sábado, 24 de abril de 2010

A Máquina Desde o Escuro

Muito tenho procurado
Esse outro mundo, mais complicado.

Aqui, ao escuro,
Contemplo a máquina a funcionar
Pistões e vapor a expirar
E tenho que me perguntar, afinal
Onde está a beleza
Nesta realidade industrial?

Eu já lhe soube escapar,
Eu já a vi como mera ilusão.
Mas hoje vejo só a máquina a funcionar,
Sito como numa prisão.

E então percebo: talvez
Esta lógica de aprisionar
Tenha menos carcereiros
Que vontade em sujeitar.

Sujeitar, pertencer...
Verbos para fazer esquecer
Asas livre que tivemos
Surfámos esta terra, antes de a procurar
Porque a outra, ao fim
Não acabámos de achar.

Pedro Oliveira