"Tás mais gordo!"
Não, a sério? Vamos por aí? Enfim...
Sim, "tou" mais gordo, toda a gente me o repete, practicamente todos os dias. Porquê? Não sei ao certo. Psicossomático, provavelmente, má alimentação também, cansaço, borderline "burn-out" (mesmo que soe ridículo) noutras. "Tou" num meio extremamente desgastante, física (trabalho o dia inteiro em pé, practicamente sem me poder sentar), mas, sobretudo, psicologicamente (tudo o que é Saúde envolve demasiado os seus profissionais, e faz emergir os mais básicos instintos das pessoas; além de que, faltando uma ecologia que nos traga segurança, existindo a possibilidade de erros "chatos", há uma infelicidade exponencial).
Só tu é que me percebes, Toni Nogueira Leite.
Ok, engordei. "Stress eater"? Admito-o. Mas como não estar stressado, gordo, depois de todas as peripécias até finalmente conseguir ser um profissional de direito, no meu ramo? Como não estar stressado se estou a tentar definir o meu futuro, no meio de uma crise nacional, mundial, profunda, que nos mergulha (ainda) mais na incerteza, nos desgasta todo o santo dia?
É claro que estou mais gordo! Não sofre quem não tem dificuldades, quem não trabalha, quem não erra, e quem não se comove com o que se está a passar, que não é para eles. Não precisam de ser "stress eaters" - mas nem por isso abdicam de se juntarem, sem pingo de legitimidade (que apesar de tudo terão os que fazem mais, e não se lhes sofre a figura), aos "fat haters".
Eu tenho a teoria de que, nesta sociedade esvaziada de primevos racismos e moralismos, os piores instintos - porque existem ainda - são agora direccionados para outros alvos. Onde antes estava a rapariga que "flirtava" descaradamente, está agora o fumador. Onde antes estava o artista boémio está agora o gordo. Fumar, ser gordo, não cuidar da imagem, são pecados sancionados pela sociedade, porque esta sociedade só vê imagem, escusa-se a todo o conteúdo no seu julgamento.
Mas tal também decorre de existir em negação, de não "os" ter no sítio para sancionar males maiores ("too big to judge"), e se entreter a gastar essa energia em pecados pueris, inofensivos, mas, infelizmente para mim e para demais micro-pecadores, à mão de semear. É de novo o abismo entre a macro e a micro-moralidade, de que já vos tenho aqui falado.
Não, a sério? Vamos por aí? Enfim...
Sim, "tou" mais gordo, toda a gente me o repete, practicamente todos os dias. Porquê? Não sei ao certo. Psicossomático, provavelmente, má alimentação também, cansaço, borderline "burn-out" (mesmo que soe ridículo) noutras. "Tou" num meio extremamente desgastante, física (trabalho o dia inteiro em pé, practicamente sem me poder sentar), mas, sobretudo, psicologicamente (tudo o que é Saúde envolve demasiado os seus profissionais, e faz emergir os mais básicos instintos das pessoas; além de que, faltando uma ecologia que nos traga segurança, existindo a possibilidade de erros "chatos", há uma infelicidade exponencial).
Só tu é que me percebes, Toni Nogueira Leite.
"- Podes crer."
Ok, engordei. "Stress eater"? Admito-o. Mas como não estar stressado, gordo, depois de todas as peripécias até finalmente conseguir ser um profissional de direito, no meu ramo? Como não estar stressado se estou a tentar definir o meu futuro, no meio de uma crise nacional, mundial, profunda, que nos mergulha (ainda) mais na incerteza, nos desgasta todo o santo dia?
É claro que estou mais gordo! Não sofre quem não tem dificuldades, quem não trabalha, quem não erra, e quem não se comove com o que se está a passar, que não é para eles. Não precisam de ser "stress eaters" - mas nem por isso abdicam de se juntarem, sem pingo de legitimidade (que apesar de tudo terão os que fazem mais, e não se lhes sofre a figura), aos "fat haters".
Eu tenho a teoria de que, nesta sociedade esvaziada de primevos racismos e moralismos, os piores instintos - porque existem ainda - são agora direccionados para outros alvos. Onde antes estava a rapariga que "flirtava" descaradamente, está agora o fumador. Onde antes estava o artista boémio está agora o gordo. Fumar, ser gordo, não cuidar da imagem, são pecados sancionados pela sociedade, porque esta sociedade só vê imagem, escusa-se a todo o conteúdo no seu julgamento.
Mas tal também decorre de existir em negação, de não "os" ter no sítio para sancionar males maiores ("too big to judge"), e se entreter a gastar essa energia em pecados pueris, inofensivos, mas, infelizmente para mim e para demais micro-pecadores, à mão de semear. É de novo o abismo entre a macro e a micro-moralidade, de que já vos tenho aqui falado.
