Este não foi um ano para mim, como adepto de futebol, devo reconhecê-lo com humildade. Chego a este ponto observando as vitórias - justas - do Benfica e de José Mourinho.
I.
O Benfica exibiu, ao longo de todo o campeonato, uma forma consistente (talvez em compreensível declínio no último mês e meio). Jogou, parece-me, o melhor futebol a nível nacional, embora deva acrescentar que não vi suficientes jogos do Braga para ter a certeza definitiva disso mesmo.
Demonstrou um jogo "à antiga", baseado em extremos, e teve dois dos melhores intérpretes nessas posições desde há algum tempo: Di María e Ramires (pode-se argumentar, contudo, que Ramires não é extremo puro, antes um médio-direito, menos arrojado, mas mais equilibrado que Di María).
Criticarei, quem me conhece já o sabe, os "presupuestos" orçamentais em tempos de crise, que contiveram Sporting (até ao deslumbre parvo no Inverno) e Porto. E não tenho clara a tal "questão dos túneis". Tudo pesado, contudo, creio que o Benfica teve um output positivo que superará qualquer desses pecados, ou potenciais pecados.
Demonstrou um jogo "à antiga", baseado em extremos, e teve dois dos melhores intérpretes nessas posições desde há algum tempo: Di María e Ramires (pode-se argumentar, contudo, que Ramires não é extremo puro, antes um médio-direito, menos arrojado, mas mais equilibrado que Di María).
Criticarei, quem me conhece já o sabe, os "presupuestos" orçamentais em tempos de crise, que contiveram Sporting (até ao deslumbre parvo no Inverno) e Porto. E não tenho clara a tal "questão dos túneis". Tudo pesado, contudo, creio que o Benfica teve um output positivo que superará qualquer desses pecados, ou potenciais pecados.
II.
Quanto a José Mourinho, lamento dizer que continuo a não gostar do futebol das suas equipas. Já agora, posso inclusive dizer que a equipa do Benfica deste ano, parece-me, jogou melhor futebol que o Inter. Mourinho é, porém, muitíssimo eficaz, e "reliable", inusitadamente "reliable" no mundo imprevisível do futebol. Como tive oportunidade de escrever, a vida em Itália seria muito difícil para o seu génio (no sentido de feitio, que eu sou malandro), mas não é certo que ele não tenha exagerado isso para criar o "escândalo" necessário a desviar as atenções da equipa.
Olhando para o Inter, passados dois anos sob o seu comando, é patente que se tornou uma equipa "limpa", uma equipa verdadeiramente. Para isso é fundamental a liderança e o sentido de Justiça que Mourinho inspira nos jogadores. Deixou de prevalecer a "selecção natural", o primado dos mais fortes, como na equipa de Mancini, hardcore. Esta equipa tem mais cola, é menos darwiniana, é mais civilizada. Eu, malgrado essas virtudes, estou ainda para admirar o seu futebol, que me parece cronometrado, mas sem rasgo. Insonso. Mas eu já tinha esse problema com o Chelsea, menos com o Porto, de Mourinho.
Pertence a Mourinho o mérito total de ter prevalecido contra as muralhas de Itália, de ter mudado tão profundamente a ecologia do Inter, de ter sustentado e ampliado um clube com o peso de títulos acumulados, no ponto certo para deixar de ganhar. Esta equipa do Inter, depois do Mourinho-Cif está desinfectada, limpa, é facilmente treinada por quem quer que seja. Ele é o que se pode chamar um "senhor da limpeza".
Olhando para o Inter, passados dois anos sob o seu comando, é patente que se tornou uma equipa "limpa", uma equipa verdadeiramente. Para isso é fundamental a liderança e o sentido de Justiça que Mourinho inspira nos jogadores. Deixou de prevalecer a "selecção natural", o primado dos mais fortes, como na equipa de Mancini, hardcore. Esta equipa tem mais cola, é menos darwiniana, é mais civilizada. Eu, malgrado essas virtudes, estou ainda para admirar o seu futebol, que me parece cronometrado, mas sem rasgo. Insonso. Mas eu já tinha esse problema com o Chelsea, menos com o Porto, de Mourinho.
Pertence a Mourinho o mérito total de ter prevalecido contra as muralhas de Itália, de ter mudado tão profundamente a ecologia do Inter, de ter sustentado e ampliado um clube com o peso de títulos acumulados, no ponto certo para deixar de ganhar. Esta equipa do Inter, depois do Mourinho-Cif está desinfectada, limpa, é facilmente treinada por quem quer que seja. Ele é o que se pode chamar um "senhor da limpeza".
III.
E temos, pois, Benfica campeão, Mourinho (quase-quase) campeão, com final de Champions. Veredicto final? Justo.
E eu? Bom, eu continuo na minha. Prevejo uma limpeza de balneário a ferver a qualquer momento no Porto, prevejo um Sporting novamente experimental. E prevejo um Barça campeão, não por este jogo (gaffe minha, neste post, traído pelas contas), mas, seguramente, no Nou Camp.
All in all, quem sabe, talvez não tenha sido um ano assim tão mau.