As moscas mordem,
As gentes mordem
E os dias acabam
Cedo demais.
Pergunto-me ao certo quais
As razões,
E se não terei tentações
De ter as razões normais...
Parem de me morder!
Seres porcos!
Pensam que não sei
O que andam a fazer?
Podem morder,
Que eu não deixo,
Sozinho, de pensar
Nas razões porque me movo:
Por elas decido ir,
Decido ficar.
Que saibam sempre:
Eu não mudo por vocês,
Contra vocês;
Tenho o meu mundo inteiro
A que responder -
Escusam de querer
Levar-me por iras ao vosso.
E no entanto, não vos posso
Permitir:
Levanto-me, destruo as moscas e volto
A reflectir.
Pedro Oliveira