Um ninho de rato,
E, de facto,
Assusta quem se surpreenda
Com a humanidade
De ter prazeres de rato -
Curiosos, esguios, furtivos -
Sem emenda,
E sem outros motivos.
Este é
Um sítio escondido,
Dos juízos
De outros animais,
Bem tratados...
Ah, mas este rato
Sabe que eles comeram demais,
Para jejuar em seus ditados.
Pelos cantos há
Migalhas de satisfação
Bastam:
Um rato
Também se nutre da distracção.
Este é
O ninho de um pequeno roedor
Fugindo ao espaço da vida,
Cortejando de fugida
A sua dispensa...
Temendo a sua vassoura,
Mas é um ninho de rato livre -
Repugnante embora -
Sobrevivendo sem licença.
Pedro Oliveira