Ouve cá - temos que ter uma conversa. Sabes que eu vivi na Catalunha um ano inesquecível da minha vida, e que a levo no meu coração. Tenho como inacabado o projecto de conhecer mais "del pays"que aquele que - para minha surpresa - me recebeu tão bem, talvez um dia ter as páginas do meu próprio "Homage to Catalonia". Sabes que - por isso também - eu estarei sempre contigo, Barça.
Tenho 26 anos (dizem eles). Durante todo este tempo, nunca vi um clube jogar à bola como tu. Não é jogar futebol, percebe bem - é jogar à bola. Não é ganhar (embora ganhes), é deslumbrar.
Esta noite torço por ti. Até te confesso que fui "interista" na primeira juventude, é verdade. Mas isso não basta para te levar a melhor. Até te confesso que acho que Mourinho tocou no teu ponto fraco, no ódio a Madrid. Com razão. Até te confesso que desde logo me surpreende que esta equipa tenha chegado aqui, inquinado o espírito da época passada por um Ibrahimovic que ainda não se decidiu a "casar" contigo. Como deve. Até te confesso que não suporto "Pedros Rodríguez" e "Busquets". Até te confesso que me envergonha a má relação que tens com portugueses: Figo, Mourinho, Ronaldo (que desejou a tua derrota esta noite), Benquerença. Até te confesso que estou saturado desse idiota do Laporta, de que desconfiei logo quando começou a elogiar Messi como um deus todas as jornadas. Messi é Messi, mas ali havia gato. Saberás que ele, na realidade, pensa já na sua "próxima jornada" - a política. Acredita, eu sei bastante como isso funciona - no meu país não falta quem eu deslinde o plano pessoal para a "próxima jornada". Mereces ser o fim, não o meio.
Até te confesso, Barça, que receio que esta noite não haja remontada, e que o Inter - ganhando a eliminatória com o futebol insonso a que sempre me souberam as equipas de Mourinho (no meu país chamam-me "invejoso", vê bem, por o dizer). Mas também te confesso que é nos momentos piores que gosto de estar "amb tu".
Tu voltarás...
... se não for já esta noite.
