quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Anedota

Pergunto-te se ainda tens
Tempo
Para ouvir uma anedota.

Vai assim -
É de um idiota
Que de tudo desconfia,
Perdido num mundo
Que o traía.

Estranhou até um dia
A família
(Todos iguais),
Deixou a namorada
(Alguém a olhou demais),
Já não se fez à estrada,
Nem pessoa amparou -
Este pobre idiota
Em seu tempo se gastou.

E hoje já não tem tempo
Para ouvir sequer contar
Esta pobre anedota
Que havia de se tornar.

Pedro Oliveira

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Niente Pamela

Uma viagem a Roma. Diferente. Por Salvador Martinha.

Ma dove sta la Pamela Anderson...?



P.S.: Escusado chamar 'gorda' (solidariedade) à senhora que aparentemente o havia ajudado. Ainda assim, bom vídeo.

Reflect on Reflectivity

Bora lá tentar destrinçar de uma vez o conceito de Reflexividade de George Soros.



A seguir, estes 'lectures', via FT - aqui.

P.S.: Tá boa aquela da 'Physics envy', sim senhor. E, para mais, concordo.

Outsider Trading

Ocorre-me como no mundo das mulheres e das relações eu tenho sido sempre mais um 'outsider trader'. Raios. Bom - pelo menos parece que toda a gente perdeu valor.

I Feel Like Getting Some Tonight

Some Biology, some Evolutionary Biology. Da boa. Sem perdão - a noite inteira.



O objecto de amor já chegou - mas terá que esperar pelo cumprimento dos deveres académicos e profissionais. Quem não trabuca... não se educa.


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Lupus



Foto vencedora do prémio Veolia Environment Wildlife Photographer of the Year 2009, da autoria de José Luís Rodriguéz, retrato do lobo ibérico em pleno acto de caça.

Como disse Jim Brandenburg, membro do júri: "milhares de anos de História condensados num momento".

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Party Nostrum (The Ti Jakim Sessions)

Via daí começei a fazer um album de Dance Music. Quer dizer - apenas o título e nome das canções.

"Party Nostrum"

1. From The Ocean To The Sea
2. Left My Ghosts For The Spirit of Music
3. The Surface of Rythmn
4. Gods Who Do Not Run The Land
5. Global Warming (The Party Shall Come)

Hum? Não, foi só vinho tinto ao jantar, comme d'habitude.

Scende La Pioggia

É verdade... scende la pioggia - ognuno penso solo a se stesso.

domingo, 18 de outubro de 2009

Sunday, Moody Sunday

Foi isto que sucedeu: um domingo excessivamente... plácido, mergulhado na maresia emocional, com revisitações da infância... Foi um domingo muito fadista, com boa comida e divagações pelo Passado ao café.

Assim não dá. Eu bem ando a lutar contra o meu sentimentalismo (raios te partam, Eça!), mas a coisa ataca-me, por menos que eu queira.

Acabrunhado, a remoer o almoço, preso por fios de outros tempos, pus-me a beliscar a blogosfera, a ver o que havia por aí. Vai daí, não resisti a deixar-vos esta imagem. Porque me ri imenso, emergindo desse domingueiro marasmo. Está fantástica, sejamos honestos.

Eu sei, eu sei. Eu prometo, eu prometo. Mas é uma excepção. Em alturas de crise social devemos acolher as excepções. E uma vez que isso - ainda... - não inclui o meu envolvimento romântico com top-models deslumbrantes, pode bem incluir esta imagem.

P.S.: Era mesmo para a incluir no blog, mas no sítio onde estou a ligação está tão fraca que não dá. Possível que alguma força superior esteja a evitar que eu cometa uma blasfémia contra o estilo pristino e excelso deste blog?

sábado, 17 de outubro de 2009

Querido Diário - 44

Um bocado saturado disto. É que é sempre a mesma coisa. Sempre que os meus pais me vêem, dizem logo "Tás tão gordo... Olha para ti!". Que raio - a única pessoa na História a ter tido um físico perfeito deve ter sido a mulher do Newton, e foi porque só muito mais tarde é que o Einstein esclareceu a questão da velocidade da luz! Que raio!

Momentos - 3

O detective da Polícia Horácio Bastos, conhecido por..."Bastos", olhou novamente para o Sr. Silva e o seu depoimento. Ouvira já os vários relatos dos seus vizinhos. Nenhum compreendia como podia um homem que - supostamente - estava sempre em casa toda a noite, ter a voz afectada daquela maneira, como se a garganta tivesse sido exposta ao frio da rua.

Por que aragens inconfessadas andaria o Sr. Silva? De onde realmente viria aquela farfalheira? Era cada vez mais claro para Horácio Bastos, conhecido por "Bastos": estava perante mais um caso de enrouquecimento ilícito.

Para Um Estudo da Pseudo-Agressividade - 1

Como começou - nenhum ao certo saberá. Eu culpo-o a ele, claro. Certo é que o "avacalhar", o riso, a piadas de qualidade duvidosa, degeneraram fatalmente num registo de ameaças pseudo-agressivas. Assim como uma espécie de "capoeira" do confronto físico. Típico dos intervenientes, é só troca de palavras (o resto dá muita chatice).

Ameaças à integridade física trocadas no estudo para exames, na net, por telemóvel. Pseudo, perguntarão vocês? Sim, pseudo - pelo menos, ainda não nos agredímos, porquanto eu seja sportinguista, e ele benfiquista.

E dou comigo a pensar "isto pode ter interesse para as gerações futuras". Se o Pacheco Pereira recolhe material de eleições, eu também deveria preservar isto. Quem sabe se não pode vir a caracterizar este tempo, para um escritor que, no futuro, sobre ele pretenda escrever?

Pois bem. Começemos com o mais clássico:

#1: "Vê lá se queres levar na boca".

#2: "Deves andar muita cansadinho da vida que levas".

#3: "Tás assente nisso, chaval? Vê lá se estás assente nisso."

#4: "Chaval, para que saibas: o Bruce Lee, antes de eu lhe ensinar tudo chamava-se 'Bruce Gostaria de Ler, Se Faz Favor'. Mas quando saiu das lições, já era só 'Bruce Lee'."

#5: "Deves pensar que estás na tua aldeia, puto. Vês alguém a salgar toucinho? Vês alguém a regar a horta? Vês alguém a cortar eucaliptos? Pois não, puto - isto aqui é a Civilização."

#6: "Deves querer sentir o cheiro da gravilha."

#7: "Tens que comer muita sopinha."

#8: "És um avacalhador do caraças, tu."

#9: "Cala-te, pá!"

#10: "Ma'xapada!"

#11: "Vê lá se queres e não te alembras."

Definitivamente, pérolas da nossa vida cultural, inexplicavelmente ignoradas pela maioria do público. Não têm de quê, meus amigos, não têm de quê.

Àqueles outros que sintam, depois de insinuar que tenho tempo livre a mais, agressividade real - pseudifiquem-na.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Querido Diário - 43

Acabei de perceber que sou apenas um "old man with his dog" - mas nos seus vintes.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Safado...

Estou indignado - indignadíssimo! - com o vídeo em tom jocoso que Maitê Proença fez de Portugal. Inadmissível!



Há já algum tempo que eu suspeitava que algo assim podia acontecer, felizmente. Por isso mesmo, precavido, tenho andado a practicar doces sacanagens sobre os outros portugueses - para, justamente, ter agora algo de que me redimir. É esta a minha hora, portanto. Toca a mim ser o tribuno da Pátria! Donde, este grito plangente: isso não se faz, Maitê! Isso não se faz a Portugal!

Então os portugueses gostam tanto de si, então eu tenho tanta estima por si - e você faz uma coisa dessas? Temos os nossos defeitos, certamente, mas - vamos lá - temos que ter, entre povos, um pouco de... Qual é a palavra?


Exactamente - tolerância. Caramba, o quanto Portugal não a aprecia - o quanto eu não a aprecio! Face a esta ignomínia, a esta perfeita infâmia, julgo prudente que nos encontremos tão cedo quanto possível, num jantar, por exemplo - para discutir a questão. Levarei comigo algum do melhor vinho tinto que esta nação já produziu.

A sós, num saudável confronto de ideias e de bons pratos lusitanos, tentarei fazê-la perceber - lá para a sobremesa - o quanto, na realidade, um português como eu admira uma brasileira como você.

Poderemos então, se me permitir, chegar a uma conclusão pacífica de toda a polémica, apreciando as diferenças de cada um, e explorando a nossa complementaridade cultural. Um esforço diplomático, portanto.

Afinal, suponho ter sido o Kissinger a celebrizar, além da 'realpolitik' e da 'détente', esse outro termo, o 'make-up...' qualquer coisa (esqueci-me do resto), que penso traduzir o ameno regaço de Paz a que tanto me aprazaria conduzir este processo.



Não esqueça de ligar, Maitê. Temos a obrigação de - para o bem das relações internacionais - esclarecer este mal-entendido.

Ah, caros portugueses - o que eu não faço pelo meu país!!


domingo, 11 de outubro de 2009

Querido Diário - 42

Às vezes digo à minha mãe que ela está possuída por um espírito maligno. Nomeadamente - pelo Almeida.

O Almeida era um feliz guarda prisional, que se deliciava a implicar com os detidos do seu establecimento - não desdenhando o eventual correctivo, vulgo 'enxerto de porrada'. Por alguma razão que desconheço, faleceu.

Ainda menos sei porque ficou a sua alma penada entre nós. Sei apenas que escolheu a minha mãe para assumir forma humana, ocasionalmente. E, nessa altura, consegue transformar a cozinha numa cela de Guantánamo. Uma mesa desarrumada converte-se num arsenal eloquente, com plantas de alvos, com datas e sonetos de adeus à vida. Há gritos e provas do crime - impõe-se tortura!

Já um quarto desarrumado - a minha 'célula', entenda-se - é mais difícil de atingir. Mas o "Almeida" bem tenta pôr-me na ordem, com sistemáticas reprimendas a alto volume.

Vá lá que a minha mãe costuma reassumir o controlo da nave antes do terceiro 'waterboarding'. Senão eu tinha mesmo que sair da casa dos pais.

Querido Diário - 41

Hoje o Tio Arsénio veio visitar-nos outra vez. Ainda está naquela coisa da Junta de Freguesia. Parece que é bom naquilo, e as pessoas gostam dele, mas caiu em desgraça nestas eleições, porque rodou o partido - e está mais insuportável do que nunca.

Continuo sem perceber aquele seu espírito parvo-competitivo. Sempre a chatear-me com cotoveladas - quantas "gajas" é que isto, quantas "miúdas" é que aquilo... Só me faz lembrar o Dâmaso Salcede do Eça.

O Tio Arsénio, porém, não é inofensivo como seria o Dâmaso. Tenho um grande desconforto em apresentar-lhe uma namorada. Desde logo físico - não respeita o espaço mínimo de respiração numa conversa E, depois, naquele seu jeito sacana, coçando a barba e mostrando os pêlos, já me lixou com uma ex-. Ainda hoje tive que ouvir essa história outra vez...

O mais incrível é que o tio Arsénio tem 58 anos. Mas porque é que estes velhos vêm assim chatear os mais novos? Porque é que não se medem com outros velhos? Caramba. Que saudades do tempo em que a pessoas dessa idade nos referíamos por "o senhor..." e não com um "sacana do velho!".

O Regurgitar do Mal

Hoje escondi-te uma notícia -
Não queria que soubesses
De longínqua
Nova perícia
A esse ser que enlouquece,
Humano.

Hoje li, de terra estrangeira
O regurgitar do Mal,
E uma vida inteira
Não chega
Para te proteger,

No final
Serás quem deve esconder
De um velho enternecido
Novas de dor, e de morte,
Do destino de outra gente -
Outra prova
De que algum homem
Nunca quis não estar doente.

Pedro Oliveira

Querido Diário - 40

Aqui há dias, o bastonário dos advogados lá foi ao Gato Fedorento. Sei que és uma folha de papel - mas havias de ter visto. Que o homem até se portou bem, mas a certa altura começou a dizer que eram 'fedorentos' os funcionários, 'fedorentos' os advogados, 'fedorentos' os beltranos, 'fedorentos' os profissionais da Cerâmica, 'fedorentos' os estudantes de intercâmbio (hum... aí poderia ter alguma razão). A certa altura pensei que ele se ia virar para a câmara e dizer "'fedorento' este telespectador, Zé Júlio, a olhar para o ecrã neste momento. Sim, você!'.

Mas não, foi só um susto. 'Fedorento'! Realmente... Tou farto de lhes dizer que é uma condição clínica, nada mais. Fascistas de água de colónia, é o que te digo.

Reading List 8

"Amesterdão", de Ian McEwan


Ligeiro, fica-me deste livro dizer que se lê muito bem, até porque... é pouco extenso. Interessante, e principal motivação, diria, a história de dois melhores amigos, que ficam desavindos até ao limite, servindo como lembrete de quão complexas - e trágicas - se podem tornar as relações mais sólidas.

Li a edição em Português da Gradiva, e não o original, da figura.

Não é, muito longe disso, uma obra extraordinária, mas reitero: lê-se bem.

180 páginas em Português
Kilometragem em Português: 598 páginas.

sábado, 10 de outubro de 2009

As Árvores do Meu Jardim

As árvores do meu jardim
Não votam,
Sequer em mim.

Mas eu não as rego,
Não as trato,
Apenas lhes toco
Com o vento em suas copas,
Confundindo o céu.

Não sei
O que pensam de mim,
As árvores do meu jardim.

Sentirão a minha falta?
Fui algum dia
Necessidade,
Fui algum dia amor?

As árvores do meu jardim
Emprestam-me o seu esplendor
Silencioso.
Talvez me creiam orgulhoso,
Talvez eu não lhes queira confessar
A preguiça de ter que pensar
Nelas.

A minha mente flutua,
Muda como o vento que as faz brilhar
Ao sol;
Mente que só quer calor,
Luz que não precisa da dor
De se lembrar.

É uma mente que analisa
O que se passa em baixo,
Copa frondosa que estiliza
Milhares de folhas ao sol,
Que se esqueceu da raíz...
Do que faz, do que diz,
E apenas continua,
Bela, sintética,
Por clorofila hermética,
Sua reacção sagrada.

As árvores do meu jardim
Não sei o que pensam de mim,
E não perco muito sol a pensá-lo.

São como eu:
Copas frondosas e imóveis
Contentes por deixarem chão
Sem mais obra,
Sem mais esforço,
Sem mais preocupação.

Pedro Oliveira

Do Lado Errado

Acordei
Do lado errado da cama,
Do lado errado de quem se ama,
Não acordei sequer.

Desço
A vida e a manhã,
Na dúvida pouco sã
Do que houver.

É uma manhã qualquer:
Toca a acordar e não crer
Ter algo a dever,
Ter algo a esperar.

(Marchar...)

Acordei
Do lado errado de mim.
Errei,
Mas há manhãs assim,
Noites de que não terei
Descanso.

Pedro Oliveira

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Rude-Ney e a Vendetta

Diz Wayne Rooney que espera que Portugal não se qualifique para o Mundial de 2010 (aqui), porque eliminou a Inglaterra nas duas últimas competições internacionais. Não percebo tanto ódio. Afinal, se não fosse Portugal, a quem é que a Inglaterra adulteraria, em '66, a semi-final? Quem é que iria arrastar - ilegalmente - para Wembley?

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Downshifting

Afinal estou - muito - mais acompanhado do que julgava...


E nem sabia ainda da palavra que dá nome à coisa: 'downshifting'. Mas não - é mesmo isso. Ficou.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Querido Diário - 39

Sabes, hoje dei comigo a pensar como é curiosa a evolução do romance ao longo dos tempos. Há apenas alguns anos, estava sempre a ouvir na rádio aquela canção, dos Xutos e Pontapés, que ia assim:

"Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
e não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela

Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões

Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua

(...)"

E continuava, mas eu não me lembro de mais. Diz que aquele indivíduo da boina também a cantava, às tantas escreveu-a ele.

Mas não interessa à questão. E a questão - se bem te lembras - é a evolução do romance. Repara em como esta letra ainda me conseguia evoocar, nesse tempo, alguma coisa vagamente shakespeariana, meio adulterada para o nosso tempo-histórico/espaço-tuga. Ainda vislumbrava um Romeu - por exemplo o Romeu filho dos Montepio, a cortejar uma Julieta, da família dos Crato-Preto.

Hoje a coisa mudou bastante, e o romance à janela merece ser redescrito. É por isso que ofereço esta modesta contribuição, para a minha e futuras gerações:

Menina, estás na janela
confortavelmente nua
e eu só vou daqui embora
quando esta galeria tua

descarregar. Quase que sua
a tua pele na tela. E espero
que ninguém veja da rua
o meu PC com esta janela.



Os olhos requerem seios -
mesmo a 2 dimensões -
e vamos por links, alheios
às várias inclinações...

Menina, estás na janela
do Explorer, que eu vou fechar.
Nua és realmente bela
(se o Photoshop não me enganar).

Pedro Oliveira

E pronto. Como sempre na História, o romance inspira a poesia. E da boa.