terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Mas Eu Não Aprovo a Linguagem

Colhido numa distracção,
O vento lá fora rasga o baixo céu.
À porta, há uma tempestade.

"Ponha-se em sentido,
Soldado contemplativo!,
Não seja besta,
Preste atenção!"

Sujam com palavras o ruído antigo
Da rebentação.

"Veja que grande, esta alhada -
Mas você não se envergonha?
Está com a vida parada,
Pela merda de vida que sonha!"

O vento não entrou pela porta, ainda não -
Silêncio.

O mau tempo ficou além, encantante,
Por mais um dia (quantos faltarão?).
E por baixo da última pedra, restante,
Há uma última razão.

Tanta moral de ocasião...
Que foge de pecado escondido -
Convites, se estiverem à mão
Os olhos de um sonhador perdido.

Durará
O tempo que durar,
Até que haja a desviar
O curso à própria viagem.
Até lá -
Nada há que ripostar a uma ilusão...

Mas eu não aprovo a linguagem,
Ah... concerteza que não.

Pedro Oliveira