"- Mas afinal o que é que tu querias seguir na tua vida, qual era a tua inclinação? Qual a profissão, o rumo?"
"- Não sei."
"- Estás a ver..."
"- Não, é só porque... gosto de demasiadas coisas, demasiado diferentes. Tenho curiosidade por todas. Talvez... talvez mais que tudo o resto, haja duas coisas que eu amo: a vida, e os livros. A vida no fenómeno em si - que sempre me mereceu o maior dos respeitos. A vida na viagem, na diferença e no conhecimento. A vida na manifestação do divino na Terra, que o são algumas mulheres. A vida na Natureza, na gratidão a alguns animais, mas também na própria Biologia como ciência, e na elegância sintética da ideia de selecção natural. Amar a vida é amar tudo isso, e é amar cada dia diferente que nos é concedido viver.
"- E os livros?"
"- Os livros bastam-se: são livros. Nunca faltarão a quem os ame. Nunca se esgotam, nunca acabam. São eternos, são prazeres eternos. São a música da tua solidão, e talvez, com a escrita, a única solidão possível."