sábado, 15 de agosto de 2009

O 'Affaire' Playboy I

Dizia eu no outro dia que a minha primeira entrevista de emprego foi com a Playboy Portugal. Logo a seguir ao primeiro número.

História simples: recolhi algumas coisas que tinha escrito e enviei-lhes. Como o meu 'sonho' (as aspas estão por pudor, porque perco a conta aos sonhos e tendo a mudar enquanto vivo) é escrever - escreveria de graça para o 'Dica da Semana' - tanto lhes fiz saber. Ainda mais 'sonho' se fosse na Playboy - porque, tendo em mente as edições americana e brasileira, eu adoraria tentar um estilo de escrita fresca (em mais que um sentido), abordar um número de temas muito 'meus' que, parece-me combinariam muito bem com a revista.

Para minha surpresa, as pessoas da Playboy foram amáveis o suficiente para me conceder uma entrevista. Honestamente, não estava à espera. Aceitei imediatamente, porquanto mais tarde - face à minha absoluta inexperiência no meio - tenha começado a recear ir seriamente desperdiçar o tempo de alguém.

A entrevista correu muito bem, contudo, e consegui explicar aquilo que queria fazer. Tratar temas como este, por exemplo. Quem segue os meus blogs há algum tempo (obrigado, primo Jacinto!) sabe do que estou a escrever.

Levei um artigo comigo, e aí pediram-me outro. O responsável pela edição disse que gostaria de me ver 'muito em breve'. Suponho que tivesse passado à próxima fase.

A história acabou aí, porém. Ainda fiz um segundo artigo, mas a hipotética carreira de jornalista/colunista ('mas nós só queríamos que você ficasse encarregue de dobrar envelopes, homem!'), teve que ficar para trás por uma questão meramente financeira. Vai daí, farmacêutico há 3 meses, ainda com pontas soltas do curso para terminar.

Não digo que seria uma escolha fácil, imediata. Mas acontece que, de alguma forma, não a pude sequer exercer. Até concedo à crítica abafada de alguns a quem contei esta história: talvez eu estivesse a jogar 'fora da minha liga'. Mas eu nunca menti em nada. Eu nunca disse que era um playboy, ou um mulherengo. Aliás, a piada do conceito estava justamente aí, na visão do soft-nerd que vê tudo à distância. Eu nunca fui um gajo 'hardcore' - o meu projecto envolvia escrita criativa, diversificada nos temas, com, sobretudo, humor.

Para 'softcore' a revista, que já tinha Nuno Markl, passou a contar com Miguel Esteves Cardoso - donde esse 'nicho' está mais que bem preenchido, por mais que eu esteja convicto que faria algo de diferente. Quem não está, afinal?

Pensei numa rubrica, de um indivíduo anónimo, desde sempre deslumbrado por mulheres, mas , por qualquer outro factor misterioso (já que não lhes faltam amigos camafeus ou namorados idiotas), obrigado a contemplá-las à distância. Que contasse os minutos de uma vida pelas mulheres bonitas com que nunca falou... Para quem me conhece, portanto, um sujeito perfeitamente fictício.

Chamei a essa 'coluna' Hound Dog, e explico porquê no primeiro dos dois textos que escrevi, e que publicarei de seguida neste blog.