domingo, 9 de janeiro de 2011

Reading List 17



De "Our Man In Havana", de Graham Greene, eu tinha apenas a vaga noção de ser um "clássico" do género 'spy novel'. Eu não tinha demasiado interesse pelo género, pensava. A minha atitude mudou por completo.

Escrito em 1958, antecipa (refere-o explicitamente) o interesse geo-estratégico que Cuba iria ter na Guerra Fria. Recorde-se que a Revolução Cubana que derrotou o regime de Fulgêncio Batista ocorreu em 1959. Sendo certo que os ingredientes já deviam estar a vir sendo identificados há mais tempo, o livro tem essa inesperada virtude premonitória.

Mas não é só essa a surpresa. O livro é deliciosamente inteligente, um dos mais refinados, perspicazes, que tenho lido ultimamente. E, admitindo que pode ser o meu hábito de leitura que esteja em falta, houve prazer genuíno ao passar pelas suas páginas.

A terceira surpresa foi o quanto deste livro foi copiado por John Le Carré para o seu 'O Alfaiate do Panamá'. Fiquei positivamente perplexo com o plágio. Não é só o agente secreto que finge existir 'intelligence' para sacar dinheiro à agência; não é só o facto de os acontecimentos que inventa virem, bizarramente, a acontecer na realidade; é também o mero falar com pessoas que não existem, produtos da imaginação (quando o Dr. Hasselbacher está a beber com Wormold depois de procurarem 'o' bilhete de lotaria, considera uma pessoa no bar um produto da sua imaginação, e tanto lhe faz saber).

A última surpresa é só para os fãs de Dexter, como eu. A certa altura, no primeiro sexto do livro, exactamente a propósito desta conversa com a (pseudo) figura imaginária, o homem, advogando a sua realidade, diz:

'You ask anyone in Miami about Harry Morgan...'

Ah, pois... Harry Morgan. O pai de Dexter Morgan. Apanhei-te, Jeff Lindsay. Apanhei-te.