 'é garantido que pode resultar', e 'é 100% possível'.

Há dias em que eu podia ser um testemunha de Jeová.

Pretty... Difficult

Esta senhora vem contestar a teoria vigente acerca da selecção sexual, que creio usada um pouco como 'muleta' do darwinismo mais puro. Em termos simples, a seleccção sexual entre espécies ajuda a explicar parte do que escapa ao âmbito da selecção natural.

Não serei facilmente convencido... Mas vale a pena ouvir (face ao curto excerto, mais tarde esperar ler) os seus argumentos.

Laptop Freudiano

Na verdade, eu queria escrever que ia fazer o 'horário da manhã', mas saiu 'horário da manha', no MSN.

Fugiu-me o teclado para a verdade.

Gene(io)

Curiosamente, dos três grandes reforços do Real Madrid, teve menor assistência aquele que mais me impressiona: Benzema mereceu 15 mil adeptos - somente.

Mas há ali algum... gene Zidane, definitivamente. Não - este Madrid 'Floren-team' é muito mais consistente que o anterior. Se galáctico, só o tempo o dirá.

P.S.: A ver se se recordam da 'lição Makelele'.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O Medievalismo Português

Estou ainda, por estes dias, a terminar o meu curso. É certo que já o poderia ter feito antes, mas também é certo que estou 'on schedule' face ao previsto quando começei: 6 anos.

Agora, reparo como para várias pessoas o facto de não ter acabado o curso é um atestado de uma certa... impotência intelectual. '- Então isso já está acabado ou não?' '- Já devias era ter acabado isso'. Como se o patamar intelectual fosse esse, o de acabar um curso superior.

É certo que isso (os comentários, primeiro que o facto de não ter terminado) me chateia profundamente, mas a questão mais interessante, subjacente, está num certo... Medievalismo Português que tal postura comprova. Repare-se nesta pérola: a ninguém, ou practicamente ninguém, interessa que eu consiga ler, e expressar-me melhor ou pior em Inglês, Francês, Espanhol, Italiano, e residualmente em Alemão. Acreditem - a ninguém. Se - se! - não tiver o curso superior concluído... (a não ser que eu viva mergulhado numa conspiração de desatenção e pequena inveja - e em tanto não creio, por mais que gostasse de ser um Mozart ignorado).

Até lá, até esse Evereste intelectual estar conquistado, eu, por mais cultura que tenha agremiado, por mais temas que saiba tratar, por mais curiosidade intelectual que tenha, sou pouco mais que um adolescente de Chelas que abandonou o secundário. E, como tal, nenhum respeito mereço.

Não é que eu precise desse respeito... dispenso-o totalmente. Se bem ache ridícula alguma pretensa superioridade nessa 'Inquisição do Canudo' a pessoas que nunca se esforçaram nesse sentido, ou que não têm a mínima realização intelectual para as legitimar.

Mas o respeito, claro, é a segunda moeda cá do burgo, e se o outro indivíduo ao lado for 'Dr.', mesmo se ignorante, ou (mais comum ) avaro/pedante intelectual, eu é que sou o 'underdog', por melhor que possa ser em relação a ele.

Hei - isto aqui é Portugal. Aqui vive-se de estratos, de concepções e de expectativas. Talvez se eu procurar bem, por entre o trabalho de um José Mattoso, por exemplo, ache uma explicação.

E tento ainda vasculhar a memória: serei de alguma forma beneficiado por esse paradigma medieval que tão vilmente aqui critico? Mas não estou a ver. Não, julgo mesmo que não.

Que querem? Eu continuo a dizer o mesmo, embora saiba como ninguém gosta de ouvir isto: eu não sou um 'underachiever', um estouvado, ou burróide, por não ter o curso acabado. Da mesma forma que não serei um génio por o ter feito. O critério de julgamento está completamente errado. Não é assim que se formam pessoas com ambição pela excelência, ou criativas o suficiente para conseguirem fazer algo de verdadeiramente novo.

Genial mesmo era este país acordar para a vida. Quem sabe - podemos sempre esperar alguma espécie de Renascença, depois deste Medievalismo.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Chá de Limão

Às vezes dou comigo pensar se podia ser algo que não um mero farmacêutico.


É nessas alturas que gosto de beber um cházinho de limão e saber como vão 'as políticas'. A ver se 'os gajos' se decidem 'a andar com isto prá frente'.

Go With The Flow

Uma necessária dedicatória (wooooaahhhh... calma aí! já explico a imagem) à saia das tenistas ao longo dos tempos. Aqui.

A imagem, pois. Trata-se de um dos mais famosos posters de sempre, e nessa qualidade foi incluído neste blog. Dúvidas (não - José Vilhena és tu)? Aos incréus, ler na BBC. Obrigado.

Se eu a incluiria se não fosse uma foto famosa...? Ah, acho que não vou resp... Espera. Sim.

Nebulosa

A Nebulosa* do Cisne. Imagem captada pelo European Southern Observatory em La Silla, Chile.

*nuvem de hidrogénio, hélio e plasma que amiúde origina estrelas.

A Crise - Estatística Isenta de Economês

Eis a crise, no mundo real. Além das notícias 'sistémicas', em economês, vagas, anónimas, abutres sem que se saibam as vítimas.

Eis a estatística do todo em que a crise se apresenta: aumento da mortalidade por ataque cardíaco, suicídio, homicídio, abuso de álccol (intriga-me a categoria 'falls'). No FT - ou, para vocês, aqui.

Nem tudo é mau porém: note-se a menor mortalidade por acidentes de carro. A adrenalina, em depressão, simplesmente não é a mesma. Sabendo do registo abominável que nós, portugueses, temos a conduzir, eis um dado que acrescenta um infenitésimo ao nosso outro registo, como como acabei de comprovar: o de conseguir encontrar vantagens em practicamente qualquer situação.

Apimentar

Aplausos para a 'boa onda' e desassambro de Benedita Pereira. A desfazer uma certa impressão de 'stiff upper lip', e a demostrar - com graça (em mais do que um sentido) - como se pode ser... saudavelmente normal, mas não 'vulgar', no sentido anglo-saxónico.

Onde? Aqui.

P.S.: A ter em alguma conta o '5 Para a Meia-Noite'. Rotatividade e juventude são... um bom princípio.

Férias-Ångström

E descrevia a alguém a minha escapadela da urbe, sábado à noite, para voltar na segunda de manhã, como 'férias'.

'- Mini-férias', dizia eu. '- Espera: micro-férias. Nano-férias...'

Riamo-nos ('nerd humor...'). Continuei: '- Pico-férias! Como é que era aquela medida dos átomos? Ångström! Férias-ångström.'

Resposta do outro lado: '- Eh pah, também não exageres. Isso é uma pausa para café.'

sexta-feira, 3 de julho de 2009

DJ Zé Júlio II

I See Girls. Eis o resumo da minha vida ao balcão, no período estival.


Tinha Que Ser

Vai daí peguei na bicicleta e fui para o trabalho. Pais delirantes porque não tenho luz na bicicleta, para voltar às 22h da noite, mas a mente estava carregada demais. Tinha que ser.

E foi. Sentido o afago turbulento de camiões e autocarros a passarem por mim. E basta um tubo cortado no passeio, um desvio, uma vertigem imperceptível.

Mas tinha que ser. E quando tem que ser, é - foi.

Cheguei ao emprego, deixei a bicicleta junto à porta, com cadeado. O dia até corre bem (costuma correr se pudermos fazer algum desporto, útil ainda por cima). Ao sair, porém, não encontrava a chave do cadeado. Por uma razão simples, afinal, - não a tinha.

Vai daí, deixo a bicicleta no trabalho. Salvo pela simpatia e voluntarismo de um colega que vive na mesma zona e me deixou à porta de casa. Uff.

E seria difícil voltar às 22h para casa, de noite, sem luz da frente, nem conhecendo bem o caminho - e quem ande de bicicleta por caminhos de carros sabe que tem que se conhecer cada centímetro...

É assim. Saindo de casa em rebeldia, constrangedor no meio do trânsito, suado da cabeça aos pés ao chegar ao trabalho, urso por sair finalmente... para lado nenhum, com a bicicleta bloqueada, maçador e em dívida para um colega, que teve a simpatia de me levar àquela hora.

Mas que querem vocês? Tinha que ser.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

DJ Zé Júlio

Horário tardio - a acabar às 22h. Mas é assim esta 'bida' - dia e noite.


A Idade do Chang

Vai daí, tenho que, na minha linha de profissão - vender. Ah? Pois é. Crua realidade dos factos. E eis, de súbito, uma certa individualidade e perfil irremediavelmente comprometidos. Uma pequena fidalguia pelo cano abaixo. A partir de agora sou apenas mais um chinês, numa loja chinesa, entre milhares de lojas chinesas e de chineses.

Sou um Chang, afinal. Chamem-me Chang-tlinta-eulos-bligado.

Raios. Não havia um Bruce Lee disponível?

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Um Jogador a 360º

A propósito de Ronaldo, houve uma impressão que me ficou da final da Champions, e que eu queria patentear. E olha - pode ser já aqui.

Reparem neste facto quanto a Ronaldo: não há uma única vez em que ele não reaja ao seu lance. Tem uma expressão para um chute próximo da baliza, um sprint não conseguido - tem uma... cénica de dor, e de alegria. Como se estivesse num palco. Todos os jogadores reagem, é certo, mas em Ronaldo, o ênfase - e mesmo uma certa falta de naturalidade - fazem com que pareça estar ele a saber-se visto. Como se ele quisesse 'ser' para o telespectador.

Ronaldo é de uma geração inundada pela televisão, e narcísica quanto ao seu reflexo nela. Também chama à atenção pela sua teatralidade, no 'show' televisivo que é o futebol, e conquista com essa teatralidade outros públicos (juvenil, feminino, ainda considerando o jogo como seguido eminentemente por homens). Tem uma cara que sabe o espectador dizer 'eh, eh, ficou mesmo chateado por não conseguir apanhar aquela bola', ou 'este gajo vive mesmo o jogo - repara como ele ficou com as mãos na cara por a bola ir ligeiramente ao lado'.

Há todo um artificialismo, que é excelente para o marketing, e para aquilo que é o futebol nestes tempos. E que, em última análise, construiu também grande parte do seu valor. Que, continuo a dizer, mesmo admitindo que mereceu o que ganhou, não tem por detrás um talento futebolístico excecional - mais bem qualidades atléticas ímpares, e muito - muito - trabalho e preserverança.

Eis o meu problema, porém, e ainda - é que eu gosto de futebol por não ter que ver com trabalho. Por ser injusto e filosófico nesse aspecto. Basta reparar como, simplesmente, não teve nunca a mesma implantação nos E.U.A.. O jogo é profundamente anti-americano no sentido em que quem trabalhar mais, e se esforçar mais, muitas vezes não ganha. Carece de lineridade.

Ronaldo veio confundir essa linearidade, mas tem agora a sua prova de fogo no Madrid. Um conselho porém: é melhor deixar de querer ser um 'jogador a 360º', na melhor escola narcísica de David Beckham, e preocupar-se somente em jogar e ter prazer em jogar. Talvez Kaká o ajude a encontrrar esse sentido.

Poker

Por mais que eu continue a ser fiel ao Barça, reconheço que é entusiasmante o poker que o Real Madrid anda a jogar: em tempo de crise económica, a antecipar-se aos demais, a criar uma super-equipa, desta vez... mais concadenada que a anterior 'galáctica'. Afinal, um Ronaldo num extremo, um Kaká no meio, um Benzema no ataque... Mais inteligente, sem dúvida.

Parece que Florentino já não compra só pelo nome primeiro - situação que lhe valeu uma marocefalia atacante (Beckam, Zidane, Ronaldo, Owen, Baptista, Robinho). Mas... se voltar a desmerecer um Makelele, e a pensar que 'Pavones' bastam para esse trabalho de segunda água que é a defesa, então é melhor ir-se abastecendo de anti-ácidos.

No Stress, Manel Jaquim. No Stress.

Ok. Muita coisa ao mesmo tempo - mas vai dar. Como costumava dizer o Ti Júlio do Arneiro: 'No Stress'.