domingo, 29 de novembro de 2009

The End of The World (As I Get To Know It)

Uff... 1 mês de reclusão em trabalho, numa farmácia que parece estar no Fim do Mundo.

Caramba: alguma da minha clientela habitual mudou muito - mesmo.



Há cheiros estranhos. Cheiros tão fortes que é impossível estar perante a pessoa durante muito tempo - e eu tenho a infelicidade de ser lento ao balcão. No outro dia apeteceu-me dar um beijo a uma senhora que vinha de fora - simplesmente porque usava perfume.

Ok, pronto. Também há muita gente agradável (a maior parte) - e genuína, sem falsidades. Com paciência para o farmacêutico trapalhão. Mas que piada tem falar deles neste blog?

E só ao fim de um mês - um mês!!! - a farmácia teve a visita da primeira ga... - mulher atraente. Bonita, bem disposta - e bem vestida.



Uma! - num mês inteiro. Um escândalo. Como é que é suposto um farmacêutico com cromossoma Y aguentar as agruras do dia-a-dia? Hum?

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Smelly Cat

Um amigo estrangeiro perguntou-me quem eram os Gato Fedorento. Respondi-lhe dizendo que se tratava de um grupo local de talentosos anunciantes - que ocasionalmente faziam uma perninha como humoristas.

Fitando o Meu Limoeiro

Se eu gosto de estar sozinho? Bom, não vou mentir - é duro. Mas eu sou, realmente, uma prova do chavão "mais vale só que mal acompanhado". Há mil palcos gregários que amaria pisar, mas aqueles que vou conhecendo apenas me fazem querer melhorar a solidão, torná-la mais habitável. Aqueles que amo estão vedados, de alguma forma parecem sempre ter estado. Sou grato por tudo o que tive - mas falta um 'clic' para tudo isso fazer sentido.

Não, mas é duro estar sozinho. Especialmente saído para ir trabalhar para fora, no meio do Inverno, de uma depressão económica, no meio da própria inexperiência nas funções, sem amigos sequer. Aqui estou - no meio de nada.

Eu sei que "isolation... is not good for me". Mas - até haver um 'ensemble' porque valha a pena largá-la, assim continuarei, a fitar teimosamente o meu limoeiro.



Eu sempre achei que vale a pena ousar - porquanto tenha tido que calcorrear o "deserto da ofensa à inteligência" do meu país na última década. Se alguém acordar da modorra, quiser mudar de vida e fazer algo de diferente - eu estou listado. Diz que só há uma vida, afinal.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Feliz Hanukkah

Ok, pessoal. Agora para algum cair de queixo 'age appropriate': Bar Rafaeli.

Party In The USA

Lamento, mas agora não me sai da cabeça, esta música.

Foigo - bastante crescida a Miley Cirus, para 17 anos. Mais um ano e poderei dizer sem desconforto a piadola: "Mãe, pai? Eu... quero ir ver a Hannah Montana. Pode ser?".


Yap. Perdi Novamente o Mistreated Intellectual Award.

Uau... E eu que pensava que era um génio ignorado pela sociedade, e por ela obrigado a labutar mundanamente para sobreviver. Leiam lá isto.

É... I guess that puts thing into perspective - doesn't it?

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Momentos - 4

Abrigadas por debaixo dos eucaliptos enquanto regurgitavam e voltavam a mastigar o pasto dessa manhã, as vacas Stella e Mimosa, charolesas de raça apurada, aproveitaram para colocar os mexericos em dia:
"- Mas já chega de histórias sobre os quadris do Vitorino. Ouviste a última da Elsa?", perguntou Stella.
"- Qual Elsa? Aquela que manda no grupo das malhadas? A que tem o brinco da orelha com o número todo borrado?".
"- Essa mesmo. Que horror, aquele brinco - mas fica-lhe bem. Vaca mais malvada nunca vi. Ontem estava a fugir das moscas e passei pelo grupo delas... Bem: alta discussão, só se ouvia ela a repreender as outras por causa de não estarem sempre atrás dela. A ameaçá-las acabar com o grupo. E tu sabes como é, coitadas - ninguém as quer na manada. Aquilo é um filme de terror bovino."
"- Cá para mim ela precisa é que lhe limem as unhas. Mesmo estando solta...", sugeriu Mimosa, com um tom pouco simpático, enquanto mastigava a pasta de erva.
"- Incrível, mesmo", continuou Stella.
"- Que grande humana, essa!", soltou, de repente, Mimosa.
Stella ficou algo surpreendida com o palavrão da amiga, e ia repreendê-la docemente, mas acabou por rir também, quase se engasgando, naquele belo dia, à sombra dos eucaliptos.

Mas Onde Ficava Essa Tal "República das Bananas"?

É sempre uma sensação curiosa quando desboroamos um lugar-comum, descobrimos a sua razão, a sua raíz. Pronto, vá - eu gosto, ok? E diz que o blog é meu.



Como não o diriam os outros tantos, iluminados: "Ah, então é daí que vem...".

Levanto-me, Destruo as Moscas e Volto

As moscas mordem,
As gentes mordem
E os dias acabam
Cedo demais.

Pergunto-me ao certo quais
As razões,
E se não terei tentações
De ter as razões normais...

Parem de me morder!
Seres porcos!
Pensam que não sei
O que andam a fazer?

Podem morder,
Que eu não deixo,
Sozinho, de pensar
Nas razões porque me movo:
Por elas decido ir,
Decido ficar.

Que saibam sempre:
Eu não mudo por vocês,
Contra vocês;
Tenho o meu mundo inteiro
A que responder -
Escusam de querer
Levar-me por iras ao vosso.

E no entanto, não vos posso
Permitir:
Levanto-me, destruo as moscas e volto
A reflectir.

Pedro Oliveira

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Elefante Está ao Balcão da Loja de Porcelana

Diz que um homem no meio de mulheres é abençoado. Em determinados cenários, admito perfeitamente essa benção. Já num ambiente laboral, temo discordar desse senso-comum.

Acontece que trabalho só com mulheres por estes dias. E não é fácil. Não me refiro à falta de discussão erudita acerca do novo treinador do Sporting, nem sequer ao facto de ser o único 'pilhado' a descair o olhar para o decote de uma cliente. Não. Refiro-me ao facto de a minha falta de jeito 'trademark' estar potenciada exponencialmente.

Mormente, repare-se, com mulheres, impera a regra de 'o mal está feito'. Não a do 'toda a gente erra', do 'não te preocupes, está sempre a acontecer'. No meu caso - o erro está feito. E sinto a falta do 'gajo' que desdramatize. Até porque eu sou um mau exemplar de gajo - eu dramatizo. Logo - redemoinho de culpa.

Suponho que vou ter que mudar e adaptar-me. Até porque não me posso - pelo contrário - queixar das mulheres particulares, que ajudam bastante - mas são mulheres sempre, e não dá para conseguir explicar as vantagens do meu 'laissez-faire' selectivo, do meu nã-te-rales-com-coisas-menores'. Nada - de repente - é menor. Há um desejo de absoluto, de perfeição que o gajo-a-ver-TV-e-beber-cerveja-no-sofá (wife beater e tudo) dentro de mim não aceita de bom grado. 'Raios - não dá para mudar de canal'.

Mas bom - espero que, adapatando-me às suas exigências, não me perca demasiado. Neste contexto ecológico, já tenho avisado amigos para chamarem o 'Fernando' se me apanharem a versar acerca das cores de um cortinado. Às vezes tenho pesadelos em que a minha barriga de cerveja se torna subitamente pregnante, e eu tenho que ser levado rapidamente para o hospital. Quando a enfermeira se chega ao pé de mim, embrulhando os braços em torno dos rebentos, diz-me apenas: 'Parabéns. São minis.'

Existência-Lismo

A primeira semana foi dura. Semana de um forasteiro, naturalmente um forasteiro, estranhado enquanto tal. Até pelos cães, num impertinente e especialmente agressivo latir, sempre que passo pela rua.

Senti-me constantemente um Romanovich Raskolnikov de "Crime e Castigo", só com Alyona Ivanovnas a olhar para mim. E pergunto-me quanto tempo será necessário ainda até que se perceba que eu não tenho qualquer machado na mão.

Where-Abouts

Ainda não tinha dito, certo? Ok. Então é assim - mudei de cidade. De junta de freguesia, concelho, distrito. Pois é.

Estava a passar o pó aos livros na prateleira científica e vejo um, envergonhado, pequeno, mas que parecia responder às minhas dúvidas - as que me levavam, justamente, a estar a limpar o pó aos livros - sobre para onde ir 'respirar', acabar o curso, e reflectir. Dizia o título: 'Vademecum'.

Latim para 'vai de Meco', supus então. E olha - eu lá fui.

domingo, 8 de novembro de 2009

O Voo do Corvo (Revisitação)

Diz que o corvo tem aquela obsessão estúpida pelo brilho de metais preciosos.



Não te preocupes, Robbie, isso está sempre a acontecer-me. Infelizmente não com a Michelle Hunziker, mas é uma constante. A... única vantagem que eu realmente distingo em relação a ti é que eu não me embaraço ainda mais cantando o 'Millenium'. Mas cada qual sabe de si.

Queixumes Lusitanos Traduzidos

Parece que não é só em Portugal... Ora leiam as queixas de Jeremy Clarkson:


Hum... Lá se vai a opção Reino Unido.

sábado, 7 de novembro de 2009

Nerd...

Não, hoje até me convidaram para sair à noite. Bom... sim - era alguém que me conhecia há pouco tempo.

Scollatura, Que Tortura

Ah, as professoresse do "Eredità"...

Apresentação de Carlo Conti na Rai. Um belo programa sobre a (anormalmente elevada, sobretudo nos temas 'clássicos') cultura geral dos italianos.

Também este blog, ou antes, o seu antecessor, começou com uma professoressa. Ah, a nostalgia.

Enfim. Esse blog mudou-se, as professoresse também. Há novas caras na 'squadra'. Direi que as que partem fizeram história, mas há talento promissor nas recém-chegadas.

Agora, parece-me claramente que o "Eridità" terá encalhado num problema de audiências. Ora constatem:





Ainda bem. Assim se aprende com gosto. À atenção do Ministério da Educação.

P.S.: O "Eredità" é um 'gameshow' que passa antes do Telejornal local. Donde essas acusações são descabidas, estamos entendidos?

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A Deriva Gourmet

Faz-me muito mais sentido a demissão de Pedro Barbosa e de Miguel Ribeiro Telles do que de Paulo Bento. Mas bom, o imediatismo é o que é, e Paulo Bento teve a dignidade de levar até ao fim a impressão de que estava a fazer - por algo grosseira e primária reacção da massa associativa - mais mal que bem ao clube.

Sou daqueles que o não culpa - pelo menos nunca em primeiro lugar. Foi uma pessoa honesta em tempos muito pouco honestos. Não tinha, como técnico, a criatividade que eu gostaria - mas conseguiu aproveitar jogadores do Sporting para além do seu valor, de forma incrível.


Mas não dá para jantar 'restos' toda a vida, diz a massa associativa. A ambição por um bom bife, um suculento peixe, não se engana eternamente. O apetite 'gourmet' trai todo o dever de gratidão a quem afastou o fantasma da fome macabra. Mesmo que esse apetite acabe em mais 'restos,' apenas cozinhados de outra forma por outra pessoa qualquer.

Como dizia aquele indivíduo que citava frouxamente o 'Gattopardo': "Às vezes é preciso que algo mude para que tudo fique na mesma".

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Raios Partem

Estou positivamente chocado. E desta vez não me refiro a política, economia, desporto sequer. Não - foi mesmo um choque eléctrico no lombo.

Dica aos mais novos: não convém andarem a desapertar os invólucros - amíude de vidro - de lâmpadas exteriores com uma... faca. Diz que lá dentro basta um toque ligeiro no fio da lâmpada para vocês sentirem aquela formigagem que - depois de um micro-apagão - se faz parecer a um empurrão de um gajo chungoso. Bastante violento.

Não - oiçam o que vos digo: não se metam nisso, que é coisa de homens de barba rija, e estúpidos como coiros. E também de pseudo-intelectuais que andam aí a experimentar essa coisa da "vida" que falam nos livros e televisão.

Ah... mas com uma dor que nem vos passa pela cabeça - porque se fica pedantemente aí, pela cabeça - a latejar. O pico da carreira de uma dor, o sonho de menina-impressão-desagradável-mas-não-dor deve ser o dia em que dela dizem ser a dupla latejante & lancinante.

Levei um murro vazio de um inimigo invisível - e estou de rastos. Raios - não! - partam.