segunda-feira, 29 de junho de 2009

Farlo Bene

E chego a casa cansado. Depois de sair do trabalho, tenho a sorte de ter jantar à minha espera. Ligo a televisão. Páro na Rai Uno, a tempo de ver o TG1 della notte.

Eis que me prende à realidade internacional, como à realidade italiana, uma 'conduttrice' em quem não tinha reparado como merece. Barbara Carfagna: tantalizante ruiva, encantadoramente senhoril. Ui.



Definitivamente, passou a ser a minha apresentadora do TG1 favorita. Sempre tive esta queda pelas 'rosse'. Embora, convenhamos, Maria Luisa Busi também tenha os seus dias.



Adorável nesta situação do irritante 'solito incivile'.

Mas eis que, com uma ruiva a falar encantadoramente de um mundo tão pouco encantador, e lembrando-me de uma loira, segue no 'Sottovoce' de Gigi Marzullo a entrevista a Sabrina Ferilli, conhecida, entre outras vicissitudes, por ter prometido fazer um 'strip' se a AS Roma fosse campeã (aconteceu eventualmente em 2001, mas a promessa ficou pela lingerie), e por ter feito o mais rentável calendário (esse sim, a nu) para a revista Max.





Mas Ferilli é claramente uma mulher que envelheceu graciosamente, com toda aquela doçura morena, mediterrânica. Como um fruto maduro pela luz desse mar, e todo um novo sabor de mulher.





Extraordinários eram os brilhantes olhos de morena. As mulheres têm esta virtude, de num repente tudo se resumir ao encanto do brilho do seu olhar. Olhos morenos, genuínos como os risos que soltava entre as perguntas. 'Toilette' irrepreensível... Isto sim, é televisão. Isto sim, é uma distracção, uma pausa devido ao fim do dia de trabalho. Estupendo. E eis-me novamente com saudades de Itália.

Enfim... Ah, e a RTP1 estava a dar os Prós-e-Contras. Parece que foi interessante.*

*Que me perdoem o sarcasmo, mas só me sentiria culpado se o Prós e Contras fosse realmente um programa de qualidade - que não é.

O Lag 'Não-Voes-Demasiado-Alto'

Aquilo que é perfeitamente exasperante em Portugal é... o tempo que nos roubam. O tempo imenso entre os nossos esforços e o resultado deles, entre o trabalho e o 'yes!', quase como se não pudessemos gritar esse 'yes!', ficasse mal, fosse obsceno.

As vitórias, neste país, são mais bem aceites se forem morais, e não absolutas. Sobretudo, se forem vitórias absolutas de ordem individual - essas sim, são insuportáveis. E eu mesmo, num repente, padeço dessa mesma relativização lusitana. Quando critico Cristiano Ronaldo, por exemplo - e ele, diga-se o que disser, é exemplo dessa vitória individual - absoluta. Ponto.*

*Talvez venha daí o nosso sucesso futebolístico: o golo ninguém controla. É um fim próximo, e permitido. Não como estudar, aprender algo difícil, que pode levar vários anos - sem a recompensa do fim. Um vagar no oceano sem certeza de quando se verá a praia. E nesse sentido, pois, é muito mais difícil que jogar à bola.

domingo, 28 de junho de 2009

Cultura Táctica vs. Futebol Total

Um aspecto curioso da selecção brasileira, que me diverte imensamente por ser a antítese da mistificação do futebol que fazem alguns 'geeks' das tácticas, é que o ataque é geralmente imprevisível. Qualquer jogador brasileiro pode receber a bola - com a excepção dos dois centrais e do guarda-redes, todos a tratam de forma exímia. Todos sabem passar, centrar, driblar (!), rematar, enganar, criar. Basta que a bola circule. Se é o trinco ou o avançado que descobre o caminho... logo se vê. É mesmo assim.

Eis como o Brasil nega os 'discípulos de Adam Smith' no futebol - negando a divisão do trabalho. Cada um faz tudo - e bem. Não há necessidade de extremos, interiores, trincos, segundos e primeiros pontas-de-lança... 'de raíz'. Nem de gente a cobrar para discorrer doutamente sobre tácticas como se de abordagem cirúrgica se tratasse [boceeeejo]. Só há necessidade de jogar à bola. Mais nada.

'Sorry' Mourinho - mas o Brasil até eu treinava.

Tenaz, Tenacidade


É. Exame próximo. Bora lá. É sempre assim: sozinhos ou com quem vier connosco. Com as circunstâncias que houver.

Ninho de Rato

Este é
Um ninho de rato,
E, de facto,
Assusta quem se surpreenda
Com a humanidade
De ter prazeres de rato -
Curiosos, esguios, furtivos -
Sem emenda,
E sem outros motivos.

Este é
Um sítio escondido,
Dos juízos
De outros animais,
Bem tratados...
Ah, mas este rato
Sabe que eles comeram demais,
Para jejuar em seus ditados.

Pelos cantos há
Migalhas de satisfação
Bastam:
Um rato
Também se nutre da distracção.

Este é
O ninho de um pequeno roedor
Fugindo ao espaço da vida,
Cortejando de fugida
A sua dispensa...
Temendo a sua vassoura,
Mas é um ninho de rato livre -
Repugnante embora -
Sobrevivendo sem licença.

Pedro Oliveira

Do Not Cross

Entrevista de Durão Barroso ao 'La Tribune', económico francês.

"Y a-t-il des lignes rouges, des choses qui soient inacceptables ?

La grande ligne rouge, c'est la liberté justement. Et c'est aussi, même si cela peut paraître étrange pour un président de la Commission, mon pays. Il n'y a pas de contradiction à être un patriote et un Européen convaincu. S'il y avait une agression à l'encontre de mon pays, ce serait mon devoir de le défendre. Et si besoin, de risquer ma vie.

Je n'ai aucun problème à le dire, même si cela ne cadre pas avec le politiquement correct de Bruxelles. J'aime cette phrase de Romain Gary : "Le patriotisme, c'est l'amour des siens ; le nationalisme, c'est la haine des autres." Dans mon cas, c'est du patriotisme."

sábado, 27 de junho de 2009

Não Há... Dinheiro Grátis

O problema com os pais e o dinheiro é sempre o mesmo - é nós sermos os filhos, e eternamente 'os miúdos'.

Donde, não há dinheiro 'dado', por muito que pareça, se suponha. Tem sempre 'strings attached'.

- Toma lá este dinheiro para comprares roupa.

- Ok. Obrigado [estende a mão].

- Mas vê lá se o não gastas todo de uma vez.

- Ok. Não gasto [estende a mão].

- E não o desperdiçes nisto, ou naquilo.

- Eu não desperdiço [estende a mão].

- E fazes favor só compras isto e isto.

- [estende a mão]

- Porque os tempos estão difíceis, e o dinheiro não é para gastar estouvadamente.

- [estende a mão, começa a perguntar-se se vale a pena deixar de ser poupado para receber merecidamente tal advertência].

- E não deves usar isto ou aquilo, percebes?

- [...]

Eis como nascem milionários estúpidos que rebentam uma fortuna que aparece no seu caminho - tiveram seguramente pais que practicaram a 'antítese' dessa tese, durante muito tempo.

E a síntese para 'os miúdos', claro está, é dos Offspring:


Summertime (?... Raios)



Ah, o Verão. O sol suave sobre a pele, a brisa meiga, a areia na planta dos pés, as mulheres que passam em biquini, em calções, deitadas em insuspeito deslumbre... 'Chill out' puro...

Para mim, no entanto, este é mesmo trabalhar, nomeadamente numa cave com ar saturado, a 30ºC, e cuja porta abre para receber uma magnífica brisa de ar p... oluído, inquinado, fabricado pelos escapes dos automóveis que entram no parque (eis o local da dita cave). Um vento marciano, ou de Plutão, envenenado, trágico para um 'gajo do Campo'.

Mas bom - se as mucosas aguentarem até ao Inverno, cá continuarei a escrever. (Coff, coff).

Will You Desist, Madam!

Hum... Se eu sou um indivíduo livre (last time I checked), e também levo com os maus fígados dos outros, porque é que ainda me custa tanto cortar as chamadas telefónicas a perguntar pela enésima vez se quero por menos 5 euros alguma espécie de todos-os-canais-excepto, box-analógica-sem-mensalidade-downloads-até-325.145megas, com-instalação-gratuita, migração-para-ainda-mais-megas, canal-também-incluído, nessa bulimia de TV-digital-por-cabo-com-internet-e-telefone?

Ups - perdi-me a seguir a 'Sr. Pedro...'. Já nem sei o que querem oferecer (nunca mais acaba!) - só quero a oportunidade de dizer: 'Não, obrigado' (Uf!).

O que hei-de lhes fazer? Se estou interessado? Não... Nãoooo. E não me obriguem a dizer: Não!!! Largue - desista, minha senhora. Eu sei que estão a trabalhar, e só por isso oiço tudo até aos cêntimos, mas... 'give me a break'. Eu tenho mais que fazer, gastar, perder o tempo. Não me maçarão até à venda - e por isso peço desculpa.

Sem mensalidade??? Não quero nada! Tchii... e ainda tenho que pagar bastante, só em culpa por dizer 'não'. Eu sei que a pessoa está a trabalhar e a fazer pela sua vida, eu sei que ela tem que me maçar para vender - mas ainda não posso dizer não. Sejam gentis - desistam, se faz favor.

Ah - e é para ir até ao minuto 5:27 do vídeo abaixo. Grazie mille.

Women Only

domingo, 21 de junho de 2009

O Deserto da Surpresa

Nisto, dei comigo a recapitular. Estou neste momento a começar um novo emprego, e considero-me, relativamente, e no estado de coisas actual, um privilegiado. Mas há algo que não descansa quem faz mesmo a sua pequena função nesta sociedade - e refiro-me à própria sociedade, ao próprio país.

Hoje em Portugal, vive-se um estado de anarquia, entropia latente, de desconfiança e falta de laços reais. Parte dos problemas serão, suponho, portugueses, mas grande parte também internacionais. Se considerarmos uma sociedade moderna em função de parâmetros de educação e de riqueza, cientificamente aferíveis, e uma sociedade ocidental em função de valores - divisão entre Igreja e Estado, primado da Lei, defesa de direitos humanos, poderíamos dizer que, porquanto Portugal seja ainda uma sociedade moderna, tem vindo progressivamente a diluir a componente de Civilização Ocidental. Isto é, vive num vazio de valores, que se manifestam numa incerteza epidémica.

Por exemplo, que expectativas temos hoje ao ir a um hospital? Podemos ser impecavelmente tratados - certamente que há profissionais desse calibre nos nossos serviços hospitalares - mas também podemos ser acotovelados para alguma situação indigna, alvos de má-educação, por vezes até de erros de diagnóstico, e terapêutica, subjugados ao factor humano, aos ditames de falta de liderança, de excesso de trabalho, por exemplo.

Esse é o nosso país neste momento - o Deserto da Surpresa. Não se sabe o que se vai encontrar, se a práctica de valores ou esforço de coridalidade fazem sentido. Pode-se ser bem-tratado, pode-se ser mal-tratado. Certamente, porém, nada se sabe. Este é um caos que serve apenas - e já não é mau - para manter o estado de coisas. Dificilmente servirá para criar algo de novo. E a criatividade é a única solução para Portugal. Sem novas ideias, face à conjuntura terrífica que se nos apresenta, nada será resolvido.

Não me parece que haja no país quem saiba intrepretar os problemas portugueses nesse sentido profundo. Nem mesmo intelectuais dos mais completos (e ubíquos) como é o caso de José Pacheco Pereira. A 'crise' passa também por eles.

Fácil seria terminar dizendo que tudo é somente uma questão de partidos, de políticas. Também é. Mas essa é uma explicação incompleta. Tudo começou numa demissão dos portugueses acerca do seu próprio espaço pátrio. Há uma série de crimes de omissão passados que serão difíceis de emendar para as gerações mais novas. Talvez elas tudo possam, porém, esquecer. Trabalhar em equipa, inventar coisas novas. Não será fácil - mas nunca foi.

É que o povo português é demasiado inteligente para não perceber os sinais na sua rota de navegação: se houver exemplo, transparência, de quem dirige o país (e convém não cair no facilitismo paternalista de pensar que tal diz respeito somente a um primeiro-minitro, a um partido - analise-se a demissão das nossas elites, a merecerem o eterno manguito do Zé Povinho), o paradigma poderá mudar. Mas existem precedentes demasiado graves para que tudo possa ser facilmente esquecido.

terça-feira, 9 de junho de 2009

No Seio da Injustiça

Que a vida é injusta é algo para que não seria necessário estar a trabalhar a um balcão, servindo (?) outras pessoas. Mas... a vida é injusta - e que eu meta decotes de mulher nesse sofisma só prova a sua abrangência.

Sim - decotes de mulher. E não seria necesário especificá-lo, porque a natureza dos mesmos é feminina (não serão aqui tratadas as excepções). Mas eis que os mesmos reflectem (hum...) a injustiça, que nos apercebemos num segundo macular a sociedade. Chego enfim à explicação: acontece que, estando a trabalhar num balcão, comprovo uma regra algo absurda: a tendência para olhar para o decote é maior no caso de mulheres... menos atraentes.

Isto porque na minha linha de negócio não faltam mulheres deslumbrantes (e eis a sua única intersecção com a minha história de vida), mas a essas, por ridículo que possa parecer, somos presos pelos seus olhos. Talvez porque o corpo, o cabelo, a postura, a... aura, estejam já de acordo com um cânone qualquer da nossa mente. E por isso desejam-se também uns olhos deslumbrantes para tudo ser etéreo, onírico, elíseo...

Já quando a mulher perante nós não tem o mesmo perfil deslumbrante, o olhar desce... irritantemente. Porquê? Não sei. Não tem a menor lógica. Não, nem sequer esse pouco Freud que sugeres o explica. É injusta esta vantagem das mulheres bonitas em relação às outras - esta 'self-fullfilling prophecy', o 'efeito bola de neve', que tem a seu favor mulher bonita. Mas é assim a vida - e eu próprio dou comigo a ser motor dessa injustiça.

Depois do último parágrafo páro a pensar se a regra terá simetria para o outro sexo... E se elas, em geral, procuram mais o olhar dos homens atraentes, e tentam salvar os outros com qualquer adereço físico menos elevado.

Hum... Nota mental: comprar calças mais justas.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Gárgulas

E eis como as gárgulas faziam parte de um todo. Ao longe, à distância, via-se apenas a beleza, o esplendor da catedral. Mas elas estavam lá, pequenas, mirradas - feias, invisíveis a manter o todo. Ah... gárgulas - corcovadas, fugindo da luz, debicando os céus, se puderem - se as deixarem, numa distracção.

Ah... gárgulas. Humanas - demasiadamente humanas.

Cantos de Sereia, Mas Espera-Me Ítaca

Eu costumo dizer que gosto muito de mulheres - e por isso nunca me deixo instrumentalizar por elas. Porque as mulheres, em geral, também não gostam verdadeiramente de homens que possam instrumentalizar. Secretamente, no seu íntimo, para elas são sempre homens idiotas. É que... se elas os podem manipular, quem garante que outras também não possam?

Não - o homem que gosta verdadeiramente de mulheres nunca se deixa instrumentalizar por nenhuma. Por nenhuma.