domingo, 19 de dezembro de 2010

Dunas: Anexo

É - o Passado é mesmo um país estrangeiro. Mas um que podemos sempre visitar.


Dunas: Mensagem de Natal e Ano Novo I

Caros amigos, sejam vocês reais ou imaginários, celibatários ou corsários, quero desejar-vos a todos, um Bom Natal, e um Feliz Ano Novo.

2011 vai ser um dos anos mais complicados das nossas vidas (mesmo para as vidas imaginárias), e gostava de vos deixar um conselho, na realidade bastante óbvio, sempre que temos que enfrentar o Futuro: olhar para o Passado. Para o nosso, desde logo.

Olhar para nós tão mais simples, tão mais analógicos, tão mais tementes, tão mais felizes. Regressar ao ano que vai começar com alguma aprendizagem preciosa dos nossos anos de juventude. Não ter vergonha deles. Relembrar, rir, perceber enfim.

O Passado é um país estrangeiro, dizia Camus. Emigremos a um som antigo, imperfeito, lento, tisnado ao sol. Cheio - pleno - de tempo.

O tema desta mensagem de Natal e Ano Novo, que continuará, é este: Dunas.


CTX Sounds Like This II

Não esquecer também este grande remix por parte dos portugueses Social Disco Club (pescado no Bons Rapazes da Antena 3).


CTX Sounds Like This

Os meus dias - uma estranha dependência de La Roux e Balla. E sabe tão bem.




Reading List 16



"A Confederacy of Dunces", de John Kennedy Toole. Bela 'comic novel' - género que me interessa especialmente - hilariante caracterização de.... Não vos consigo explicar exactamente do quê, ou melhor, de quem. Só o seu nome, caramba - Ignatius J. Reilly - parece apelar àquele destino.

Eu gostei de Ignatius - ri-me com ele, até reconheci defeitos. Mas é, para mim, bela a história de John Kennedy Toole pela explicação (pormenor-pormenor) que dá da existência daquele ser. Por entre todo o humor, por entre toda a confusão, por entre toda a complexidade e caos da gente do mundo, brilham partículas elementares.

Só me restou uma questão: qual é a história por detrás do personagem do Dr. Talc? Hum...

É lerem.

338 páginas em Inglês
Kilometragem em Inglês: 3623 páginas

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Terra Prometida

Moltes gràcies. O que eu saboreei em perfeito, absoluto, júbilo. Neste - o melhor dia futebolístico do ano, para mim. Talvez o de há vários anos a esta parte. Que estúpida perfeição, que estúpida alegria. Que - estúpido! - orgulho em perceber o que Guardiola dizia em catalão, no final do jogo.

Lágrimas de quem é humilde e grande ao mesmo tempo, e um dia doma quem só quis ser grande.

Foda-se, Barça, é um overkill de alegria. É por isto que vale sempre a pena.

domingo, 28 de novembro de 2010

Oferta

Procura-se: Musa inspiradora. Boa apresentação. Salário à base de mimos e paixão desbragada. Progressão para deusa do amor garantida. Possível glorificação para a eternidade.

Ando necessitadíssimo de uma(s) musa(s) inspiradora(s). Alguma tágide ou ninfa parente disponível?


sábado, 20 de novembro de 2010

(N)O Almoço Não Estava Mao

Entrevista de ex-líder estudantil durante o 25 de Abril, que 'ao contrário dos outros líderes estudantis (...) que se tornaram comunistas ou radicais', fora sempre um 'centrista', vejam bem. E o jornalista acha que é encantadora a timidez do ex-líder a falar de si mesmo. Fica bem esta modéstia.

É. Não há dúvida que neste almoço o chefe escolheu ele próprio o menu.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

My Favourite Game VI: A Century's Remedy

Ah, já me lembro:

HOCUS POCUS ALTER LOCUS,
HOCUS POCUS ALTER LOCUS!

NOW YOU SEE ME
(NOW YOU DON'T)

Nã - estou a brincar. Estarei sempre a vir cá. Alguma coisa (sobretudo miúdas giras), é dizerem que eu apareço, ok? [Suspiro]... embora elas sequer me conheçam... Há sempre o consolo folosófico de uma soneca sob o chaparro.



Como se vocês não soubessem...

Sei Como Dançaste no Verão Passado (E Preferia Não Saber)

Tá visto que me apanharam na praia este Verão. Yap. E quanto ao gajo de óculos a encorajar-me a viver e torrar a pança, creio bem ser o Edu. Pretty sure, in fact. A tanga é um dead giveaway.



É. Tudo o que sirva de desculpa a publicar nádegas neste blog.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

My Favourite Game V - Vol. 2

Ok, here I go again on my own, mas ainda com as sopas feitas em casa. Hei, ninguém consegue a 100%.

Bom. Vejam lá. Como é que era...? Hocus Pocus, Hocus Pocus...


segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Reading List 15





"O Seminarista", de Rubem Fonseca, é sem dúvida um bom livro, agarrou-me uma noite inteira até o terminar. Mistura hábil de erudição e submundo, a cadência é perfeita (também nos livros os brasileiros parecem ter uma melhor noção de ritmo que os portugueses), mas creio que a história em tem lacunas, desde logo

[SPOILER ALERT]

a morte e posterior reaparecimento do Despachante, entre outros pormenores menos consistentes. Ah, mas leiam, definitivamente. Ainda por cima a erudição é da boa, da útil, daquela que nos enriquece.

129 páginas em Português
Kilometragem em Português:
1546 páginas.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Turn The Table

Here's a thouhgt: porque não sugerir aos portugueses que comprem dívida do seu próprio país? Porque não uma campanha original que propusesse investir em dívida portuguesa? Porque 6,151% a 10 anos supera os 5,65% a 10 anos dos Certificados do Tesouro...

É claro que eu posso estar a ser grosseiramente ingénuo. Mas, se não for esse o caso... Duh!

É que não só nos estaríamos a financiar (talvez a adesão fosse mais significativa do que se pode pensar à partida), como também a aumentar a poupança nacional. Dois em um, não?

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Great


Checks And Balances

Tenho urgentemente que arranjar uma namorada, por forma a não andar constantemente a dizer que são os meus pais que instrumentalizam a minha vida. É preciso um contrapoder nesta nação barriguda e de óculos. São precisos checks and balances.

Vacilão Me Confesso

Um dos meus maiores defeitos é a indecisão. Digo que sim, sinto que sim, mas mudo quando alguém acha que não. Será que sabia mesmo que sim?

Não sei. Não sei porquê. Isto não me granjeia respeito algum. Devo ser aquilo a que os brasileiros chama de "vacilão". Mas não tenho a certeza.


sábado, 30 de outubro de 2010

Calendarizar

O que eu sugiro é que toda a gente tenha um pouco mais de... tranquilidade, para a gente poder reflectir, e pensar o ano que vem como deve ser. Ou como devia ser.


A Minuta

Privilégio exclusivo dos leitores do Biobibliofilia, tenho aqui a minuta do encontro Catroga-Teixeira dos Santos. Trouxe-me-a o Garcia do Pingo Doce da Lapa, que viu num chão um papel, que mais tarde alguém iria procurar em vão. Obrigado, Garcia.

Ora aqui está. Musiquei-a, porque sei que vocês não teriam pachorra para ler o texto todo.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Jantar Com Os 'Mr. Pink'

E eu insisto outra vez em como deveríamos dar gorjeta (recuso-me a dar sozinho - Game Theory and all that). Mas não - "Alguma vez te deram gorjeta quando estavas ao balcão?", "Agora ao final ele nem estava a servir-nos bem", "Olha a crise, temos que poupar."

E pronto. Passo por cruel unhas-de-fome, glutão avarento (já que sou glutão, ao menos fosse generoso), quando janto com os "Mr. Pink".


segunda-feira, 25 de outubro de 2010

O Peão-Cleópatra

Vocês conhecem o 'peão-Cleópatra' apenas pela expressão. É aquele que não olha para a estrada, apenas lança a sua majestade pela passadeira. O mundo que pare de girar.

Osíris revelou-me num sonho mágico: 'tá verde!'

E os peões-Cleópatra estão cada vez mais novos. Hoje calhou-me um 'puto-Cleópatra' a caminho de casa. Salta para a passadeira desde uma obscura escada. Espera, espera para aproveitar...

O bovinismo com que alguns peões assumem que é a estrada que interrompe o passeio, e não o contrário é todo um statement. Quando me vejo a esperar por um, ocorre-me sempre como tal expressa a falta de educação, e a típica imposição ao mainstream de um ressentimento.

A prioridade do peão é um ceptro, e é pena que não seja vermelha a passadeira que pisam. Peões-Cleópatra: enquanto espero por vós, do alto das vossas cabeças pequeníssimas histórias me contemplam.

Cinto-Me Mal

Gostava que as pessoas deixassem de me chatear por estar gordo.

Quer dizer, se eu desde logo confesso que me cinto bastante mal,



porquê este constante apertar do "sinto"? Deixem-me tranquilo.

A Chuva

Hoje decidi que ia ignorar a discussão sobre o Orçamento.

"Sul giornale ho letto che
Il tempo cambiera
Le nuvole son nere in cielo e
Che i passeri lassu
Non voleranno piu.
Chissa perché?
Io non cambio mai
No, non cambio mai!
Puo cadere il mondo ma
Ma che importa a me?
(...)"


domingo, 24 de outubro de 2010

Humphrey-ismos

A propósito disto:


sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Os Meninos da Lágrima

É estranho como alguém que me dá os mais ornamentados, mais barrocos e sentimentalões elogios, nas minhas costas, num repente, fala em surdina 'daquele gajo' em quem é mal-empregado isto ou aquilo. Um bocado como o 'Sr. Dr.', que é um nefelibata, mas a gente não conta, deixa-o lá estar que ele nem sonha.


É estranho. É um bocado como se o miúdo da lágrima estivesse a pedir na rua, eu lhe desse uma moeda, e assim que virasse a esquina, o querubim confessasse a alguém, mudando os contornos à face: 'Aquele cabrão só me deu cinquenta cêntimos. Que granda besta.'

Ocorre-me que talvez já não hajam D.Quixotes suficientes para a quantidade de Sanchos Pança, neste país.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Lend Me, Beautiful

Depois disto e disto, a nossa abordagem para pedir mais dinheiro ao estrangeiro, deve estar muito próxima disto:


quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Cor de Ano de Transição Quando Foge



O meu problema este ano, parece-me, é o Real Madrid estar a ficar em boa forma. Sorte o Barça estar a recuperar da danosa gestão de Laporta - que denunciei neste blog, quando ainda vigorava.



Até agora, tenho toda a fé em Sandro Rosell. Mas eu sei perfeitamente que este é um ano de esconder que é um ano de transição. Sobretudo pela situação financeira...

A Palmatória

Os italianos dão a mão à palmatória de Mourinho. E eu - reservando a outra palma até ao final da época (tento acreditar que não por qualquer sentimento, mas por critério de prazo científico) - tenho que a dar pelo menos uma também.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

When The Going Gets Tough

Tive uma chamada hoje de uma senhora, em Inglês, da parte de uma importante publicação estrangeira, que outrora assinei. Vinha fazer-me uma proposta de assinatura - extremamente tentadora, na verdade, que eu aceitaria desde logo se a política de casa não fosse resistir ao que se não pode ler - por melhor que seja.

A senhora perguntou-me duas vezes se eu queria a oferta ou não, eu desviei-me na calçada bem à portuguesa, e ela exalou pelo telefone um 'short-temper' que eu não tinha ainda recebido no telemarketing tuga (que geralmente aposta em respostas educadas, que me fazem sentir um cafageste por não aproveitar aquela promoção especial).

Amigos editores de periódicos deste mundo: se eu pudesse, assinava quase tudo, e lia quase quase tudo Acreditem - e não há muitos portugueses como eu. A maior parte perde-se em futilidades como Dinheiro, Poder, Sexo, e Maquinação em que o yours truly não se sente tão à vontade como quando no seu sofá a ler.

Portanto, que me desculpem, mas vão mesmo ter que desculpar. Se eu não posso, é porque angustiadamente não posso.

Mas não é a minha contenção (livros e jornais são a minha perdição - espero que mude), que sustenta este post. Antes o facto de nunca na minha vida eu ter recebido um telefonema directo de tal publicação. E se eles ligam à ralé da minor league, para vender - raios, isto está mesmo muito mal.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Life Imitating Fiction Imitating Life

Uma coisa muito curiosa, estranha, quando penso na década de 90 e na década de 2000 é a emancipação das séries de TV que eu via. Ao contrário do filme de Woody Allen, foi a ficção que invadiu a realidade.

Primeiro foi o Dragonball copiado por Cristiano Ronaldo - o treinar, treinar, treinar para conseguir ser... super-guerreiro (ou super-puto). E o futebol como o 'combate'.



Depois foram os Gato Fedorento - não que não produzissem ficção também, claro, mas trouxeram o tipo de piada que parecia tão estrangeira, tão americana, tão fora do mainstream português - para o mainstream português. Uma das mais bem feitas enxertias culturais, com talento - sobretudo de Araújo Pereira e Quintela. Trouxeram o registo dos Monty Python, dos Friends, do Seinfeld.


Desta vez ocorreu-me recorrer a algo um pouco mais subtil. Se vocês começarem o vídeo no minuto 4:51 faz-vos lembrar algo?

Outra transição - enorme - foi a da pornografia. A certa altura dos anos 90, com o (going on) mítico Canal 18, ela saltou dos VHS manhosos e dos PC dos adolescentes para... todo o lado. Depois - suprema ingerência - os adultos começaram a mexer nos nossos computadores (damn user-friendly interfaces...), e a contactar com esse mundo de pornografia, inesgotável, gratuito.



Eis como a pornografia - de repente - passou a ser universalmente aceite; era fácil reconhecer os românticos ingénuos que não sabiam ainda 'da coisa'. Pessoas que hoje são famosas foram envolvidas em situações pornográficas (Ronaldo, a propósito) - e nenhum mal veio ao seu mundo. Porque a pornografia era, cada vez mais, um pecado generalizado. Mas nessa transição, é fácil esquecer algo o veículo principal: a tecnologia - o desenvolvimento da Internet com alta velocidade e aumento do poder de computação (eventualmente o desenvolvimento da rede de TV por cabo).

E assim a pornografia passou de algo contido a 'vecinitas cachondas' para um oceano de coisas, que mistura tudo, melhor e pior, inclusive a mais disturbing perversão... Antes os operadores de cabo faziam de conta que não sabiam 'daquilo' - 'vem de Espanha' defendiam-se com... pudor. Lembram-se? Agora existem canais (plural) especializados em todos os operadores.

(Recordo, para manter o fio condutor nesta discussão, que a pornografia é ficção, maioritariamente. Basta pensarem no vosso dia-a-dia para verem a diferença. Lá por não excercitar os mais nobres locais da nossa mente, é uma 'construcção de descontrucção', e como tal ficcional. Só seria (será?) documental, descontrucção do sexo, na versão National Geographic da vida humana.)

No meio disto veio o 'American Pie' - a traduzir em cinema o mundo de secreto, e delicioso... deboche (?) pós-Internet da minha geração. Neste caso, porém, foi a Ficção a Imitar a Vida.



É - eu gosto bastante do filme.

O que é muito interessante, para mim, porque a pornografia exibiu cruamente uma realidade, matou ilusões e educações arcaicas - e hoje já nem nos apercebemos que só temos o dinheiro, a fama, o poder, o trabalho. A pornografia matou muito romântico nas duas últimas décadas, e tornou a sociedade mais egoísta, e selvagem - darwiniana (se o não foi sempre).

My Fiction, My Life

A mais recente invasão da realidade por séries de ficção é... a minha vida. Ultimamente, com o desregramento de não estar a trabalhar, e estudando em part-time (de nenhum full-time), com a insalubridade da má alimentação, as horas de sono trocadas com quem trabalha em casa, recordo-me das... Ab Fab:



Eu via isto mais novo, e foi profético - para a minha small picture. Tal como a televisão foi profética no que se viria a passar na big picture.

É claro, a série de TV que eu pensei que seria a minha vida - honestamente - seria esta (como peculiar médico de Clínica Geral, resolvendo os 'casos'):



But, alas, it wasn't to be. (Foi a Agatha Christie que me ensinou o alas).

Talvez até, na verdade, fosse esta a série que eu quisesse vir a ser a minha vida:


A propósito, é altamente necessário que esta ficção volte... à ficção. Sic Radical - quanto tempo para acordar para a vida, hein?

Por não acabar? (Risos) Na altura mais por ser a vida do solitário bem consigo - sereno. E talvez ainda vá bem a tempo dela. Bem a tempo.

Wake Up And Smell The Bullshit

Eu não quero emitir juízos ideológicos, a sério que não quero*, mas será que mais alguém reparou na quantidade de vezes que foi dito 'inesperado' o Nobel de Llosa? E não vos parece que nem todos os 'inesperado' estão bem explicados?

1. Foi 'inesperado' para o próprio Llosa, permanece por saber se por humildade pessoal, se por descrença na Academia;

2. Foi 'inesperado' porque espécie de remissão do prazer perverso de nos anos anteriores laurear desconhecidos;

3. Agora, parece-me que, para muitos jornalistas, o prémio foi 'inesperado' porque Llosa é de direita, como se sabe - e como tal uma traição ao 'espírito' daquele Nobel.

Mas este último 'inesperado', nenhum deles o explicita. Sou só eu que por baixo dele vê uma confissão amordaçada? Talvez.

*a questão aqui é a bullshit.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Reading List 14


Confesso que peguei n' "O Bom Inverno", com uma imensa suspeita. Primeiro, porque me parecia que havia uma espécie de publicidade histérica ao livro - estava em todo o jornal ou revista que eu lia (se bem que Verão eu leia mais periódicos), sempre com inusitada benevolência. Bom. Bom? A dita benevolência poderia ser justificada, mas tamanho uníssono entre portugueses faz-me sempre suspeitar. Sobretudo em crítica a livros.

Segundo, sigo o blog do autor (e até inseri neste uma réplica a uma piada pouco elegante sobre o Sporting, o que me envergonha ligeiramente, não porque me arrependa de criticar o que disse Tordo, mas porque expressa mais clubismo do que eu gostaria em mim...). Espera - este parêntesis ainda não é a segunda razão. Está aqui: seguindo, dizia eu, o blog do autor, reparei que este incluiu a recensão de António Pedro-Vasconcelos (Sol), Rui Lagartinho (TimeOut) e Eduardo Pitta (Público), todas francamente positivas, em linha com o uníssono estival. Mas - mas... - não incluiu a crítica de António Guerreiro, na Actual do Expresso, que, não desdenhando o livro, se dispôs contra-corrente à infatuação criada. Essencialmente, pondo o livro no lugar de "boa narrativa, mas não me venham com 'prodígios literários'".

Se João Tordo cultiva uma imagem de relativa humildade, dedicando-se à tradução enquanto está nos tops de vendas, definindo-se 'um gajo que conta histórias' - imagem em que eu acredito, sem ironia - então porque censurou uma crítica, admitamo-lo, tão relevante como a do 'Expresso'?

Estava criado o viés. E assim parti para o livro, e assim acabei o livro, e assim respondo à questão essencial em todas estas questões: O livro é bom? É.

Em linha com o que diz Guerreiro, tem bastante valor do ponto de vista da narrativa. Tal como Tordo admitiu, tem uma cadência cinematográfica, e pontua na exacta medida em que se escreve mal relatos de acção em Portugal, ou os portugueses são maus a (d)escrevê-la. Tal como são maus no relato do sexo.

'O Bom Inverno' é um thriller. Sabe prender o leitor, a 'closure' da narrativa parece-me muito bem gizada, e mistura estrangeiros com locais estrangeiros, com eventos estranhos, com um estilo fluído.

Gostei especialmente da mimetização psicossomática que o narrador faz de House. Talvez até o pudesse ter explorado ainda melhor - tal como o mistério sexual que concebeu. Detectei também, com algum agrado pessoal, uma ou outra passagem que reflecte os autores vitorianos que, numa entrevista ao Público, Tordo enuncia como influências. Menções a morcegos e à lividez que evocava alguém a sugar o sangue durante a noite...

E dentro em breve, irão perceber porque falo especificamente nisto.

Não gostei da técnica usada nas notas de rodapé. Não sei se é algo à David Foster Wallace - mas não resultou.

De referir en passant o facto de resgatar uma personagem de livro anterior - Nina Millhouse Pascal - de quem a certa altura descreve assim:

"Aquela mulher que (...) eu sentira conhecer desde sempre - (...) como se eu a tivesse escrito num romance muito antes de a ter conhecido em carne e osso (...)."

E que cria uma outra personagem que segue para novo livro.

Em suma, vale a pena ler. Tem novidade e ritmo. Serve bem para escapar ao péssimo Inverno que teremos este ano.

290 páginas em Português
Kilometragem em Português:
1417 páginas.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Sexy MoFo

Who's your daddy?





Não percebes nada, isto é uma dedicatória cómica a um jovial bísaro - rei ghob é a titi.

sábado, 9 de outubro de 2010

Da Bazófia

À consideração do Edu, na fase de macho-man (essa réplica 'nacho-man' é para insinuar que eu estou gordo?). Aqui o Costanza até és tu, eh eh. No final - um pouco de paciência, que vale a pena.

Retirado do brilhante 'Roommate Switch'.



Sejamos honestos. Quando a altura chega a sério, a bazófia é a primeira a desnudar-nos.

Esta Nossa Quinta

Ainda o melhor livro sobre a 1ª República em Portugal:



Curiosamente, também se adapta muito bem ao 25 de Abril.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Parabéns!

Caramba, que já me esquecia de dar os parabéns à SIC pelo seu aniversário.

Ah, lembro-me tão bem dos começos... Afinal, eram os meus também.




quinta-feira, 7 de outubro de 2010

A Lição Brasileira

Um fenómeno que me intriga especialmente é a qualidade do Cinema brasileiro. Não tanto que o Brasil faça excelentes filmes, claro, mas esta sensação de que - deste lado do Atlântico - ainda estamos na estaca zero. Não me faz o mínimo sentido, tão colossal diferença.


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Testemunha de Java

A última coisa que a maior parte das pessoas que me conhecem esperam é que eu lhes diga que me matriculei num curso de Engenharia Informática no Técnico. Não, estou a brincar. O que a maior parte das pessoas deste-indivíduo-conscientes não espera é que eu diga que me converti em realizador de Cinema - versão amadora. Rectifico - que eu esteja a escrever um romance histórico baseado na construção do Mosteiro da Batalha. Digo, que eu esteja prestes a tornar-me colunista de uma pequena revista de automóveis. Talvez que eu esteja de malas feitas para o Brasil para um estágio de 6 meses no Rio de Janeiro, como aluno de um curso de Farmacoterapia.

Eu sou uma caixa-de-óculos de surpresas, não há dúvida. É que de vez em quando temos que dar um remix nesta vida.


quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Reading List 13



Eu sei que devia ter sido com o Machado de Assis, mas, na realidade, foi com o Nelson Motta e o Zuenir Ventura que começei a minha exploração - que espero longa - pela literatura brasileira. E não estou nada arrependido.

"Bandidos e Mocinhas", do Nelson Motta, é um policial que, como o apresenta Ferreira Fernandes, tem um ritmo fantástico, as histórias entrelaçam-se naturalmente na narrativa final. Tem pormenores deliciosos, que me fazem salivar por mais bons livros brasileiros. Assim os descubra eu.

Vale a pena ler este livro, é tão estonteante e adstringente como lima com açúcar e cachaça. Ou então foi porque este Verão, quando o li, aprendi também a fazer caipirinhas.



O "Inveja - Mal Secreto", de Zuenir Ventura terminei-o anteontem. É um excelente ensaio sobre inveja, que acaba por ser um policial também, involuntariamente. Curiosamente parecido ao tema de Nelson Motta ("Inveja" foi publicado primeiro).

Para mim, traz todas as definições que vou precisar para me referir a esse pecado. Só não gostei de Zuenir avisar que mistura factos e ficção (preferia que a história fosse fidedigna, como parece). Ou talvez isso seja apenas a honestidade que falta a outros.

529 páginas em Português
Kilometragem em Português: 1127 páginas.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Contra-Indicação

Hei... Eu não sabia disto.

TYS

Já não tenho grandes argumentos para justificar o meu ter previsto o sucesso de Lady GaGa (contra detractores). Olha, fica apenas um TYS: Told You So. Prontos, pá.

The Mourinho Affair

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Redenção

Redenção

I

Vozes do mar, das árvores, do vento!
Quando às vezes, n'um sonho doloroso,
Me embala o vosso canto poderoso,
Eu julgo igual ao meu vosso tormento...

Verbo crepuscular e íntimo alento
Das cousas mudas; psalmo misterioso;
Não serás tu, queixume vaporoso,
O suspiro do mundo e o seu lamento?

Um espírito habita a imensidade:
Uma ânsia cruel de liberdade
Agita e abala as formas fugitivas.

E eu compreendo a vossa língua estranha,
Vozes do mar, da selva, da montanha...
Almas irmãs da minha, almas cativas!

II

Não choreis, ventos, árvores e mares,
Coro antigo de vozes rumorosas,
Das vozes primitivas, dolorosas
Como um pranto de larvas tumulares...

Da sombra das visões crepusculares
Rompendo, um dia, surgireis radiosas
D'esse sonho e essas ânsias afrontosas,
Que exprimem vossas queixas singulares...

Almas no limbo ainda da existência,
Acordareis um dia na Consciência,
E pairando, já puro pensamento,

Vereis as Formas, filhas da Ilusão,
Cair desfeitas, como um sonho vão...
E acabará por fim vosso tormento.

Antero de Quental (1842-1891)

Reading List 12









Vamos, pois, tratar os despojos das férias. Antes de mais, os 4 volumes da série Dexter, de Jeff Lindsay, que me faltavam.

O primeiro da série, recordo, é excelente. 'Darkly Dreaming Dexter' parece-me ser, de todos os cinco volumes o melhor. Embora continue com bons momentos de humor, 'Dearly Devoted Dexter' já tem uma ou outra parte que eu achei... "lame" (embora a história de assassínio seja a mais arrepiante, mesmo perturbadora no primeiro contacto).

Definitivamente, o pior da série é o terceiro volume: 'Dexter In The Dark', em que Lindsay procura explicar a existência do Dark Passanger não da forma psicanalítica que faria mínimo sentido, mas como um deus bíblico que ocupa o homem. Não que eu seja contra deuses bíblicos malvados - mas é pouco convincente esse 'cross-over', estraga o Dexter enquanto ser possivelmente real. Este livro, julgo que aquele com maior número de páginas, está obscenamente cheio de 'palha', partes da narrativa que não significam nada para a história. Blargh.

Há, então, uma nítida recuperação no quarto volume, que já tem uma história mais convincente (exceptuando a viagem - inútil - de Dexter a Cuba com o namorado ex-operativo de Deborah - momento de 'palha' mais elaborado), mas não entusiasmante. O final, no entanto, é bastante bom.

O último e quinto volume da série será o segundo melhor, pelo papel do irmão de Dexter (que curiosamente regressa desde o 'Darkly Dreaming' pela primeira vez), sobretudo. Neste caso, a narrativa é mais homogénea, embora os vilões sejam talvez os mais rebuscados.

Mas todos eles valem a pena ler, pelo humor, ironia, e desconcertante opinião do mundo de Dexter. E eu, no meu caso pessoal, gosto muito de ler sobre sócio-disfuncionais, que trabalham no seu prazer íntimo em segredo, e que, apesar de passarem por 'bom tipo', têm sempre um vilão de estimação que desconfia deles. Gosto muito, mesmo.

1400 páginas em Inglês
Kilometragem em Inglês: 3285 páginas

Error!

Acabando por perceber que posso ter, hoje, cometido um erro horrível na minha vida. Mas os erros são assim - e só nos deveríamos queixar de nós. Mas, provavelmete, não é isso que vai acontecer.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Treino

Agora que a Educação Sexual (com maiúsculas) volta a ser tema do dia, não resisto a deixar a minha contribuição, remetendo para a excelência desta lição.

Vou ser cá um tio bem porreiro.



E, não menos excelente, porque não a opinião de Mark Twain sobre o assunto?

Tarantino's Mind

Uma das coisas que aproveitei para fazer estas férias - que parece estarem a prolongar-se indefenidamente - é apreciar alguns filmes que nunca me passaria pela cabeça ter visto, anos atrás.

Vai daí, apareceu o Tarantino.

Back With A "Macheia"

Guess whose back?


(foto Ana Pereira/24horas)

É: Joana Duarte e Joana Freitas. Evocadas neste outro mulherengo de um blog. Au bonheur des messieurs.

Hei, e eu... eu também voltei, obrigado pela atenção... Quanto a memórias, houve-as boas e más. Mas deu para trazer de recuerdo uma "macheia" de sol aqui para o blog. Bora lá.



quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Estouvar

Ok. O 12º trabalho foi cumprido. Uff.

Bora lá estouvar. Let's go and get us some memories.

O blog volta em Setembro. Um abraço.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

It's Stifler Time!

Está quase. A 'crew' está a ser reunida, a praia espera. A aventura histérico-juvenil-escapista também. It's Stifler time, baby!


B.B.

Creio que Roger Vadim, então seu marido lhe terá dito, à medida que a "libertava" (palavras com que justificaria o fim do casamento) para o mundo: "Tu serás o pesadelo de todo o homem casado".





.

Not My Life, Please

Huh... é só porque convém que isto não aconteça, que as coisas não acabem assim.

(Estão a ver a "bola vermelha" que acabei de escrever quatro palavras atrás? Pois cliquem com cuidado, que este blog é dos que avisa).


A Meretriz



You take the blue pill, the story ends. You wake up in your bed alone again. You walk down the street and see the same endless amount of girls you will never meet. In every kind of shape and coulour, from every country on Earth. You will not talk to them, not know them, not even kiss one. You will delude yourself with surrogates, each time promising yourself to be the last. Blue eyes, brown eyes, green eyes. You will not see them for more than a fraction of a second. You will develop intelectual interest in a number of themes, pleadging to have done so your entire life.

You take the red pill, you go to Wonderland, and I show you how deep the rabbit hole goes.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

My Favourite




Nina Persson.

Vida Gasta, Vida Reservada

Hoje sentei-me a escutar
Um velho bêbado no chão,
Ele precisava de falar
E eu, de fato e gravata,
Tinha coração a dispensar,
Que se lixe... porque não?

Tantos são
Os silêncios do dia,
Escutá-lo não me mata,
Nem esta pedra negra e fria.

Falou da sua vida, e dos erros
Que o levaram à bebida,
Erros pequenos, erros naturais
Pergunto-me se tal castigo em vida
Não será castigo a mais.

Agora é tarde,
A noite cai, e oiço a história novamente
Não...
Ah, velho bêbado
Nas palavras falta-te sóbria lógica -
Falas na desordem de quem só sente.

Passa então por nós
Uma rapariga
Altiva, e apressada,
Sem nos mirar,
Sem responder à pergunta do velho
(Inocente);
Segue como quem tem vida reservada,
Noutro tempo mais decente.

Não tão bela
Que precise de altivez,
Magra e seca, e talvez...
Talvez viva ainda sozinha,
Disfarce ao rir no telefone,
Escrevendo na Internet
Talvez não queira olhar
Para quem se compromete
Com vida em sorte calhada.

Para onde vão estas mulheres?
Que vida têm reservada?
Carregam aos ombros o peso imenso
De nada...?
O velho bêbado não suspeita
Que ela foge, contrafeita
Àquela perdição.

Serves-lhe de lição, velho
Que rodas a garrafa dos sonhos,
Vazia.
E deixo-te para jantar
Nisso tenho mais sorte que tu,
Mas janto o que houver -
Eu nunca faço reservas,
Não sou tanto que me importe.

E caminho respirando a noite
Fresca de serenidade...
Entre vós dois,
Não sou antes nem depois,
Não sou desgraça,
Nem cálculo de felicidade.

Pedro Oliveira

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Reading List 11



"Dancing Lessons For The Advanced In Age" é o primeiro livro que leio do escritor checo Bohumil Hrabal, e fiquei bem impressionado. Curto, consiste numa espécie de récita de um velhote a uma audiência de "jovens beldades", num estilo disperso, confessional. Está cheio de bom humor, de sátira suave. De um certo romantismo pragmático, como o de um aldeão que, por entre a crueldade humana, não esquece a beleza (sobretudo feminina), ou a forma de se rir de tudo aquilo. E isso, para a minha vida, é também o fundamental, devo dizer. Por isso é que já está em lista de espera o igualmente breve "Closely Observed Trains", mais famoso, e feito filme.

103 páginas em Inglês
Kilometragem em Inglês: 1885 páginas.

Per Le Vacanze

Eu ando a adiar a coisa - vários nós para atar - mas há-de vir o Verão à beira-mar. Ui.

domingo, 1 de agosto de 2010

Bella

Agora que me despeço da Margem Sul, não posso deixar de fazer um apontamento muito pessoal. Os portugueses são muito iguais em toda a parte, embora - desde Herculano - eles pensem que não. Apenas eu sou um pequeno-burguês lisboeto-rural, e tinha ouvido a minha parte de estereótipos ("aquilo é um deserto"). Fui ver como era.

Nestas zonas de Sesimbra, na proximidade de Setúbal, notei um fenómeno muito curioso: vejo os homens com temperamento marinheiro, algo agressivos, e desleixados, alguns mesmo porcos, quase como reflexo da sujidade das docas. Mas também francos, como se a impaciência cultivasse igualmente a honestidade.

Há o equivalente feminino desse perfil, é certo, mas há também uma variante feminina que me espanta realmente: pelo meio desse existir masculino algo rude, existe, por vezes, uma rapariga, uma mulher, de uma beleza inusitadamente delicada. Como que inebriantemente feminina, passe a redundância.

Uma beleza de Botticelli - silente, reservada, por vezes inconsciente de si. Temendo algo? Ia dizer uma beleza meridional, mas os casos de que me recordo tinham todos cabelos louros. Mais bem recordam-me as mulheres do centro e norte de Itália.




Visões de uma certa mulher do Sul europeu, suponho, no esplendor da juventude. Bella.


sexta-feira, 30 de julho de 2010

My Favourite Game IV (Final Level - Revelation)

Depois do Salem's Lot, ganhei uma certa curiosidade por Stephen King, e a pesquisa levou-me a uma sua colecção de contos - o Different Seasons.


Um desses contos, intitulado "Rita Hayworth And The Shawshank Redemption", inspirou o filme (que hoje considero magnífco). Não só se lê muito bem - percebe-se ao fazê-lo que para o filme foram transcritas várias frases integralmente, para além da própria (bem gizada) história.

Aparentemente, King chamou ao livro Different Seasons porque, creio, cada conto tem um pormenor que relaciona a história com a anterior. Digo "creio" porque, a diferença do primeiro, os próximos contos foram para mim intragáveis, e isso impede-me de incluir o livro na minha Reading List.

Mas serve isto para relembrar o final do "The Shawshank Redemption", em que Reth quebra a liberdade condicional para tentar encontrar de novo Andy, sob a benção magnífica do Pacífico, em Zihuatanejo.



Dou comigo a pensar: que vício é este que tenho de me meter em sítios diferentes, de mudar constantemente, de não criar raízes, de tudo me parecer uma prisão momentânea da qual tento escapar? Este vício de me esforçar, criar amigos para deixar amigos, manter respeito para o deitar fora? Que desperdício. Valerá a pena? Viver não é preciso, só viajar é preciso, como já citava Pessoa?

Tudo variações de um tema, na verdade.



E daí não sei. Não sei mesmo, talvez eu ainda venha a insistir neste nomadismo. Enfim, só tenho a dizer por agora "baby - I did it again". Vamos lá então, pela enésima vez, fazer o mesmo truque, jogar o mesmo jogo, esse meu doentiamente favorito. Respirar fundo - e vamos lá:

HOCUS POCUS ALTER LOCUS,
HOCUS POCUS ALTER LOCUS!

NOW YOU SEE ME
(NOW YOU DON'T)


Mas Qual Imperador Augusto?

Sweating like a whore in church por estes dias, meus amigos. Ou, como lhe chamam vocês, - Agosto.

"Cena" Nostra

Estava a falar ao telefone na sala, fechado, com um consiglieri. De repente, a mãe abre a porta - assim, sem mais. Não percebe, não percebe destes "men business" a.k.a. "cenas". E não, não quero ir já jantar, obrigado. Ah, a falta de sensibilidade.

A família não bate com a famiglia. Nada a fazer.



Nota: As minhas desculpas, mas só consegui achar a cena em Espanhol. Por acaso, até acho que não fica demasiado adulterada, a coisa.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

B) Os Momentos-Carolina (Inverno)

Os momentos-Carolina são a antítese dos anteriores. Servem para controlo e manipulação - pequena tortura pelas mulheres, para os homens que não chegam. Esta já não é a face da generosidade, do exibicionismo vital, da tolerância. Atenção, pois.

O nome vem desta passagem de "Manhã Submersa", de Vergílio Ferreira, que expressa bem o toreio jocoso a um touro que não sabe investir, resfolegante embora. E assim o torturam e lhe espetam farpas, impiedosamente.

"(...) Ora precisamente, como me sabiam algemado no fato preto, brincavam todos comigo, desafiando-me cobardemente para o terreno proibido. Eu não imaginava que isso pudesse acontecer, e tive por isso uma estranha revelação. Quando andava na instrução primária, lembro-me de alguns rapazes atirarem às raparigas que passavam gracejos a que elas não podiam responder. E já naquelas férias, uma vez que a Carolina saía de uma loja com uma pilha de lenha, o Calhau, sorrateiramente, atirou-lhe a mão aonde não devia, e disse-lhe duas palavras clandestinas. Carolina, afogueada de cólera, só soube responder:
-Vá-se lavar, seu velho jarreta.
- Mas tu queres mesmo saber se eu sou velho? - perguntou o Calhau muito sério.
E Carolina embuchou. Mas, na véspera do meu encontro na serra com os antigos companheiros, Carolina procedera comigo como o Calhau com ela. Depois de me servir a sopa, cruzou os braços sobre a mesa volumosa dos seios e plantou-se-me diante a ver-me comer. Sempre que eu erguia os olhos, logo aqueles dois seios se atiravam sobre mim, e me inchavam na mão, na cara, noutros sítios. Carolina, orientada talvez pela sua necessidade, deu logo conta da minha perturbação. E brincando comigo, como se eu fosse mais mulher do que ela, debruçou-se para mim num segredo:
- Já te apetecia, não?
Oh, eu nem respondi. (...)".

in "Manhã Submersa", Vergílio Ferreira (1916-1996)

A) Os Momentos-Manara (Verão)


Achou alguém por bem dar o nome de Coina a uma localidade na Margem Sul. Vocês conhecem - é a zona da A2 que anunciam estar em obras. Consta que tem uma feira - a Feira de Coina, onde se pode comprar toda a sorte de coisa. Yep.


Agora, o interessante é que foi uma mulher ao lado a fazer a piada mais fácil. Auch... Picante? Estranho? Picante-estranho. Esperem.


Há a do outro dia. Esse em que alguém levava um medicamento específico, bastante específico. 'Para que é que ela quer isto? Vai levar no c...?', ouvi dizer, corando. Auch!!!


Ontem mesmo um amigo me perguntava acerca de um aspecto curioso na anatomia genital feminina. Grave, eu não soube responder com certeza. Vínhamos da praia, com os melhores corpos a rebrilharem ao sol, corpos saudáveis, pletóricos. Formas femininas ao natural, de pernas perfeitas, e as nádegas de que depende, como já disse antes, hoje toda a nacionalidade. Nunca um esclarecimento esteve tão próximo and yet tão distante. A maldição de Tântalo.


A praia... Mulheres que andam, mulheres que páram, mulheres que se baixam, mulheres de quadris ao sol. Mulheres de costas. Mulheres que não sabem, mulheres que sabem, mulheres que não querem saber.



E nas lojas. Gente bonita que me atende, gente bonita que eu atendo. Embatuco, envergonho-me de mim. Nesta altura isso é-lhes divertido. Não falo com mulheres tão atraente noutro contexto, só as contemplo. Nunca fazem parte do meu círculo, e nunca conheci ninguém de que fizessem.



Afinal, porra, como é exactamente esse pormenor da anatomia feminina? Maldita esta ignorância sem inocência.

Calor, tanto calor. De repente, percebo que toda esta ânsia tem que ser falsa, não pode ser real, é insuportável, tsunâmica, se for real. De repente percebo que devo estar preso num livro, num livro de Milo Manara, com mulheres irreais, de fantasia, em torno a mim, com a líbido a ser assumida por elas, o prazer a ser cultivado por elas, sem mais ilusões de sedução. Com todos os pormenores anatómicos correctos, óbvios. Com a beleza ainda intacta, além do sexo, além da personalidade. São elas que assumem a pequena loucura em todos nós.

Estou preso num albúm do Milo Manara. E não quero sair daqui. Juro que não quero.