É estranho como alguém que me dá os mais ornamentados, mais barrocos e sentimentalões elogios, nas minhas costas, num repente, fala em surdina 'daquele gajo' em quem é mal-empregado isto ou aquilo. Um bocado como o 'Sr. Dr.', que é um nefelibata, mas a gente não conta, deixa-o lá estar que ele nem sonha.

É estranho. É um bocado como se o miúdo da lágrima estivesse a pedir na rua, eu lhe desse uma moeda, e assim que virasse a esquina, o querubim confessasse a alguém, mudando os contornos à face: 'Aquele cabrão só me deu cinquenta cêntimos. Que granda besta.'
Ocorre-me que talvez já não hajam D.Quixotes suficientes para a quantidade de Sanchos Pança, neste país.