quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ar Condicionado

À crueldade condicionada
Do ar -
Superfícies de plástico,
Olhares de plástico
E a verdade também -
Num instante de dúvida,
Vertiginoso numa maldição.

À crueldade
Do ar condicionado
Falta a maior razão,
Falta a comparação,
Falta o justo, faltam as linhas
De uma redenção.

A crueldade condicionada
Tem só um plano
Guardado em silente refrão.

...

Assustaste-me enquanto pensava.

Acordaste esta noite
De súbito,
Voz entre o escuro
E não tinhas razão,
Mas a culpa que murmuro
É mais forte -
Ser quem sou
É a tentação a que resisto.

Existo
Esperando somente,
Criticando a gente,
Castigando a mim
(Eles convenceram-me
- Como tu -
Que havia de ser assim).

Tu só procuras o ar fresco
De quem nunca navegou -
Quem sabe o quanto respirou,
Não condiciona nenhum ar -
E de nenhum... tem que escapar.

Pedro Oliveira