domingo, 6 de dezembro de 2009

Primum Non Nocere

À entrada da rotunda
O homem bateu no meu carro -
E roubou-me segundos, palavras,
Chicoteado
Pela sua desatenção.

A noite era escura,
Molhada, fria -
Dessas noites quem fingem
Não verem quem guia;
Noites escondidas,
Pecados de omissão:
Teias para moscas que vão
Morrer sem saber porquê.

HjmKg HyfRT LjgF... jWq
[!Choque!]
Pancada de confirmação.

[ ]

Silêncio.
Podia ter sido Morte.
Mas não foi.

Acorda:
Foi só isso, não há mais,
Os carros passam selvagens, iguais
Mas estás aquém
Dessa linha -
A teia não colou.

Sai, sai do carro e fala
Com a outra mosca, que escapou.

A ele, que te empurrou
Sem intenção
Faz como quem já te perdoou -
Estamos vivos,
Não há questão.

Que lide ele
Com a própria maldição.
O jogo é este:
"Primum non nocere" -
Atenção:
Quem a regra trair,
Quem se distrair,
Não mais pode pedir
Aos outros, seu coração.

Pedro Oliveira