segunda-feira, 31 de maio de 2010

God is a DJ

Às vezes, naqueles momentos de silêncio em que cada um pensa consigo, porque o trabalho é tão pequeno, tão aparentemente inútil e repetitivo, tão minucioso nos seus quesitos, e nas suas injustiças - às vezes tenho uma visão.

Demasiado controle mútuo, demasiada reflexão pífia, demasiadas obsessões, conspirações, demasiado calor, demasiado ar condicionado. Demasiadas traições, perdões, contabilizações, responsabilizações, racionalizações.

Ah, porra... Paremos com isso já. Só temos esta vida, mais nada.


Fui a Ver Era Erudição

M.C. Escher? Uau... a melhor piada do 'Family Guy'. Surpreendentemente erudita, por isso tão boa.



Paradigma

Estranhamente, acabei a deduzir uma explicação semi-científica para o sucesso de Mourinho. Pela mesma teoria, porém, ele nunca poderia ter tanto sucesso no Real Madrid, aí seria o fim de uma era.

31 de Maio de 2010 - fica escrito. Daqui a menos de um ano saberemos se me enganei ou não. Recordo que, quanto a Itália, me equivoquei no sucesso que conseguiu aí (e que foi mais que merecido), mas acertei ao avisar antecipadamente que aquela era a pior "ecologia" para Mourinho.

Veremos, pois, se a teoria é infirmada ou confirmada pela realidade.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Origem da Espécie

Cá a pensar comigo que este não é exactamente o melhor ano para eu ir à praia. Hum. Digo que não gosto de apanhar escaldões, é isso mesmo.

A Dívida Soberba-Joana, Soberba-Rita, Soberba-Teresinha...

Que aborrecido este começo de Verão... Pfff. É défices para ali, dívidas soberanas prácolá. Chatice pá. Ninguém parece falar mais das outras questões, que também são tão importantes para este país.

Por exemplo, não estava já na altura de uma nova Teresinha da Netcabo? E suas amigas? Eu diria que sim. Eu diria francamente que sim.



Bom... tenho que ir, pessoal. Está ali um telefone a (trim, trim...) chamar-me.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Parte Esperteza, Parte Sinceridade

Ainda sobre Mourinho, 2 pontos finais:

1. Posso argumentar em favor de Mourinho, acerca da "pros... "vida fácil, do ponto de vista intelectual", que criticou em Itália, que, dos programas que vi, nunca ele, ou o seu Inter, foi motivo de discussão no Porta a Porta, de Bruno Vespa (Rai 1). Estamos a falar de um programa diário, que é capaz de fazer um serão de conversa sobre as maiores banalidades, e cujo apresentador (milanista?) uma vez assisti interpelar Silvio Berlusconi acerca da transferência de Ronaldinho para o Milan, quando Berlusconi estava no programa para falar de Política (ou nem tanto, se bem me recordo, ia escapar ao escândalo da sua amiga Noemi...).

2. De tudo quanto li sobre Mourinho, este é talvez o melhor parágrafo:

"Su Mou, quasi tutti la vedono in modi diametralmente opposti: o è un furbastro, un impostore; o è un genio e una gran brava persona. Ma se fosse invece, come molti di noi, un po’ un furbo e un po’ una brava persona? Ovvero se fosse uno che fa i suoi calcoli con furbizia, ma ha pure un po’ di cuore e cervello, ed è sincero quando dice che se ne andrà dall’Italia perchè non si sente “a casa”, non si sente “allegro”? Insomma, ci sarebbe molto da riflettere su questa decisione di Josè Mourinho. Una cosa è certa: dovunque ha allenato, i suoi giocatori gli hanno voluto bene come a un padre, hanno dato tutto e di più per lui per il rapporto che con lui avevano instaurato. E questa è una cosa che, soltanto con la furbizia, non si ottiene."

Tirado daqui.

domingo, 23 de maio de 2010

Summer In The Suburb

Visita à cidade. Com calor.

Da Vitória, Do Futebol, Do Carácter-Molusco

Todo o mérito a José Mourinho, e os devidos parabéns pela conquista. Não há a menor dúvida que o Inter foi a equipa que mereceu esta Champions. E eu gosto de ter um português famoso internacionalmente pela sua inteligência.

Mas continuarei com a minha embirração com Mourinho, ainda maior se ele treinar o Real Madrid. Que, aliás, será para ele um salto no desconhecido. É um clube com perfil genético diferente de Porto, Chelsea ou Inter. Recordo que Mourinho provou que podia ganhar tudo em Itália, mas que os meus avisos - feitos há 2 anos - sobre o quanto a sua maneira de ser seria contraproducente em Itália, se revelaram acertados.

E pronto: reconhecendo o talento na gestão, mas gostando de um outro tipo de futebol, de um outro tipo de postura, tudo me sabe ainda agridoce.

É que... o futebol não é cirurgia a peito aberto, não é uma guerra para nos salvar, não é um plano essencial de fomento económico; é uma arte cénica, e uma metáfora; trazer para esse subproduto marginal o "mainstream" de trabalho, de esforço, de moralismo, trazer a vertigem de ganhar não faz qualquer sentido.

Só acontece, em minha opinião, porque o próprio "mainstream" anda esvaziado desses valores, anda decadente. Eu só posso aceitar esse discurso de vitória de uma equipa, por exemplo, como o Barça, que não só ganha, também joga bom futebol. Que usa a vitória para preservar a arte, e usa também a arte para produzir uma vitória. Eu não vejo essa osmose entre arte e resultado nas equipas de Mourinho - lamento dizê-lo.

Talvez seja porque o Barça é "mais que um clube", é uma região, e um povo. É um ponto de chegada. E com Mourinho, há sempre outro ponto de chegada mais além, mais distante. Amanhã, no Real Madrid, será a selecção, suponho.

Pergunto-me se a sua abordagem à gestão de uma equipa, pelo mediatismo que induz, pela intensidade com que o faz, não permite a sustentabilidade. Quer isto dizer: será que Mourinho precisa de ir mudando de clube, para continuar a carburar àquela intensidade?

Tal seria, no fundo, inteligente, no sentido em que são parcos os casos de sustentabilidade a treinar clubes. Com sucesso, claro está. Já que se está sempre a prazo, mais vale pôr a carne toda no assador, criar todos os inimigos possíveis para destabilizar naquela(s) épocas, que depois haverá outro destino onde recomeçar. Foi assim, parece-me, em Portugal em Itália - concedo que menos em Inglaterra.... A vós de julgar.

Há um pormenor em que eu tenho imensa empatia com Mourinho - a luta contra a hipocrisia e a "prostituição intelectual". Só discordo dele se disser que é exclusivamente italiano (porquanto Itália seja nisso, tradicionalmente, uma especialista). Há bastante disso cá, e, realmente, suga-nos a melhor vida, é verdade.

Enche-nos de mágoa, aqueles que querem seguir para a frente, não saber em quem confiar, não poder contar com a nobreza da fidelidade, do espírito de equipa. Enche-nos de mágoa ter que batalhar no meio de injustiça, da falta de um "level playing field", por entre o primado de pessoas "spineless", sem coluna vertebral. As lágrimas de Mourinho - eu percebo-as bem.

Mas esse carácter-molusco está muito cá também, Zé. Sabes como é - mais facilmente somos Padre António Vieiras que dedicados párocos da nossa vila...

Bom. Uff...chega! Mas eis a prova do sucesso de Mourinho - estarmos tantos a falar dele. No entanto, sim, continuarei a pequena embirração - é mais forte que eu.


[Update]

Concordo perfeitamente com este comentário de Moratti - o timing de Mourinho podia ter beneficiado de mais alguma sensibilidade. E ficar-lhe-á sempre mal não ter ido comemorar o título a Milão. Afinal, como faz questão de dizer, a culpa não é dos adeptos do Inter...

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Derecho de Autor

Eu sabia que aquela declaração de Mourinho, antes do jogo de Barcelona, dizendo que "Para nosotros es un sueño, para el Barça una obsesión" (foi em italiano, mas vamos crer que eu as li num periódico espanhol), me recordava algo...



A solução para o discurso antes do jogo estava no iPod.

De novo, é mais forte que eu.

Balcãnizações

Detesto estar ao balcão com estas temperaturas. O calor... traz ao cimo o pior nas pessoas.



Talvez traga também o melhor delas, creio que sim. Mas, caramba, não me aparece ao balcão. E devia.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Let's Talk About Sand

Não percebo as pessoas que insinuam que a minha vida sexual, por estar a viver perto da praia, à beira-mar, terá tido uma melhoria exponencial.

Afinal, eles, que me conhecem trapalhão e intelectualóide, deviam saber que eu sou, mais do que um gajo do "sexo na areia", um indivíduo com "areia no sexo". Mais nada.



Ah, ah, losers, estes SaliPementa. A "falarem" da coisa. Ah, ah. Ao menos eu escrevo - como um homem.

How Bizarre...?

Fará daqui a pouco tempo ano e meio desde o primeiro momento em que falei de Lady GaGa num blog meu. Foi ainda no Generosità, claro.

De entre a surpresa, por uma certa densidade - inusitada - de discurso, por mais que estivesse mesclada com a superficilidade de um "pop's next big thing", ou uma obssessão algo parva com a "fashion!". Nada disso era o que me interessava.

Não é distinguir o "comercial", empolado pela escala, do talento de rua, "puro". É distinguir quando o talento se junta à escala multiplicativa do comercial.

A música estava bem feita - mesmo muito bem feita, diferente do plástico reinante nos últimos anos. Com uma matéria-prima assim, e uma atitude que me parecia a certa, dentro de pouco tempo, dizia eu, estaria no top. Depois de ganhar tudo e de gerar hit após hit - ei-lo. Tão simplesmente.

Curiosamente, quando falei nela, a princípio, quando era desconhecida de todos, fui mais ou menos abertamente gozado. O seu bizarro, o seu 'statement' em chocar o público parecia cegar esses meus críticos para aquilo de que eu estava a falar. Um deles, inclusive, tinha uma teoria de que ela seria o tipo de mulher que me atraía, que aquele bizarro constituía um ideal de beleza. A "tua" Lady GaGa, dizia ele, quando a música soava. Quando eu ainda hoje tenho uma certa repulsa visceral pelas suas toilettes.

Claro que tudo isso era forçado, e almejava a provocação gratuita. Desclassificar-me para essa erótica-trash tinha todas as menos nobres razões por detrás. O certo é que a música soou vezes demais, saltou para o mainstream, e aquele bizarro todo, devido à qualidade da música, saltou para todo o lado. Esse crítico, anónimo, até dava grande importância, na vida, ao "ganhar" e ao "perder". Apesar dos seus comentários jocosos, ela persistiu, e ela ganhou. A gaja feia, repulsiva, chocante - ganhou.

Poder-se-á - e bem - dizer que uma estrela é ela e a sua circunstância. E que na nossa circunstância algo desoladora, Lady GaGa é a estrela que resta. Mas isso é sempre verdade, em todo o momento da História.

Eis a prova da vitória - a reprodução. A tão almejada "Fama", mais patente do que nos discos de platina.

O vídeo seguinte tem perto de 19 milhões de 'views'. É mais fácil de ver - assim limpo do bizarro (até já com um twist de cover) - a tal qualidade de composição que me impressionou...



Mais acrescento que até prefiro a versão deste puto (embora eu provavelmente também prefira a versão acústica de Lady GaGa à comercial). Já agora - este parece o tal talento "puro", de rua.

Não - eu tinha razão em ser assim idiota, shameless.

Basta Olivença, Zé

É mais forte que eu.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Demasiado

Uma das coisas absolutamente desconcertantes neste Portugal que nos toca viver é a falta de rasgo, de brilhantismo e criatividade. E é especialmente notório quando, acerca de Economia, se ouvem os mesmos chavões e banalidades do costume, mais ou menos disfarçados por jargão.

É revoltante este panorama desolador, para um país que, malgrado os seus defeitos, até é especialmente criativo.

Demasiados os professores aburguesados, que temem os alunos melhores que o mestre... Demasiadamente escassos os alunos com a coragem de fazer a prova matemática melhor que eles no quadro, mandar o giz ao chão e sair da sala de rompante.

O Fado dos Salários Baixos


Krugman, a explicar porque é que em Portugal faz mais sentido a redução salarial - um decréscimo do custo laboral relativo - que as medidas-"sacrifício" de aumento de impostos. Curiosamente, parece-me, configura um raciocínio económico mais da "direita", do que da (sua) esquerda.

Quantas vezes não ouviram os portugueses dos seus políticos a frase "o crescimento económico tendo por base os salários baixos está esgotado"? Estará? Este é o fado que teremos, provavelmente, de continuar a cantar, por falta de dimensão, de mercado interno.


[Update]

Precioso este comentário de um italiano: "WAGES IN GERMANY NEED TO RISE 20-30% RELATIVE TO PERIPHERY!".

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Defining Moments

Ohh... e assim que o anúncio completo estiver disponível, vem aqui pró blog, ah pois vem.

domingo, 16 de maio de 2010

Portugal Não É Só Seu

Carros que não fingem sequer abrandar, quando espero na passadeira. Camiões acelerando furiosamente a centímetros, quando percorro a estrada, sem passeio. Por falta dele, também, peões na estrada - na própria via - misto de descuido e manifesto provocador, quando sou eu que guio.

Chiça. Portugal não é só vosso. Caso para dizer: tenham maneiras, p****!

Refúgio

Ao menos uma. Notícia alegre: Barça enfim campeão.


Parabéns igualmente a Mourinho, porque, embora continue com a mesma opinião sobre o futebol das suas equipas, o que ele fez em Itália é inusitado, e muito - muito - difícil. O mérito é todo dele, e da sua inteligência enquanto treinador.

Mas devo, porém, citar Ancelotti depois de ganhar a Premier League e a Taça de Inglaterra, ao declarar-se, por oposição a Mourinho, "normal" e até mesmo "sortudo".

Tudo dito, não percam a excelente entrevista a Mourinho, no Times, aqui.

Marsapem-se e Não Chateiem

É estranho como me recordo de, há uns anos, no meio de uma vindima, ter ouvido, vindo do nada, o desabafo de um homem: "as mulheres são todas umas p....".

Ontem, uma mulher no trabalho anuncia, também do nada: "os homens são todos uma m....".

Ora, eu, infelizmente, levo tão a peito a ofensa às mulheres como ao meu género, porque ainda gostando delas (tragicamente), é-me nauseante a vulgarização.

A estes ressabiamentos, out of the blue, a encherem de palavrões e ofensas indirectas (ofender um género é também ofender quem, do mesmo, escuta o desbafo) o meu plácido dia, só posso responder: juntem-se à MARSAPO - e resolvam o vosso problema.



Não há paciência.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

A VCE

Um dos participantes do reality show "Jersey Shore", da MTV, que foi um êxito nos EUA, ficou famoso por chamar aos seus abdominais "The Situation". Para quem, como eu, fingir conhecer a série para efeitos de escrever um post, estou obviamente a falar do Mike.

Estava a pensar que cognome deveria eu dar ao meu alter-ego abdominal. Face à persistência da forma ao longo da minha vida, só me ocorreu um nome, rodiviário: a Via de Cintura Eterna. Doravante também conhecida por VCE.

Ei, Mike, as "girls" adoram a VCE, tás a ouvir? E não te digo mais, porque a VCE "is going to sleep", que amanhã é dia de não ir ao ginásio, percebes?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Futility is Resistent

Quanto mais ele pensava nela, mais se apercebia que não era tanto "a resitência é fútil", o problema, ali - mas antes o facto de a futilidade ser resistente.

De onde viria tudo aquilo? Quem poderia saber? Alguma coisa "fucked-up" no seu passado, seguramente, difícil de explicar no dia-a-dia, no rosto-a-rosto. Alguma profunda falta de inocência. E se deve haver, por parte dos julgadores, uma presunção de inocência, no réu, uma inocência presumida, agressivamente invocada, é quase sempre sinónimo de falta dela.

terça-feira, 11 de maio de 2010

That Guy (Disfuncionais Rule!)

Talvez ainda haja esperança para os gajos como eu. Quando muito, a de fazer um "music video".



Temos que arranjar um mantra. "Os disfuncionais são bestiais"? Hum... ainda não está bem lá.

A Crítica, A Lama

"(...)

A crítica segundo o método de Taine
Ignoram-na. Juntei numa fogueira imensa
Muitíssimos papéis inéditos. A Imprensa
Vale um desdém solene.

Com raras excepções, merece-me o epigrama.
Deu meia-noite; e a paz pela calçada abaixo,
Um sol-e-dó. Chovisca. O populacho
Diverte-se na lama.

(...)"

in "Contrariedades", poema de Cesário Verde (1855-1886)

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Stress Eaters e Fat Haters

"Tás mais gordo!"

Não, a sério? Vamos por aí? Enfim...

Sim, "tou" mais gordo, toda a gente me o repete, practicamente todos os dias. Porquê? Não sei ao certo. Psicossomático, provavelmente, má alimentação também, cansaço, borderline "burn-out" (mesmo que soe ridículo) noutras. "Tou" num meio extremamente desgastante, física (trabalho o dia inteiro em pé, practicamente sem me poder sentar), mas, sobretudo, psicologicamente (tudo o que é Saúde envolve demasiado os seus profissionais, e faz emergir os mais básicos instintos das pessoas; além de que, faltando uma ecologia que nos traga segurança, existindo a possibilidade de erros "chatos", há uma infelicidade exponencial).

Só tu é que me percebes, Toni Nogueira Leite.

"- Podes crer."

Ok, engordei. "Stress eater"? Admito-o. Mas como não estar stressado, gordo, depois de todas as peripécias até finalmente conseguir ser um profissional de direito, no meu ramo? Como não estar stressado se estou a tentar definir o meu futuro, no meio de uma crise nacional, mundial, profunda, que nos mergulha (ainda) mais na incerteza, nos desgasta todo o santo dia?

É claro que estou mais gordo! Não sofre quem não tem dificuldades, quem não trabalha, quem não erra, e quem não se comove com o que se está a passar, que não é para eles. Não precisam de ser "stress eaters" - mas nem por isso abdicam de se juntarem, sem pingo de legitimidade (que apesar de tudo terão os que fazem mais, e não se lhes sofre a figura), aos "fat haters".

Eu tenho a teoria de que, nesta sociedade esvaziada de primevos racismos e moralismos, os piores instintos - porque existem ainda - são agora direccionados para outros alvos. Onde antes estava a rapariga que "flirtava" descaradamente, está agora o fumador. Onde antes estava o artista boémio está agora o gordo. Fumar, ser gordo, não cuidar da imagem, são pecados sancionados pela sociedade, porque esta sociedade só vê imagem, escusa-se a todo o conteúdo no seu julgamento.

Mas tal também decorre de existir em negação, de não "os" ter no sítio para sancionar males maiores ("too big to judge"), e se entreter a gastar essa energia em pecados pueris, inofensivos, mas, infelizmente para mim e para demais micro-pecadores, à mão de semear. É de novo o abismo entre a macro e a micro-moralidade, de que já vos tenho aqui falado.

Olivus 2009: Figura do Ano

Não estou esquecido dos Olivus 2009 - atrasadíssimos. A vida anda demasiado atarefada, e peço desculpa.

Mas ocorreu-me uma escolha fácil para Personalidade do Ano 2009, não pelo ano de 2009 em si, devo dizer. Poderia ser atribuído num qualquer ano.

Foi a forma que me pareceu mais enquadrada neste blog de homenagear alquém que, talvez como Cavaco Silva (ou até melhor), escapa condignamente, silencia quem faça a pergunta: "Por onde param as nossas elites?"


Francisco Pinto Balsemão sempre esteve à altura de elite, em Portugal, apesar da sua discrição. Eis uma honra que só peca por tardia.

domingo, 9 de maio de 2010

Livro de Reclamações Eclesiásticas

Agora que Bento XVI vem a Portugal, gostaria de lhe deixar uma pequena reclamação pessoal.

"Então?" - mais ou menos desta forma.

É que nos últimos anos, em Portugal, parece-me que os padres se andam a escusar ao seu serviço tradicional. Isto porque os profissionais de Saúde passaram a ser os "psicólogos" de serviço. Embora sobre mais para médicos, os farmacêuticos têm a sua dose. E não vou sequer contar as histórias escabrosas que já ouvi, apesar da minha pinta de pseudo-intelectual dissociado da realidade. As pessoas não se compadecem quando exigem que eu compadeça.

Quer dizer... que conselho de vida posso eu dar às pessoas? Simplesmente, não tenho essa sabedoria. Tenho interesse clínico, sempre, e empatia, naturalmente. Mas onde estão os padres para o consolo espiritual? Isso não está na minha lista de encargos.

Pfff... isto não é fixe, amigo Joseph, isto não é nada fixe. Sei lá, é suposto eu estar na idade do Carde Diem - e não de Dias com Gente a Carpir. A ver se recuperas a Igreja por cá, que nunca esteve tão silenciosa como na última década. Parece até ter-se esquecido que existe tal coisa como o pecado de omissão.

Veredicto Final

Este não foi um ano para mim, como adepto de futebol, devo reconhecê-lo com humildade. Chego a este ponto observando as vitórias - justas - do Benfica e de José Mourinho.

I.

O Benfica exibiu, ao longo de todo o campeonato, uma forma consistente (talvez em compreensível declínio no último mês e meio). Jogou, parece-me, o melhor futebol a nível nacional, embora deva acrescentar que não vi suficientes jogos do Braga para ter a certeza definitiva disso mesmo.

Demonstrou um jogo "à antiga", baseado em extremos, e teve dois dos melhores intérpretes nessas posições desde há algum tempo: Di María e Ramires (pode-se argumentar, contudo, que Ramires não é extremo puro, antes um médio-direito, menos arrojado, mas mais equilibrado que Di María).

Criticarei, quem me conhece já o sabe, os "presupuestos" orçamentais em tempos de crise, que contiveram Sporting (até ao deslumbre parvo no Inverno) e Porto. E não tenho clara a tal "questão dos túneis". Tudo pesado, contudo, creio que o Benfica teve um output positivo que superará qualquer desses pecados, ou potenciais pecados.

II.

Quanto a José Mourinho, lamento dizer que continuo a não gostar do futebol das suas equipas. Já agora, posso inclusive dizer que a equipa do Benfica deste ano, parece-me, jogou melhor futebol que o Inter. Mourinho é, porém, muitíssimo eficaz, e "reliable", inusitadamente "reliable" no mundo imprevisível do futebol. Como tive oportunidade de escrever, a vida em Itália seria muito difícil para o seu génio (no sentido de feitio, que eu sou malandro), mas não é certo que ele não tenha exagerado isso para criar o "escândalo" necessário a desviar as atenções da equipa.

Olhando para o Inter, passados dois anos sob o seu comando, é patente que se tornou uma equipa "limpa", uma equipa verdadeiramente. Para isso é fundamental a liderança e o sentido de Justiça que Mourinho inspira nos jogadores. Deixou de prevalecer a "selecção natural", o primado dos mais fortes, como na equipa de Mancini, hardcore. Esta equipa tem mais cola, é menos darwiniana, é mais civilizada. Eu, malgrado essas virtudes, estou ainda para admirar o seu futebol, que me parece cronometrado, mas sem rasgo. Insonso. Mas eu já tinha esse problema com o Chelsea, menos com o Porto, de Mourinho.

Pertence a Mourinho o mérito total de ter prevalecido contra as muralhas de Itália, de ter mudado tão profundamente a ecologia do Inter, de ter sustentado e ampliado um clube com o peso de títulos acumulados, no ponto certo para deixar de ganhar. Esta equipa do Inter, depois do Mourinho-Cif está desinfectada, limpa, é facilmente treinada por quem quer que seja. Ele é o que se pode chamar um "senhor da limpeza".

III.

E temos, pois, Benfica campeão, Mourinho (quase-quase) campeão, com final de Champions. Veredicto final? Justo.

E eu? Bom, eu continuo na minha. Prevejo uma limpeza de balneário a ferver a qualquer momento no Porto, prevejo um Sporting novamente experimental. E prevejo um Barça campeão, não por este jogo (gaffe minha, neste post, traído pelas contas), mas, seguramente, no Nou Camp.

All in all, quem sabe, talvez não tenha sido um ano assim tão mau.

Oh, Não!

Se até o Paul Krugman diz "oh, não" (com acento, Paul, que nós podemos não ter porcentos mas temos acentos).

Ah... se ele soubesse que o Benfica foi campeão, nao dizia isto nao. A produtividade nacional vai rebentar a escala.

¡Lavate Las Manos!

Parece-me que será - grosso modo - este o caminho estratégico do governo no combate à crise.

¡Lavate las manos, Moody's!


Pode ser que resulte.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Talvez Meio Assim

Às vezes perguntam-me deste vício de escrever, ou de ter sido entrevistado para trabalhar numa revista, outrora. Como seria o estilo? Gosto de pensar que algo deste género (autoria de Bruno Vieira Amaral):

"São poucas as diferenças entre a Grécia e uma mulher em vias de entrar no mundo do striptease. O corpo é belo e admirado por todos, mas as dívidas são exorbitantes. A diferença é que, no caso das strippers, estar de tanga é parte da solução e não do problema. As garotas de programa vão mais longe. São uma espécie de Grécia que não só convida turistas mas também admite vender partes do território à Alemanha.

(...)

Leila descobriu que queria ser stripper quando, por acaso, viu um show de strip num canal pornográfico e pensou que também podia fazer aquilo. No fundo é o que todos sentimos quando vemos o Hélder Postiga em campo."

Para mim - bem escrito. É isto.

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Xenofilia

Estive quase, quase a deixar um comentário a este post do escritor João Tordo. Onde está o cavalheirismo em aviltar o Sporting? Depois apercebi-me da idiotice que seria: afinal, é só para isto que eles querem o Sporting, para patrocinar a cerveja da paz, e nada mais. "Podemos estar mal - mas ao menos não somos sportiguistas!", seguido de risos, palmadas nas costas.

Eu recuso-me a participar nesse jogo. Eu nunca gostei do Benfica (porquanto reconheça o excelente futebol que exibe esta época, do melhor que tenho visto em Portugal), e amei um certo "espírito de eterna juventude" do Sporting, devo confessá-lo (talvez ainda ame um pouco). Mas o único clube que eu respeito-respeito é o Porto, nada a fazer. É o clube que não ofende a inteligência alheia, e terei sempre admiração por Pinto da Costa, que encosta a um canto todos os presidentes de Sporting e Benfica.

Mas conheço outro clube que sempre detestei sem dúvidas - o Real Madrid. E ainda outro clube de que gosto sem dúvidas - o Barça. É simples, pois, a minha escolha. Eu não tenho que defender o Sporting - o clube passa bem sem mim.

Todos nós devemos ter num clube de futebol um elemento que nos faça regressar à juventude. À minha, nada há de tão claro como a xenofilia. A recordação da Catalunha no Barça, e de um ano da minha vida, é aquilo que eu quero apoiar, nada mais. Obrigado, João Tordo.

Estando ele nos E.U.A. talvez perceba melhor o conceito desta forma:


"Manners maketh man", João.

Por isso, meus caros, as far as I'm concerned - eu ainda estou na luta pelo campeonato. E só falta um joguinho para ser campeão.

terça-feira, 4 de maio de 2010

Ser Cool

"Isto é que é uma boleia, hein?" diz-me a senhora, quando atravesso ilicitamente os torniquetes atrás dela, por me equivocar ao comprar o bilhete.

Não sei como, por uma rara vez na vida, tive alguma "coolness" a responder-lhe. "Comprei o bilhete errado [mostrando], não leve a mal. Também já ajudei outros."

Eu disse alguma, não exagerem.

Ah, se nós em vez de nos degladiarmos pudicamente fôssemos unidos como os franceses...

O Prefixo

Alegre apresentou a sua candidatura como "supra-partidária". Mas daqui donde estou parece mesmo é... infra-partidária.

O Síndrome de Ecomo

Júlio, Zé; Sardinha, Joaquina Dá-me; Migas, Toni; Deslembrada, Ana; do Tintol, Anastácio. "Recognising the Ecomo Syndrome: A New Pathology of Speach".

Research Group Ti Toino's Tasca
João Tremoço Faculty of Health Sciences
University of Life


Caros Srs.:

Vimos perante a Real Sociedade das Ciências do Biobibliofilia (RSCB) apresentar uma descrição da patologia a que baptizámos como "síndrome de Ecomo".

A população que padece desta condição atravessa todos os escalões etários e é indiferente ao género. Apresenta-se nas crianças apenas aquando do desenvolvimento da fala, embora o 'onset' na adolescência seja intenso. O doente com Ecomo tem episódios de irreprimível tentativa de metaforizar uma situação linear num quadro explicativo desproporcionado, pouco claro, desconcertante e indutor de náusea - nos ouvintes. Foram descritos casos, por exemplo, de explicação da necessidade de sinais de trânsito recorrendo à imagem de um travesti num comboio de homofóbicos, ou do benefício da capitalização bolsista com base numa sanita entupida.

Invariavelmente, os ataques nestes doentes começam com a frase "é como", a que se segue a emética comparação. É possível que haja uma causa genética para este síndroma, sendo de considerar, em estudos futuros, o gene BL-ARGH, que se suspeita também envolvido no síndrome de Tourette.

Estudos cruzados duplo-cegos demonstraram que o café de expresso é melhor que o café de saco. O que carece de significado para este problema.

A nossa pesquisa comprovou que as pessoas com síndrome de Ecomo podem prosseguir vidas saudáveis se cumprirem uma terapia do silêncio. O fármaco de venda livre boujardona, na dose de 200 mg/dia, dividida em 2 tomas, foi também indicado por alguns doentes como permitindo alívio dos sintomas.

Silêncios

Hoje ao andar de metro lembrei-me do título de um livro de George Steiner, "Silêncio dos Livros", apenas do título, e do que evoca em mim, já que ainda não o li. Isto porque ali estava uma mole de pessoas, lato-ensardinhadas, num silêncio sempre postiço, desconfortável. Interdito o contacto visual, a fala, o barulho. Livra-te disso.

Prefiro sempre o silêncio dos livros, à minha espera, enquadrados em tons de madeira. O silêncio dos livros esconde vidas, aventuras, sínteses, descobertas, tempos. Este silêncio humano esconde, parece-me, uma espécie de agressividade contida a custo, desabafos cuja heróica interiorização carece de loas, esconde pequenos orgulhos, pequenas conspirações, dúvidas, alerta para sinais dos culpados, esconde males menores, e também alguns males maiores. E cansaço, claro que esconde cansaço ao fim do dia de trabalho.

Recordo o amor aos livros pela diferença enorme em relação ao silêncio humano, porque este último não é um silêncio genuíno - é um silêncio fabricado. Mesmo que esse silêncio dos livros só faça sentido, tenha nascido, por antítese ao "barulho" humano, à verdade do ser humano - a sua revolta, a sua alegria, a sua vitalidade, não assim suprimida.

Mas estes são tempos de silêncio humano, e isso preocupa aqueles que conhecem o silêncio dos livros.

Sinais de "Fogo!"

Hoje, pela primeira vez na vida, entrei numa sex-shop. Por acaso foi só para perguntar direcções (best of das desculpas esfarradas? onde?). Foi-foi.

Só percebi a natureza da mercadoria quando entrei, mas já tinha começado a falar com a senhora, e, já se sabe, quando o tempo urge as perguntas que decorrem da exposição de apêndices na parede são, necessariamente, menos.

Afinal a loja que eu procurava era ali ao virar da esquina, literalmente. Caso para dizer que XXX marks the (nearby) spot.

sábado, 1 de maio de 2010

Azevedo e a "T" word

Se eu fosse o Pinheiro de Azevedo destes tempos históricos - pá - punha-me mas era a falar pra uma CNN, naquele típico Inglês com sotaque de Alijó e dizia-lhes: "my friends - pá - you must control those financial... como é que se chama?... bitches que praí andam. It's true, pá. Because that is financial terrorrism for us, portuguese. We don't like that... como é que era, pá?... that shit. Yes. It's terrorrism because innocent people get hurt. So you better controlate your agências de rating, or that may lixar comó caraças our relations - pá - com os United Estates. Understand?

Ok. So now, excuse me, pá, but I'm gonna have lunch, pá."