Sabes, hoje dei comigo a pensar como é curiosa a evolução do romance ao longo dos tempos. Há apenas alguns anos, estava sempre a ouvir na rádio aquela canção, dos Xutos e Pontapés, que ia assim:
"Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
e não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela
Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões
Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua
(...)"
E continuava, mas eu não me lembro de mais. Diz que aquele indivíduo da boina também a cantava, às tantas escreveu-a ele.
Mas não interessa à questão. E a questão - se bem te lembras - é a evolução do romance. Repara em como esta letra ainda me conseguia evoocar, nesse tempo, alguma coisa vagamente shakespeariana, meio adulterada para o nosso tempo-histórico/espaço-tuga. Ainda vislumbrava um Romeu - por exemplo o Romeu filho dos Montepio, a cortejar uma Julieta, da família dos Crato-Preto.
Hoje a coisa mudou bastante, e o romance à janela merece ser redescrito. É por isso que ofereço esta modesta contribuição, para a minha e futuras gerações:
"Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
e não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda tua
sem levar uma prenda dela
com o teu cabelo à lua
menina estás à janela
Os olhos requerem olhos
e os corações corações
e os meus requerem os teus
em todas as ocasiões
Menina estás à janela
com o teu cabelo à lua
não me vou daqui embora
sem levar uma prenda tua
(...)"
E continuava, mas eu não me lembro de mais. Diz que aquele indivíduo da boina também a cantava, às tantas escreveu-a ele.
Mas não interessa à questão. E a questão - se bem te lembras - é a evolução do romance. Repara em como esta letra ainda me conseguia evoocar, nesse tempo, alguma coisa vagamente shakespeariana, meio adulterada para o nosso tempo-histórico/espaço-tuga. Ainda vislumbrava um Romeu - por exemplo o Romeu filho dos Montepio, a cortejar uma Julieta, da família dos Crato-Preto.
Hoje a coisa mudou bastante, e o romance à janela merece ser redescrito. É por isso que ofereço esta modesta contribuição, para a minha e futuras gerações:
Menina, estás na janela
confortavelmente nua
e eu só vou daqui embora
quando esta galeria tua
descarregar. Quase que sua
a tua pele na tela. E espero
que ninguém veja da rua
o meu PC com esta janela.

Os olhos requerem seios -
mesmo a 2 dimensões -
e vamos por links, alheios
às várias inclinações...
Menina, estás na janela
do Explorer, que eu vou fechar.
Nua és realmente bela
(se o Photoshop não me enganar).
Pedro Oliveira
E pronto. Como sempre na História, o romance inspira a poesia. E da boa.