segunda-feira, 3 de agosto de 2009

A Morte No Meu Refúgio

A Morte esta noite - ouvi-a
No meu refúgio.
A Morte esta noite - senti-a
Perto de mim,
Dos meus livros,
Das minhas loiças,
Das minhas janelas.

Como nunca pensei antes
Que a Morte podia visitar
Sem bater à porta?
A Morte não sabe o que é
Fora ou Dentro:
Com seus distintos demónios,
Ela é tudo o que há
E o meu refúgio -
É o que há também.

A Morte ouvi-a a tempo
(Porque alguém me avisou)
Denunciou-se
Numa concordância a mais -
A desgraça
Também vem do silêncio.

E a Morte que me disse
Quando a reconheci?
Nada -
Apenas se fez ouvir;
A Morte
Tem sempre vidas, contemplações -
Refúgios -
Que destruir.

A Morte hoje passou por cá,
A sua cara não me era estranha...
Ah, a própria Vida -
Quanto nos cega!
A Morte é tudo aquilo que há
De estático e eterno -
Que num instante se renega.

Pedro Oliveira