Planícies verdes em meus sonhos,
Em sonhos de sonhos
De sonos alheios,
À realidade dos meios
(Sonhos são apenas fins).
Viajo,
Rio, falo, conheço -
Conquisto,
Vejo-me onde teria visto
Outra sorte,
E será o sonho tão forte
Para continuar
A sonhar?
E o que perco, afinal
Se deixar de acordar -
Um dia?
Se deixar de sobreviver
À minha estranha alegria,
Ao controlo
De uma ilha num universo -
Sou prisioneiro disperso...
Cinzentos fumos
Pó, nojo inquinado -
Duro até só confessado,
Ira de um deus enganado.
E os sonhos são sempre limpos,
São sempre justos,
São sempre previsíveis.
Sonhos de paz -
Em vida de sono ligeiro
A cada manhã,
Vida adiada
Noite mal convencida,
Hora de uma razão vã.
Amanhã?
Coragem.
Quantos metros
A coxear -
Respirar a aragem
De acordar
Num sonho pela madrugada?
A estrada
Espera pela decisão -
Não a seguir será morrer
Fecundo de hesitação
E de vida sem o momento
Da nossa clamação.
Vai em paz -
A tua pátria não te salva,
Não te mata,
E não esperes que ela mude.
Se fores capaz,
Esquece os olhares
Vai em paz,
Guarda só a latitude.
Pedro Oliveira