sexta-feira, 13 de novembro de 2009

O Elefante Está ao Balcão da Loja de Porcelana

Diz que um homem no meio de mulheres é abençoado. Em determinados cenários, admito perfeitamente essa benção. Já num ambiente laboral, temo discordar desse senso-comum.

Acontece que trabalho só com mulheres por estes dias. E não é fácil. Não me refiro à falta de discussão erudita acerca do novo treinador do Sporting, nem sequer ao facto de ser o único 'pilhado' a descair o olhar para o decote de uma cliente. Não. Refiro-me ao facto de a minha falta de jeito 'trademark' estar potenciada exponencialmente.

Mormente, repare-se, com mulheres, impera a regra de 'o mal está feito'. Não a do 'toda a gente erra', do 'não te preocupes, está sempre a acontecer'. No meu caso - o erro está feito. E sinto a falta do 'gajo' que desdramatize. Até porque eu sou um mau exemplar de gajo - eu dramatizo. Logo - redemoinho de culpa.

Suponho que vou ter que mudar e adaptar-me. Até porque não me posso - pelo contrário - queixar das mulheres particulares, que ajudam bastante - mas são mulheres sempre, e não dá para conseguir explicar as vantagens do meu 'laissez-faire' selectivo, do meu nã-te-rales-com-coisas-menores'. Nada - de repente - é menor. Há um desejo de absoluto, de perfeição que o gajo-a-ver-TV-e-beber-cerveja-no-sofá (wife beater e tudo) dentro de mim não aceita de bom grado. 'Raios - não dá para mudar de canal'.

Mas bom - espero que, adapatando-me às suas exigências, não me perca demasiado. Neste contexto ecológico, já tenho avisado amigos para chamarem o 'Fernando' se me apanharem a versar acerca das cores de um cortinado. Às vezes tenho pesadelos em que a minha barriga de cerveja se torna subitamente pregnante, e eu tenho que ser levado rapidamente para o hospital. Quando a enfermeira se chega ao pé de mim, embrulhando os braços em torno dos rebentos, diz-me apenas: 'Parabéns. São minis.'