Quinta-feira, 1 de Março de 2012
Nadas
(A inteligência)
E a Ciência escoa
Por labirintos que Dédalo projectou
Falíveis.
Mau sangue escorre
Pelas prateleiras de artigos familiares.
E morre em nós o desprezo
(Podia ser pior...)
Por outros lugares.
Velhos dias bons tombados
À sombra
De ânsias mal-amanhadas.
Ah... Nadas... nadas.
Nadas - nadas!
Pedro Oliveira
Baby Got Back
Voltei. E - à excepção da Candice Swanepoel - regra geral, não vale muito a pena olhar para trás.
Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
Reading List 19
Título: As Teorias Selvagens
Autor: Pola Oloixarac
Editora: Quetzal
Orgulhoso, disse que já ia nos 24 até agora. A sério. Aqui falarei de muitos deles, eventualmente.
Não me resta qualquer dúvida, no entanto, de qual foi o mais árduo de ler. O prémio vai para a Pola Oloixarac, autora de um livro inteligente, francamente erudito, que mistura várias áreas de conhecimento, como Cultura Clássica, Informática, Televisão, Cinema. Tudo facilmente reconhecível por um nerd como eu.
E, no entanto... é de uma escrita bastante pesada. Explico-me: é profunda, mas muitíssimo pouco lúcida (característica que eu adoro), o que a torna complexa, e árdua de levar até ao fim. Para além disso, está, como disse José Mário Silva no Expresso, demasiado impregnado de referências a factos da História e vida comum argentina, o que torna o livro ainda menos acessível, malgrado o esforço da tradutora. A propósito, podendo cometer o pecado de estar a ser injusto com tão dura tarefa, pensei várias vezes que gostaria de ter a versão original nas mãos.
Amigos - este é para 'pros'. Bibliófilos eméritos e grandes amantes de literatura sul-americana (como eu). Mas atenção, que o esforço também é compensado com momentos sublimes - Pola tem, de facto, muita qualidade na escrita - e no final, resmunguei mas não me arrependi.
Terça-feira, 26 de Julho de 2011
Reading List 18
Os mais atentos disseram logo, e bem, que é um livro sobre sexo. Granted. Mas, sobretudo (por alguma razão os humanos tendem a desculpabilizar o tema do sexo subordinando-o a outro, mas aqui é verdade) – sobretudo, dizia eu, o tema do livro é o vagabonding, a boémia ao extremo, em todas as suas formas.
E daí esqueçam o tema - este livro não é acerca de um tema, o tema está subordinado a um estilo (o estilo está subordinado à loucura do autor). Mais que tudo, o livro é exuberante na criatividade linguística, nos trocadilhos, neologismos que raramente escapam a uma frase. É certo, ao fim de 580 páginas (só disse isso bem depois de enunciar o sexo como tema, como repararam), há um cansaço de tanto trocadilho (e na segunda parte do livro a acção é pior concebida, na sua função de desculpa ao estilo).
Mas caramba, vale a pena. Já há algum tempo que não lia um livro tão simplesmente... divertido. “O” livro deste Verão, perfeito para ler na praia (não que eu tenha tido a sorte...). Aviso: for mature audiences.
Quinta-feira, 2 de Junho de 2011
Terça-feira, 31 de Maio de 2011
Segunda-feira, 30 de Maio de 2011
Feelin' Alive
Foi uma viagem especial, emocionante.
Somebody help me, yeah
I'm stayin alive
Sexta-feira, 13 de Maio de 2011
Gargântua e Pantagruel...
Domingo, 8 de Maio de 2011
O Cinco Contra Um

Ocorre-me sugerir ao PSD, já agora, uma adequada substituta para o Miguel Relvas. De seu nome Sylvia Saint. Por acaso tenciono visitar o seu país em breve. Se quiserem que eu me encontre com ela, é só dizer.
Se não quiserem... vou fazer por me encontrar com ela de todas as maneiras. Ah... a rainha do Cinco Contra Um... Súbdito de Sua Majestade!
Terça-feira, 15 de Março de 2011
O Fim
É o fim, meus amigos. Sabe a fim.
Mas não desesperemos - é o fim de um ciclo, outro se seguirá. E não me refiro a partidos, ou eleições. Refiro-me a uma inevitabilidade da natureza, e um sentido de História que nos deixa desconfiar que Portugal vai - a bem ou a mal - encontrar as suas saídas desta situação. Tem o know how, os genes para tal.
A grande dúvida não é essa. A grande dúvida é sempre quem é que chegará a esse próximo ciclo, e em que condições.
Caros passageiros - vamos atravessar uma zona histórica de turbulência. Por favor, permaneçam em silêncio (a menos que sejam heróis - sem ironia), e com o coração apertado.
O Mexias
É - estou de volta, pessoal. Sou eu - o Mexias.
Vamos lá então - primeiro falemos de Apocalypse, depois de Renascença.
Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011
Bad Going On Curse
Só Entre Nós
Que minta
Por eles.
Que sim, que sim -
Eu digo que sim
Eu...
Eu minto por mim.
Pedro Oliveira
Domingo, 13 de Fevereiro de 2011
Eu Sou Excesso
Eu sou enjoo,
Eu sou demasiado
E demasiado o que não devia ser.
Bulimia
Do mundo dos outros,
E dos nunca poucos
Prazeres e perversões -
Porcaria! Invenções!
Eu leio tudo aqui sentado.
Eu? Eu sou excesso.
Registado.
Excesso contado, pesado -
Sou excesso desperdiçado.
Mal-usado. Blargh.
Sou aburguesado, desprezado,
Só sangue acumulado.
Eu me fiz gado, lidando gado.
Desbragado, descentrado,
Desonerado mas não livre.
E, sobre tanto,
Farto, farto, farto, farto!
Do que nunca jamais tive.
Pedro Oliveira
Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011
Rogo-vos Escusa
Je vous prie de m'excuser.
Volto-volto já-já, ok?
Domingo, 9 de Janeiro de 2011
Reading List 17
De "Our Man In Havana", de Graham Greene, eu tinha apenas a vaga noção de ser um "clássico" do género 'spy novel'. Eu não tinha demasiado interesse pelo género, pensava. A minha atitude mudou por completo.
Escrito em 1958, antecipa (refere-o explicitamente) o interesse geo-estratégico que Cuba iria ter na Guerra Fria. Recorde-se que a Revolução Cubana que derrotou o regime de Fulgêncio Batista ocorreu em 1959. Sendo certo que os ingredientes já deviam estar a vir sendo identificados há mais tempo, o livro tem essa inesperada virtude premonitória.
Mas não é só essa a surpresa. O livro é deliciosamente inteligente, um dos mais refinados, perspicazes, que tenho lido ultimamente. E, admitindo que pode ser o meu hábito de leitura que esteja em falta, houve prazer genuíno ao passar pelas suas páginas.
A terceira surpresa foi o quanto deste livro foi copiado por John Le Carré para o seu 'O Alfaiate do Panamá'. Fiquei positivamente perplexo com o plágio. Não é só o agente secreto que finge existir 'intelligence' para sacar dinheiro à agência; não é só o facto de os acontecimentos que inventa virem, bizarramente, a acontecer na realidade; é também o mero falar com pessoas que não existem, produtos da imaginação (quando o Dr. Hasselbacher está a beber com Wormold depois de procurarem 'o' bilhete de lotaria, considera uma pessoa no bar um produto da sua imaginação, e tanto lhe faz saber).
A última surpresa é só para os fãs de Dexter, como eu. A certa altura, no primeiro sexto do livro, exactamente a propósito desta conversa com a (pseudo) figura imaginária, o homem, advogando a sua realidade, diz:
Ah, pois... Harry Morgan. O pai de Dexter Morgan. Apanhei-te, Jeff Lindsay. Apanhei-te.





























