Que a vida é injusta é algo para que não seria necessário estar a trabalhar a um balcão, servindo (?) outras pessoas. Mas... a vida é injusta - e que eu meta decotes de mulher nesse sofisma só prova a sua abrangência.
Sim - decotes de mulher. E não seria necesário especificá-lo, porque a natureza dos mesmos é feminina (não serão aqui tratadas as excepções). Mas eis que os mesmos reflectem (hum...) a injustiça, que nos apercebemos num segundo macular a sociedade. Chego enfim à explicação: acontece que, estando a trabalhar num balcão, comprovo uma regra algo absurda: a tendência para olhar para o decote é maior no caso de mulheres... menos atraentes.
Isto porque na minha linha de negócio não faltam mulheres deslumbrantes (e eis a sua única intersecção com a minha história de vida), mas a essas, por ridículo que possa parecer, somos presos pelos seus olhos. Talvez porque o corpo, o cabelo, a postura, a... aura, estejam já de acordo com um cânone qualquer da nossa mente. E por isso desejam-se também uns olhos deslumbrantes para tudo ser etéreo, onírico, elíseo...
Já quando a mulher perante nós não tem o mesmo perfil deslumbrante, o olhar desce... irritantemente. Porquê? Não sei. Não tem a menor lógica. Não, nem sequer esse pouco Freud que sugeres o explica. É injusta esta vantagem das mulheres bonitas em relação às outras - esta 'self-fullfilling prophecy', o 'efeito bola de neve', que tem a seu favor mulher bonita. Mas é assim a vida - e eu próprio dou comigo a ser motor dessa injustiça.
Depois do último parágrafo páro a pensar se a regra terá simetria para o outro sexo... E se elas, em geral, procuram mais o olhar dos homens atraentes, e tentam salvar os outros com qualquer adereço físico menos elevado.
Hum... Nota mental: comprar calças mais justas.