Pinheiro de Azevedo: o meu ídolo na Política portuguesa, desde que vi estas declarações na RTP Memória. Eis um homem com o sentido do que conta realmente.
Isto é impagável de tão castiço. Mas eu não estou a brincar - ele é mesmo a minha maior referência política.
Uma muito necessária reflexão escatológica, porque... sei lá, porque o nível deste blog carece de ser baixado, para despistar os sôfregos olheiros do mundo da edição de blogs. Por exemplo.
Isto para introduzir o conceito de "sharting" como uma ameaça, num mundo demasiado rápido e cafeinado, ao homem moderno. Acontece.
Hei - é o que dá viver sozinho, e deprivado de "avacalhar". Há dias em que a filosofia, o resumo do dia é de sarjeta, e não há ninguém com quem partilhar. E então, crê-se produzir um post - mas sai "foul smelling stuff".
(Em que post é que eu me queixava de não conhecer raparigas? Hum... As peças do puzzle começam enfim a encaixar).
Desculpa Barça - em pots perdonar? - mas não era mesmo para ser desta. O Inter mereceu, pelo estoicismo com que sofreu. Tens que reflectir na tua variação de "Zidanes e Pavones" (Pepe, esta é para ti). Tens que te libertar dos Laportas e outras boleias.
Volta à calle, volta à cancha. Volta assim que te encontrares.
E naquele momento apercebi-me: caramba, posso ilustrar um bocado da minha vida com os Bloodhound Gang. Como é que eu ainda não tinha pensado nisso antes?
Recuemos uns dez anos, para esta altura do ano, nas bancadas de cimento do campo de baixo, em que nos sentávamos, nos intervalos mais longos. Esta música passava no recém-instalado sistema de som. Eu não percebia nada da lírica além do refrão, ou alguém já me havia explicado o conteúdo explícito. Mas a música soava bem, e essa noção de malandrice, rimava connosco, adolescentes e... "horny bastards" - mais ou menos óbvios, mais ou menos estetas (acreditem: é possível ser um "horny bastard" e esteta ao mesmo tempo - culpem a educação católica). Éramos, sobretudo, curiosos. Pouco tempo depois, creio, lembro-me de um amigo (outrora leitor deste blog) me descrever as cenas do filme "American Pie", acabado de sair. Para minha estupefacção, claro, que pensava não serem aquelas coisas "passáveis" para o cinema "mainstream". Começara a era dourada do "teen movie".
Olhando para trás rio-me de sermos assim, inassumidos horny bastards. Mas... seremos hoje tão diferentes? Se já não houver o decote da professora sobre que efabular, já conquistámos o Evareste erótico que parecia tão distante? Caramba, eu não. Continuo um horny bastard.
Naquele momento em concreto, porém, apercebi-me de quanto juvenil sou ainda. Não só horny bastard, como "teen", crendo em qualquer outro tipo de sentimentos misturados. Nalguma quadratura do círculo mesclando amor e sexo - de forma sublime.
Claro que, como também vos tenho explicado, a tendência - símia - em descair o olhar, a espaços, para o decote, digo a senhora, que estou a atender ao balcão (o que me irrita comigo mesmo, mais que dá alguma satisfação), recorda-me realmente o inevitável chimpazé "within". Yap, ainda um macaquito.
Esse, aliás, é apenas um dos desabafos do meu trabalho ao balcão. Outro envolve um género diferente de clientes.
Começo por dizer que os "velhotes" são os meus clientes favoritos. Mais prováveis de dizer a verdade, de não me tentarem enganar. É mais linear e... pura a conversa com eles. O que faz sentido, pois a maior parte já viveu as suas vidas, já gastou demasiado tempo para ainda secretamente pensar que amanhã é que vai ser o rei do mundo. Quando diz que gostava que tudo estivesse bem para todos, é sincero ao dizê-lo, não dá corda à aparência, para esconder o que seja.
Mas, porquanto adore atender alguns velhotes, ele há situações muito pouco agradáveis do trabalho com idosos que me remetem - perdoem a honestidade - para outro vídeo (não para a sua lírica, atenção) dos Bloodhound Gang. Mas esses momentos de desconforto no desterro, agora me apercebo, fizeram aquele momento ainda mais intenso.
E eis-nos chegados ao último vídeo, e também ao começo, ao primeiro "momento Bloodhound Gang", que tudo despoletou.
Estava eu a lidar na minha pasmaceira habitual, quando entra pela porta uma miúda deslumbrante. Esperem aí... aqui, no meu desterro? Especialmente deslumbrante porque, de repente, me parecia - sem exagero - a Carmen Electra. Mas aqui? Nem nos mais óbvios sítios de Lisboa eu caio já de queixo assim. Ai, caramba. What next? Será que o meu vizinho agricultor é, na realidade, o Prince na reforma? The "jovem agricultor" formerly known as Prince?
Hora de abanar a cabeça. Modo Descartes: pensei em chamar a minha chefe. Habitualmente, aquele calibre de visual pretende mais que ser atendido ao balcão, representa empresas, etc. Mas não, disse ela, estava ali para trabalhar connosco todo o dia.
Foi um dia... curioso. Desconfortável-memorável. Senti uma certa energia, perfume, uma confusão ao dividir espaço com ela, que para mais agia como se a sua beleza fosse... meramente natural. Hum? Então, mas eu fui massacrado durante anos com o desdém gratuito das raparigas portuguesas. Ou é por ser trabalho, ou os indivíduos gordos de óculos ganharam uma inusitada reputação erótica nestes tempos estranhos. Não saltem já para a primeira hipótese - ela ficou com o meu x-ato, eu acho que era um sinal de interesse.
Mas bom, o gordo de óculos lá cumpriu o dia, enleado por um deslumbramento juvenil. E a conclusão que eu tiro desse momento é que eu adoro ainda me deslumbrar. Eu adoro que existam raparigas que nos deixam suspenso. Nunca fui seu conhecido, confesso com tristeza, mas mesmo assim, continuo a adorar.
Dizem bem - aqui está o vosso último vídeo. Atentem na entrada de Carmen Electra no começo, e a transbordante energia adolescente. Foi quase assim, na minha mente. Quem não cria o que quer que seja com musas assim? Ah, caramba, nós estivémos para ser jovens geniais - porque é que não aconteceu?
Ouve cá - temos que ter uma conversa. Sabes que eu vivi na Catalunha um ano inesquecível da minha vida, e que a levo no meu coração. Tenho como inacabado o projecto de conhecer mais "del pays"que aquele que - para minha surpresa - me recebeu tão bem, talvez um dia ter as páginas do meu próprio "Homage to Catalonia". Sabes que - por isso também - eu estarei sempre contigo, Barça.
Tenho 26 anos (dizem eles). Durante todo este tempo, nunca vi um clube jogar à bola como tu. Não é jogar futebol, percebe bem - é jogar à bola. Não é ganhar (embora ganhes), é deslumbrar.
Esta noite torço por ti. Até te confesso que fui "interista" na primeira juventude, é verdade. Mas isso não basta para te levar a melhor. Até te confesso que acho que Mourinho tocou no teu ponto fraco, no ódio a Madrid. Com razão. Até te confesso que desde logo me surpreende que esta equipa tenha chegado aqui, inquinado o espírito da época passada por um Ibrahimovic que ainda não se decidiu a "casar" contigo. Como deve. Até te confesso que não suporto "Pedros Rodríguez" e "Busquets". Até te confesso que me envergonha a má relação que tens com portugueses: Figo, Mourinho, Ronaldo (que desejou a tua derrota esta noite), Benquerença. Até te confesso que estou saturado desse idiota do Laporta, de que desconfiei logo quando começou a elogiar Messi como um deus todas as jornadas. Messi é Messi, mas ali havia gato. Saberás que ele, na realidade, pensa já na sua "próxima jornada" - a política. Acredita, eu sei bastante como isso funciona - no meu país não falta quem eu deslinde o plano pessoal para a "próxima jornada". Mereces ser o fim, não o meio.
Até te confesso, Barça, que receio que esta noite não haja remontada, e que o Inter - ganhando a eliminatória com o futebol insonso a que sempre me souberam as equipas de Mourinho (no meu país chamam-me "invejoso", vê bem, por o dizer). Mas também te confesso que é nos momentos piores que gosto de estar "amb tu".
Aviso: o cartoon que se segue pode ofender a sensibilidade de algumas pessoas. É possível que o visionamento do mesmo condicione o juízo de quem me conhece como "boa pessoa". Por tal resta-me somente pedir desculpa.
Mas a questão é que eu achei a referência perfeita para ilustrar a minha teoria da "micro-moralidade" e "macro-moralidade" de Portugal (só a primeira é aplicada pela população).Vem do Brasil - não por acaso, suponho.
Muito tenho procurado Esse outro mundo, mais complicado.
Aqui, ao escuro, Contemplo a máquina a funcionar Pistões e vapor a expirar E tenho que me perguntar, afinal Onde está a beleza Nesta realidade industrial?
Eu já lhe soube escapar, Eu já a vi como mera ilusão. Mas hoje vejo só a máquina a funcionar, Sito como numa prisão.
E então percebo: talvez Esta lógica de aprisionar Tenha menos carcereiros Que vontade em sujeitar.
Sujeitar, pertencer... Verbos para fazer esquecer Asas livre que tivemos Surfámos esta terra, antes de a procurar Porque a outra, ao fim Não acabámos de achar.
E hoje Apeteceu-me chorar E já não consigo dar Mais, Mais a impressão De que não chorar Tem sempre razão.
Escuto Em pé a dor que oculto, Sorrio e continuo Mil gestos evitados, Pensamentos ritmados - Mas não consigo evitar Ser humano este erro E ter mesmo que chorar.
E não é masculino Chorar nesta idade Que já não são meninos Os que conduzem ao sol, Se escusam a trabalho, a juíz, Lêem porno-biologia (Como quem diz), E gritam tudo no futebol.
"A ver se te fazes um homem" Diziam antigamente, Antigamente de homens Que não fingiam não entender.
Também eles chorariam Por este Presente, E por esta gente Que me faz sofrer.
Ontem J.D. e Turk regressaram gloriosamente ao Bairro Alto. Passaram com estilo pelas ruas perfumadas pela micção e (inter)ditos fumos. Roçaram ombros com "o people", como se fossem a algum sítio. Olharam, foram olhados.
"- E pah: muita gira..." "- Olha práquilo..."
E pronto, é basicamente isso.
Eu próprio me deslumbro com esta capacidade que tenho de estar "in", nos sítios "in", e "out" ao mesmo tempo. Mas eu consigo fazê-lo. Sou estanque - consigo ser "geek" sem me alterar pelo ambiente em torno a mim. Sou imune ao estilo, ao meter conversa, ao relax, à festa. Tenho "imunidade geek".
E, deixem-me dizer-vos, a chatice de a ter é ser a mesma, verdadeiramente, uma imunidade baseada em "anti-corpos". Malgrado a nossa vontade, sentimo-nos "anti-corpos" - pelo menos os jeitosos.
É claro, eu tenho a maior esperança que as coisas mudem para melhor. Quer dizer, é por isso que continuo a ir ao Bairro Alto.
Ou então vou apenas continuar um profissional do daydreaming. Hei - posso um dia escrever o script de uma série de TV e tudo, por isso não diminuam esse talento. Respect, chavais.
A penúltima lição do desterro vem também da dureza inevitável das coisas. Consegui desenrrascar-me a fazer muita coisa sozinho - ao mesmo tempo que trabalhava. Eu vim para conhecer os meus limites - e hoje conheço-os, trato-os por "tu". Ainda me surpreendem pela positiva, mas talvez estejam mais próximos do que eu pensava. Consigo trabalhar, viver numa casa com mínimo conforto, cozinhar, pagar contas - sobreviver. Tive ajuda sobretudo a limpar a casa, de tempos a tempos.
Conclusão? "- Great run, kiddo. Great run." - but I'm no Superman.
"(...) You've crossed the finish line Won the race but lost your mind Was it worth it after all? (...)"