segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Querido Diário - 21

Esta tarde, ia eu a passar pelo sinal em frente à bomba - eis que um carro pára no sinal verde. De súbito, tento ultrapássa-lo, mas a manobra leva demasiado tempo e quando passo a linha já os carros do outro lado estavam a avançar. Nisto, acelerei. Que rasa.

Olho então para a esquerda para pedir desculpa, e no carro a reclamarem comigo estão o meu primo Amílcar, com a sua pêra à Mefistófeles, óculos escuros, ar 'pit-bull', e um coelho enorme, com uma barriga castanho-escura onde distingo pela janela as letras "CELL". Ainda levantando a mão a desculpar-me, com medo que a minha cabeça explodisse de vergonha, pareceu-me ver o coelho - se bem que agora os meus olhos estivessem concentrados na estrada - a dizer algo que não conseguia ouvir. De alguma forma, porém, dava para ler os seus lábios: 'O que é que estás a fazer nesse estúpido fato de condutor?', perguntou ele, antes dos palavrões. Ao seu lado o primo Amílcar nem olhava para a estrada, só dizia que a tia havia de saber, e que ele sempre desconfiara que eu era daqueles. Seguiram-se mais palavrões.

Encostei para pensar um pouco em tudo aquilo. Estava assustado, e suado, senti-me subitamente diferente. E desde logo prometi nunca mais fazer sonecas depois de beber vinho verde no tempo quente.