As árvores do meu jardim
Não votam,
Sequer em mim.
Mas eu não as rego,
Não as trato,
Apenas lhes toco
Com o vento em suas copas,
Confundindo o céu.
Não sei
O que pensam de mim,
As árvores do meu jardim.
Sentirão a minha falta?
Fui algum dia
Necessidade,
Fui algum dia amor?
As árvores do meu jardim
Emprestam-me o seu esplendor
Silencioso.
Talvez me creiam orgulhoso,
Talvez eu não lhes queira confessar
A preguiça de ter que pensar
Nelas.
A minha mente flutua,
Muda como o vento que as faz brilhar
Ao sol;
Mente que só quer calor,
Luz que não precisa da dor
De se lembrar.
É uma mente que analisa
O que se passa em baixo,
Copa frondosa que estiliza
Milhares de folhas ao sol,
Que se esqueceu da raíz...
Do que faz, do que diz,
E apenas continua,
Bela, sintética,
Por clorofila hermética,
Sua reacção sagrada.
As árvores do meu jardim
Não sei o que pensam de mim,
E não perco muito sol a pensá-lo.
São como eu:
Copas frondosas e imóveis
Contentes por deixarem chão
Sem mais obra,
Sem mais esforço,
Sem mais preocupação.
Pedro Oliveira