José de Pina, acerca do "PPD/LSD":
quarta-feira, 31 de março de 2010
sexta-feira, 26 de março de 2010
Inatacável
Menina moral de gelatina,
Menina de moral compensada,
Menina, oh - sempre menina!
Que sobre tudo esconde um nada.
Menina cumpridora,
Impos... imposidora!
A quem se porta mal -
Manda nos dias de juízo fatal,
Dias de juízo carnal,
Fala para deslumbrado juíz
Que apenas ouve o que diz
(Os pequenos homens de Deus são imbecis).
Musa da ocasião,
Muda de opinião,
Pároca da pseudo-comunhão,
Menina não sente
(Não sente, não),
É demasiado omissa
No pecado de omissão.
Inatacável...
Como no Princípio.
Pedro Oliveira
Menina de moral compensada,
Menina, oh - sempre menina!
Que sobre tudo esconde um nada.
Menina cumpridora,
Impos... imposidora!
A quem se porta mal -
Manda nos dias de juízo fatal,
Dias de juízo carnal,
Fala para deslumbrado juíz
Que apenas ouve o que diz
(Os pequenos homens de Deus são imbecis).
Musa da ocasião,
Muda de opinião,
Pároca da pseudo-comunhão,
Menina não sente
(Não sente, não),
É demasiado omissa
No pecado de omissão.
Inatacável...
Como no Princípio.
Pedro Oliveira
sábado, 13 de março de 2010
Fogo, Fumo e Dor
Estás cansado -
Todos os dias mais lutas
Contra um dia inesperado.
Estás doente -
Nada de anormal,
Fatal,
Não... nada de especial;
Só a angústia da corrente
Que flui, turbulenta
E já era tempo de ser una
Mas ninguém tenta.
Estás saudoso, esperançoso -
Nunca mais chega um tempo brioso
Para que te estás a guardar.
Dias viver, já não padecer,
Dias em que enfim decides
O que gostas de fazer.
Fogo, fumo e dor
Em dias bolorentos
Sem o vigor
Da idade que tens,
Vais, conspiras, tentas, vens...
Silenciado por tormentos
Que não podiam acontecer.
E aprendeste a viver
Em prisões de medo de uma distracção,
Gotas de perigo a escorrer
Pela parede,
E tu já acreditaste antes -
Antes -
Numa solução.
Pedro Oliveira
Todos os dias mais lutas
Contra um dia inesperado.
Estás doente -
Nada de anormal,
Fatal,
Não... nada de especial;
Só a angústia da corrente
Que flui, turbulenta
E já era tempo de ser una
Mas ninguém tenta.
Estás saudoso, esperançoso -
Nunca mais chega um tempo brioso
Para que te estás a guardar.
Dias viver, já não padecer,
Dias em que enfim decides
O que gostas de fazer.
Fogo, fumo e dor
Em dias bolorentos
Sem o vigor
Da idade que tens,
Vais, conspiras, tentas, vens...
Silenciado por tormentos
Que não podiam acontecer.
E aprendeste a viver
Em prisões de medo de uma distracção,
Gotas de perigo a escorrer
Pela parede,
E tu já acreditaste antes -
Antes -
Numa solução.
Pedro Oliveira
sexta-feira, 12 de março de 2010
A Minha Farmácia I: A Volta do Monstro
A minha farmácia, a farmácia onde trabalho de momento, tem várias semelhanças com o bar de "Cheers". Ou então, sucede apenas que eu me entretenho a rever a série (que ainda não me entusiasma demasiado, tal como há anos atrás), em reposição na RTP Memória.
"Where everybody knows your name/And they're always glad you came" - assim vai a canção. É. E assim gostaria eu de receber os clientes. Infelizmente, porém, se alguma vez ainda consegui fazer de "Sam"...
...demasiadas vezes acabo por ser apenas um "coach", atrapalhado, esquecido - e confuso.
Curiosamente, não é descabido puxar para as minhas duas colegas a comparação com a "Carla" e a "Diane". A semelhança é tão boa que recuso-me a mais desenvolver o tema.
Desde que começei, foi-me possível - como é inevitável a um farmacêutico, que lida com todo os aspectos que as pessoas evitam levar para a sua vida "mainstream" - fazer aquilo que o Pacheco Pereira chamou um dia da "volta do monstro", e que eu interpretei sempre como a perda de um certo idealismo de juventude - da "virgindade antropológica", chamo-lhe assim. Basicamente, constatar o lado negro da natureza humana.
Ocorre que, por prazer desde que me conheço, consigo ler em várias línguas, tenho uma cultura geral que me permite ter uma mínima conversa com vários tipos de pessoas, e completei um curso superior. Mas amiúde atendo pessoas que me não me consideram - de todo - um "doutor". É certo que eu nunca puxo esses galões, como me nauseia ver fazer. Nauseia sobretudo porque é mais próprio dos "pseudo-doutores".
Mas estranho tratarem-me por "tu", ou, pior, surriparem os complementos de uma frase para a tornar possessiva, nunca mais gentil. "Traz-me isto", ou "Quero aquilo", etc, etc. O "se faz favor" e "obrigado", castigada a sua falta mínima em mim, parecem ter feito, na mente obtusa destas pessoas (felizmente uma minoria), uma espécie de "murder-suicide pact" - já não podiam ali viver mais. O "se faz favor" pediu ao "obrigado" para o balear, e este último viu-se... obrigado a suicidar-se também - por gratidão.
Mas o pior está por descrever: o achincalhamento ad hominem, ou seja, o espectáculo de humilhação pessoal - dirigido a mim - por (até agora) 2 pessoas distintas, que, sem piedade, se desfazem das suas frustrações ofendendo um rapazito novo ao balcão - porque sim. Felizmente, constato - e quem me conhece sabe que prezo a honestidade intelectual - sem mácula minha, sem razão objectiva de queixa. Já errei nesta profissão, confesso - mas não errei em nenhum destes 2... X-Files.
Um deles, curiosamente, era um homem parecidíssimo também com o Cliff Clavin do "Cheers" (na foto à esquerda do Norm), e do dia antes, em que me aborreceu com uma descrição inusitada da sua vida, percebo que as semelhanças não se ficam por aí. Recordo os seus olhos estranhamente vermelhos, a falta de lucidez básica no discurso, e a negação de todas as minhas "exit strategies" da conversa: cada vez que me afastava para ir arrumar algo, ele... continuava a falar. Nunca tinha visto algo assim. "It's a little known fact" - parecia ele repetir a cada ronda de trivialidade.
Na noite seguinte a este confessionário, veio à farmácia chamar-me practicamente idiota e mentecapto matemático, urlando perante todos os clientes e colegas, vermelhíssimo novamente, para exigir 10 euros de troco do dia anterior. Emprestei os documentos em causa à minha superior, para que ela fizesse as necessárias contas - que revelaram um erro. Tive que lhe pedir desculpa, e voltar para casa com os nervos em franja. Mais tarde a minha superior ligou-me: o "Cliff" tinha ido à farmácia confessar que se tinha enganado, e ela própria tinha feito as contas mal, com os documentos que lhe dei. Inocente, eu? Só depois de ser gratuitamente rolo-comprimido - sem direito a desculpa, naturalmente.
Tudo escrito, não é que eu não soubesse do "monstro", mas ainda me aborrece. Torna este país ainda menos especial, diferente até do que eu pensava dele em criança. Igualzinho aos outros, sem tirar nem pôr. E é pena. Eu tenho pena.
Mas bom, esta "volta do monstro" constitui a primeira lição que a minha farmácia, enquanto microcosmos, me tem dado sobre o meu país. A segunda segue dentro de momentos. Não a percam.
domingo, 7 de março de 2010
Momentos - 6
Celso havia tentado todas as abordagens possíveis, a todo o tipo de mulheres naquele bar. Todas ainda não! - lembrou-se porém, num ápice feliz, e começou a rabiscar poemas num guardanapo.
Recordara-se da técnica de passar poemas às moças do seu tio Ricardo, nos idos 50s. Parecera-lhe lamechas quando ouvira a história, pela primeira vez, e por todas as seguintes, que o tio Ricardo era infatigável a propagar os triunfos amorosos da juventude.
Não, "poemas" era algo de lamechas - passé. A estes guardanapos rabiscados de inspiração, ao fumo do tabaco, Celso iria chamar - com grande satisfação pelo nome encontrado, e seguro do seu talento literário - "massagens de texto". Afinal - estávamos no séc. XXI.
Recordara-se da técnica de passar poemas às moças do seu tio Ricardo, nos idos 50s. Parecera-lhe lamechas quando ouvira a história, pela primeira vez, e por todas as seguintes, que o tio Ricardo era infatigável a propagar os triunfos amorosos da juventude.
Não, "poemas" era algo de lamechas - passé. A estes guardanapos rabiscados de inspiração, ao fumo do tabaco, Celso iria chamar - com grande satisfação pelo nome encontrado, e seguro do seu talento literário - "massagens de texto". Afinal - estávamos no séc. XXI.
Querido Diário - 46
Hoje a minha avó perguntou-me que raio de filme era aquele de que as pessoas estavam sempre a falar. Seria um filme de gente a deitar coisas, lixo fora? Para ela, só podia ser. Com um nome como "Aventar" - só podia ser.
Querido Diário - 45
Acho que as mulheres têm 3 idades: quando jovens, têm muita vergonha, um corpo fantástico e nós temos que ter mil cuidados para não dar a mínima pista de interesse sexual - todos os rapazes são pervertidos até provado contrário. Pelos menos os que usem barriga e óculos, vá.
Depois casam-se - e, naturalmente, o sexual deixa de ter grande interesse; torna-se uma rotina, como trabalhar, fazer a lida da casa, etc. Esta idade serve para vender a Marie Claire e a Mulher Moderna e, do ponto de vista dos rapazes novos, apenas para inspirar argumentos heterodoxos de filmes manhosos.
Mas vem então a terceira idade, uma espécie de sprint até à menopausa, em que elas ganham súbito interesse em homens mais novos, perdendo toda a vergonha - e, nós, rapazes, vemo-nos obrigados a pedir a Deus que elas a recuperem.
Porque a vergonha, no feminino, está provada existir em proporção inversa ao coeficiente de "gostosura". Resumindo, querido diário, porque é que as senhoras nos cinquenta que eu atendo não evitam os decotes e estão demasiado prontas a despirem-se apenas para uma medição da pressão arterial? É que eu só tenho conversas monossilábicas com raparigas atraentes.
A vida é injusta.
Depois casam-se - e, naturalmente, o sexual deixa de ter grande interesse; torna-se uma rotina, como trabalhar, fazer a lida da casa, etc. Esta idade serve para vender a Marie Claire e a Mulher Moderna e, do ponto de vista dos rapazes novos, apenas para inspirar argumentos heterodoxos de filmes manhosos.
Mas vem então a terceira idade, uma espécie de sprint até à menopausa, em que elas ganham súbito interesse em homens mais novos, perdendo toda a vergonha - e, nós, rapazes, vemo-nos obrigados a pedir a Deus que elas a recuperem.
Porque a vergonha, no feminino, está provada existir em proporção inversa ao coeficiente de "gostosura". Resumindo, querido diário, porque é que as senhoras nos cinquenta que eu atendo não evitam os decotes e estão demasiado prontas a despirem-se apenas para uma medição da pressão arterial? É que eu só tenho conversas monossilábicas com raparigas atraentes.
A vida é injusta.
Momentos - 5
Ninguém mais se lembraria do Caiado, que um dia defendeu contra um professor catedrático a tese do estreito parentesco evolutivo entre o ser humano e um molusco endémico de Cabo Verde. Ou do Gorjas, que um dia abriu uma loja em que dividiu o balcão em "Atendimento Rápido" e "Atendimento Prolongado", até perceber que nunca ninguém tirava a senha do segundo.
Também para a História não ficariam as façanhas do Façanhas, celebrizado no seu bairro lisboeta por ler o jornal da manhã na pastelaria, sem usar qualquer peça de roupa - mesmo nos dias frios. Ou do Rafa, fatídico gago que concorreu a todos os concursos de canto do seu tempo.
Todos haviam já irremediavelmente falecido.
Quando pensava nestes casos, que conhecia tão bem, Quico era incomodado pela ideia de que o Tempo os apagaria a todos da memória colectiva. Foi então que, para evitar tal desdita, decidiu fundar o "Clube dos Patetas Mortos". Mais não fosse, era uma perfeita patetice - e, logo, uma homenagem à sua memória.
Também para a História não ficariam as façanhas do Façanhas, celebrizado no seu bairro lisboeta por ler o jornal da manhã na pastelaria, sem usar qualquer peça de roupa - mesmo nos dias frios. Ou do Rafa, fatídico gago que concorreu a todos os concursos de canto do seu tempo.
Todos haviam já irremediavelmente falecido.
Quando pensava nestes casos, que conhecia tão bem, Quico era incomodado pela ideia de que o Tempo os apagaria a todos da memória colectiva. Foi então que, para evitar tal desdita, decidiu fundar o "Clube dos Patetas Mortos". Mais não fosse, era uma perfeita patetice - e, logo, uma homenagem à sua memória.
Adult Approach
About time
I had an adult approach to things,
But every time I try
I like it too much, it seems.
As such,
I will never be an adult, most of the time,
So I’ll keep on feeling one, as long as I lie
(Not unlike some hopeless guy).
Pedro Oliveira
I had an adult approach to things,
But every time I try
I like it too much, it seems.
As such,
I will never be an adult, most of the time,
So I’ll keep on feeling one, as long as I lie
(Not unlike some hopeless guy).
Pedro Oliveira
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