terça-feira, 21 de julho de 2009

Neurexame

Porque é que um exame vindouro altera o nosso comportamento no tempo que o precede? E não é pouco. Hum? Quem é que disse Freud? Não vão por aí.

Não, falo do mau-humor puro. E, sendo o exame difícil, e o desespero cumulativo, surge o bode-expiatorismo. Basicamente, a culpa é sempre de alguém que não nós mesmos. Eu, geralmente, fico-me pelo 'sistema'. Yap - sportinguista, é verdade.

O problema - camaradas anarquistas - está no sistema. Infelizmente, porém, por vezes o 'chimpanzé interior' é tão estúpido que já não culpa nenhum sistema - culpa pessoas. Entra o Tony Soprano cá da gente, o nosso Bernardo Provenzano... zito. Na verdade, se formos a ver bem, a 'culpa' é daquele vizinho que faz barulho obscenamente, ou é daquele indivíduo que não retribui com suficentes 'obrigados', que não nos tirou o café 'como deve ser', ou que não respondeu ao nosso SMS. 'Aquele f-d-p não me disse boa tarde - é o limite. Agora é uma questão de honra. Kaaameeennn-aaaamm...'

É. Acho extraordinário a quantidade de culpados que é possível arranjar. É a prova de um grande potencial criativo - mal empregue, não há dúvida. O mau-humor, o desespero agendado, é uma pasta seca que se vai acumulando, a alma desidrata com os dias, até restar apenas pó - pó onde mergulha o caprichoso algodão branco a prima donna que nos tornámos, essa Castafiore em nós.

O problema de um exame, se não nos atrasar tanto a vida (e costuma atrasar) é o da letra omissa - do 'v' que o torna 'vexame'. E nós já andamos 'nisto' há tempo suficiente para saber que - muito provavelmente - ninguém vai fazer a nossa biografia, e escrutinar um a um os exames que deixamos no nosso lastro biográfico.

Muito... provavelmente. Talvez - quem sabe - ainda haja uma minuta esperança de que marquemos a História, e façam a nossa biografia. Talvez então consigam explicar como convivem, assim, na mente, um chimpanzé, um mafioso, e uma prima donna.

Devem ser tertúlias interessantes.