Detesto aquele sacana do italiano. Tinha que agora calhar-me esta prima donna no emprego. Caramba que é demais. Ainda por cima um italiano nada como o esterótipo. O Filippo - eis o nome da importação - só sabe chatear os outros, e ser mesquinho. É fino cultor da ironia e do sarcasmo... Como se não bastasse, tenho quase a certeza que seja gay. Não fosse a Rafaella, por quem os homens do escritório se andam a babar, e ninguém aguentava aquele gajo. É como o ying e o yang.
Esta tarde - imagina (embora sejas uma folha de papel não podes deixar que isso te limite) - não encontrava a mochila preta que sempre traz consigo. Nisto, depois de a procurar pela segunda vez, começou a dizer a dizer que havia de encontrar o "stronzo di m****" que lhe havia escondido a mochila. E disse isto a olhar para mim, num tom uluante e sugestivo. Começei a enfurecer-me. Mas querem ver que o canalha pensa que fui eu que lhe escondi a mala? Diz isso à cara, ó larilas! Pensas que fui diz, ó mafioso de terceira categoria! Diz, pá!
Estive quase a dizer-lhe estas frases em gritos treloucados, com o sabor crocante de ira divina. Em vez disso dei-lhe o tratamento do silêncio. Não lhe disse absolutamente nada. Ah, se tu soubesses... encharquei-o de silêncio que se lixou! Mas na minha mente ele estava enquadrado num cenário estranho, em que pontificavam o Bruce Lee primeiro e o Dexter depois. A minha mãe bem avisou que eu não devia ver tanta televisão... Agora está feito.
Enfim - tive que controlar a fúria. E só conheço, na verdade, uma maneira eficaz de o fazer.
Ora, por várias vezes dou comigo a adivinhar, quando compro uma revista de mulheres artisticamente nuas comó milho, o que pensará a D. Henriqueta quando me a vende. O que é que ela pensa que eu faço com a revista, hein? "- Minha senhora" - apetece-me dizer tantas vezes (embora seja raríssimo comprar revistas deste género - o primo Gustavo assina-as) - "Olhe que não é isso que voc~e está a pensar! Eu sou um esteta, um amante profundo da beleza feminina. E estou a comprar a revista somente para me embevecer e glorificar a divina Vénus. Percebeu ou não?".
Geralmente, pelo "Obrigado" que ela consegue fazer saber a "Pervertido!", acho que não.
Ah, mas passo a explicar: não há nada melhor para combater a fúria que a surpresa, a confusão. O meu sistema está em monotarefa, no módulo 41: 'castigar a canalhice'. E entra um vírus, do tipo 21J 'mulher de quadris hipnotizantes'. Pronto - o sistema entra em ruptura. Já não sabe se se deve focar no canalha ou nos quadris.
Hum... porque é que de repente parece que estou a ver uma cena daqueles filmes manhosos? Canalha, quadris... Hum. "Pervertido!". Ok, D. Henriqueta - eu já ouvi à primeira.
Esta tarde - imagina (embora sejas uma folha de papel não podes deixar que isso te limite) - não encontrava a mochila preta que sempre traz consigo. Nisto, depois de a procurar pela segunda vez, começou a dizer a dizer que havia de encontrar o "stronzo di m****" que lhe havia escondido a mochila. E disse isto a olhar para mim, num tom uluante e sugestivo. Começei a enfurecer-me. Mas querem ver que o canalha pensa que fui eu que lhe escondi a mala? Diz isso à cara, ó larilas! Pensas que fui diz, ó mafioso de terceira categoria! Diz, pá!
Estive quase a dizer-lhe estas frases em gritos treloucados, com o sabor crocante de ira divina. Em vez disso dei-lhe o tratamento do silêncio. Não lhe disse absolutamente nada. Ah, se tu soubesses... encharquei-o de silêncio que se lixou! Mas na minha mente ele estava enquadrado num cenário estranho, em que pontificavam o Bruce Lee primeiro e o Dexter depois. A minha mãe bem avisou que eu não devia ver tanta televisão... Agora está feito.
Enfim - tive que controlar a fúria. E só conheço, na verdade, uma maneira eficaz de o fazer.
Ora, por várias vezes dou comigo a adivinhar, quando compro uma revista de mulheres artisticamente nuas comó milho, o que pensará a D. Henriqueta quando me a vende. O que é que ela pensa que eu faço com a revista, hein? "- Minha senhora" - apetece-me dizer tantas vezes (embora seja raríssimo comprar revistas deste género - o primo Gustavo assina-as) - "Olhe que não é isso que voc~e está a pensar! Eu sou um esteta, um amante profundo da beleza feminina. E estou a comprar a revista somente para me embevecer e glorificar a divina Vénus. Percebeu ou não?".
Geralmente, pelo "Obrigado" que ela consegue fazer saber a "Pervertido!", acho que não.
Ah, mas passo a explicar: não há nada melhor para combater a fúria que a surpresa, a confusão. O meu sistema está em monotarefa, no módulo 41: 'castigar a canalhice'. E entra um vírus, do tipo 21J 'mulher de quadris hipnotizantes'. Pronto - o sistema entra em ruptura. Já não sabe se se deve focar no canalha ou nos quadris.
Hum... porque é que de repente parece que estou a ver uma cena daqueles filmes manhosos? Canalha, quadris... Hum. "Pervertido!". Ok, D. Henriqueta - eu já ouvi à primeira.