terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A Louva-a-Deus

Insecto esticado,
De sexo feminino
Feia, a louva-a-Deus
Verde, e mentirosa,
De trato tão pouco fino
E de secreção viscosa.

Dizem dela comer machos
Depois de os satisfazer;
Estranhos gostos masculinos...
Que a louva-a-Deus é feia,
Feia de - sem mais - morrer.

Castiga as criaturas
Que pensem voar descansadas
E terá poucas alturas
Em que não mata, ou ludibria
Pensando nas crias chocadas
Louva-a-Deus, elas um dia.

Estranha é a Natureza
Que gera o feminino assim,
Que gera machos por presa,
Que despe Vénus de beleza,
E finge consentir a Vida -
Por um fim.

Existência primária,
Sem contemplação...
Pergunto-me:
Neste bicho
O que está a louvar a Deus,
Mais que o apêndice mimético
De uma mão...?

Pedro Oliveira