Antepassados de um dia
Que me atormentam ainda;
Cansaços...
De não sei que vida,
Derrotas...
De não saber que pecados.
Angústia
Àquela hora do dia
Só, ainda mais só
Porque nem à solidão cedo,
Sei bem de mim...
E desconfio-me ledo.
Mulheres belas passam -
Então -
Pelo espectáculo da solidão.
A minha,
A delas...
Que homens as conhecerão,
Que não
Por suspiros de olhares de amares?
Sem segundos precisares
De saber continuar?
Àquela hora, a alma aflita
Por assim se não entregar
Teme a Morte, ou só desdita
Que a impeça celebrar
A Vida que andou a guardar.
E revisita
As pequenas coisas aquém
De desejar alguém
Mais do que a si mesma -
De alma que ainda não tem
Credores a cobiçar
A Vida que andou a guardar.
Tenho saudades
Das mulheres do meu país -
Que nunca o conheci.
Quisera a alma completa
Onde a falta concebi -
Mas a solidão aperta-me
Sempre para longe dali.
Que se possam esquecer -
A alma deve continuar
Por horas a pisar dor,
Mas a Vida
Ouvir-se-à em louvor
Numa perfeita lição:
Se um país te não quiser,
Se tão distante uma mulher
Te salvará do absurdo
Deus -
Ele te deu Vida e quer
Um amor a criar-te outra nação.
Deixarás a pátria, que te não prefere
Deixarás enleios por outra mulher
Deixarás o sonho que Ele te legou
Deixarás o nome que se libertou.
Pedro Oliveira