quinta-feira, 20 de maio de 2010

How Bizarre...?

Fará daqui a pouco tempo ano e meio desde o primeiro momento em que falei de Lady GaGa num blog meu. Foi ainda no Generosità, claro.

De entre a surpresa, por uma certa densidade - inusitada - de discurso, por mais que estivesse mesclada com a superficilidade de um "pop's next big thing", ou uma obssessão algo parva com a "fashion!". Nada disso era o que me interessava.

Não é distinguir o "comercial", empolado pela escala, do talento de rua, "puro". É distinguir quando o talento se junta à escala multiplicativa do comercial.

A música estava bem feita - mesmo muito bem feita, diferente do plástico reinante nos últimos anos. Com uma matéria-prima assim, e uma atitude que me parecia a certa, dentro de pouco tempo, dizia eu, estaria no top. Depois de ganhar tudo e de gerar hit após hit - ei-lo. Tão simplesmente.

Curiosamente, quando falei nela, a princípio, quando era desconhecida de todos, fui mais ou menos abertamente gozado. O seu bizarro, o seu 'statement' em chocar o público parecia cegar esses meus críticos para aquilo de que eu estava a falar. Um deles, inclusive, tinha uma teoria de que ela seria o tipo de mulher que me atraía, que aquele bizarro constituía um ideal de beleza. A "tua" Lady GaGa, dizia ele, quando a música soava. Quando eu ainda hoje tenho uma certa repulsa visceral pelas suas toilettes.

Claro que tudo isso era forçado, e almejava a provocação gratuita. Desclassificar-me para essa erótica-trash tinha todas as menos nobres razões por detrás. O certo é que a música soou vezes demais, saltou para o mainstream, e aquele bizarro todo, devido à qualidade da música, saltou para todo o lado. Esse crítico, anónimo, até dava grande importância, na vida, ao "ganhar" e ao "perder". Apesar dos seus comentários jocosos, ela persistiu, e ela ganhou. A gaja feia, repulsiva, chocante - ganhou.

Poder-se-á - e bem - dizer que uma estrela é ela e a sua circunstância. E que na nossa circunstância algo desoladora, Lady GaGa é a estrela que resta. Mas isso é sempre verdade, em todo o momento da História.

Eis a prova da vitória - a reprodução. A tão almejada "Fama", mais patente do que nos discos de platina.

O vídeo seguinte tem perto de 19 milhões de 'views'. É mais fácil de ver - assim limpo do bizarro (até já com um twist de cover) - a tal qualidade de composição que me impressionou...



Mais acrescento que até prefiro a versão deste puto (embora eu provavelmente também prefira a versão acústica de Lady GaGa à comercial). Já agora - este parece o tal talento "puro", de rua.

Não - eu tinha razão em ser assim idiota, shameless.