sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Nem A Eles Nem À Morte

Andamos neste mundo
Para esquecer os dilemas,
E ontem
Quase morríamos na estrada.

Do nada,
Fomos ultrapassados,
Marcados
Por ódio, por amor
A poder continuar -
Cada dia de vida
Não confessamos celebrar.

Depois nos queixaremos -
Quando nos pudermos sentar -
De quantos dilemas
Não resolvemos arriscar.
Não morrer
É bastante bom:
Nunca ouvimos duas vezes
O som da Morte.
Mas sabemos:
O silêncio foi mais forte que nós.

Invocaremos tempos secretos,
Em que olhávamos
Em cima os nossos avós
...
O Tempo é atroz...
E a Morte foi esquecida,
Escondida por nós.

E dos nossos pecados?
Descendentes emancipados
De fósseis -
Nada de novo há em pecar.

E se o Mundo
Nada nos deve afinal?
Com medo de um erro fatal,
Nos ancorámos:
Amar, odiar, pecar
Perdoar, recordar, contentar
(Sujar!, limpar!, sujar!)
Olhar
Os olhos deles.

E não escapámos -
Nem a eles nem à Morte.

Pedro Oliveira