A propósito de Ronaldo, houve uma impressão que me ficou da final da Champions, e que eu queria patentear. E olha - pode ser já aqui.
Reparem neste facto quanto a Ronaldo: não há uma única vez em que ele não reaja ao seu lance. Tem uma expressão para um chute próximo da baliza, um sprint não conseguido - tem uma... cénica de dor, e de alegria. Como se estivesse num palco. Todos os jogadores reagem, é certo, mas em Ronaldo, o ênfase - e mesmo uma certa falta de naturalidade - fazem com que pareça estar ele a saber-se visto. Como se ele quisesse 'ser' para o telespectador.
Ronaldo é de uma geração inundada pela televisão, e narcísica quanto ao seu reflexo nela. Também chama à atenção pela sua teatralidade, no 'show' televisivo que é o futebol, e conquista com essa teatralidade outros públicos (juvenil, feminino, ainda considerando o jogo como seguido eminentemente por homens). Tem uma cara que sabe o espectador dizer 'eh, eh, ficou mesmo chateado por não conseguir apanhar aquela bola', ou 'este gajo vive mesmo o jogo - repara como ele ficou com as mãos na cara por a bola ir ligeiramente ao lado'.
Há todo um artificialismo, que é excelente para o marketing, e para aquilo que é o futebol nestes tempos. E que, em última análise, construiu também grande parte do seu valor. Que, continuo a dizer, mesmo admitindo que mereceu o que ganhou, não tem por detrás um talento futebolístico excecional - mais bem qualidades atléticas ímpares, e muito - muito - trabalho e preserverança.
Eis o meu problema, porém, e ainda - é que eu gosto de futebol por não ter que ver com trabalho. Por ser injusto e filosófico nesse aspecto. Basta reparar como, simplesmente, não teve nunca a mesma implantação nos E.U.A.. O jogo é profundamente anti-americano no sentido em que quem trabalhar mais, e se esforçar mais, muitas vezes não ganha. Carece de lineridade.
Ronaldo veio confundir essa linearidade, mas tem agora a sua prova de fogo no Madrid. Um conselho porém: é melhor deixar de querer ser um 'jogador a 360º', na melhor escola narcísica de David Beckham, e preocupar-se somente em jogar e ter prazer em jogar. Talvez Kaká o ajude a encontrrar esse sentido.
Reparem neste facto quanto a Ronaldo: não há uma única vez em que ele não reaja ao seu lance. Tem uma expressão para um chute próximo da baliza, um sprint não conseguido - tem uma... cénica de dor, e de alegria. Como se estivesse num palco. Todos os jogadores reagem, é certo, mas em Ronaldo, o ênfase - e mesmo uma certa falta de naturalidade - fazem com que pareça estar ele a saber-se visto. Como se ele quisesse 'ser' para o telespectador.
Ronaldo é de uma geração inundada pela televisão, e narcísica quanto ao seu reflexo nela. Também chama à atenção pela sua teatralidade, no 'show' televisivo que é o futebol, e conquista com essa teatralidade outros públicos (juvenil, feminino, ainda considerando o jogo como seguido eminentemente por homens). Tem uma cara que sabe o espectador dizer 'eh, eh, ficou mesmo chateado por não conseguir apanhar aquela bola', ou 'este gajo vive mesmo o jogo - repara como ele ficou com as mãos na cara por a bola ir ligeiramente ao lado'.
Há todo um artificialismo, que é excelente para o marketing, e para aquilo que é o futebol nestes tempos. E que, em última análise, construiu também grande parte do seu valor. Que, continuo a dizer, mesmo admitindo que mereceu o que ganhou, não tem por detrás um talento futebolístico excecional - mais bem qualidades atléticas ímpares, e muito - muito - trabalho e preserverança.
Eis o meu problema, porém, e ainda - é que eu gosto de futebol por não ter que ver com trabalho. Por ser injusto e filosófico nesse aspecto. Basta reparar como, simplesmente, não teve nunca a mesma implantação nos E.U.A.. O jogo é profundamente anti-americano no sentido em que quem trabalhar mais, e se esforçar mais, muitas vezes não ganha. Carece de lineridade.
Ronaldo veio confundir essa linearidade, mas tem agora a sua prova de fogo no Madrid. Um conselho porém: é melhor deixar de querer ser um 'jogador a 360º', na melhor escola narcísica de David Beckham, e preocupar-se somente em jogar e ter prazer em jogar. Talvez Kaká o ajude a encontrrar esse sentido.